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Raynéia

Sob forte comoção, pernambucana morta na Nicarágua é enterrada em Paulista

Os familiares e os amigos usavam camisetas que estampavam o rosto da estudante. A mãe permaneceu com o diploma da filha nas mãos.

Publicado em 03/08/2018, às 11h51

O corpo foi sepultado no Cemitério Morada da Paz, em Paulista / Alexandre Gondim/JC Imagem
O corpo foi sepultado no Cemitério Morada da Paz, em Paulista
Alexandre Gondim/JC Imagem
JC Online

Sob forte comoção, o corpo da estudante de medicina Raynéia Gabrielle Lima, de 31 anos, assassinada na Nicarágua, foi enterrado no Cemitério Morada da Paz, em Paulista, na Região Metropolitana do Recife, na manhã dessa sexta-feira (3). Familiares de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata e amigos da universitária se reuniram, com a foto dela estampada em camisetas, para prestar as últimas homenagens.  

Após dias de espera, o corpo da estudante chegou ao Aeroporto Internacional dos Guararapes, na madrugada desta sexta. Logo depois, um carro seguiu para o cemitério com o corpo da estudante.  

"Prefiro pensar que ela está viva e me disse que decidiu ficar de vez na Nicarágua e, que iremos nos encontrar um dia", afirmou Maria José da Costa, mãe da universitária, com o diploma de médica nas mãos, que optou por não ver a filha dentro do caixão. "Os últimos momentos dela... Eu não tive coragem. Se eu chegar junto do caixão e ver minha filha eu não vou suportar, não vou dormir", finalizou. 

Maria José pediu seriedade nas investigações do assassinato da sua filha e informou que pretende lançar um livro com a história de Raynéia, para que ela não seja esquecida.  


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O governo

A representante do Itamaraty, Carla Shelotti, que está no Recife para acompanhar o sepultamento da universitária, afirmou que o Brasil permanece acompanhando as investigações, mesmo depois da versão oficial da Nicarágua, de que o crime não tem relação com a situação política do país. "O que a embaixada fez até agora foi trabalhar pela liberação do corpo, que foi conseguido. Por enquanto, a embaixada ainda não tem nenhuma outra informação da investigação", afirmou.  



O secretário de justiça e diretos humanos de Pernambuco, Pedro Eurico, acredita que o crime esteja relacionado com a situação política da Nicarágua.  

O assassinato 

A morte de Raynéia ocorreu em meio à maior onda de violência na Nicarágua desde o fim da guerra civil, em 1990. A repressão aos protestos populares já deixou entre 277 e 351 mortos, de acordo com organizações humanitárias locais e internacionais.

Segundo o reitor da universidade onde a pernambucana estudava, as autoridades nicaraguenses estão encobrindo um crime cometido por paramilitares, simpatizantes do governo. Segundo Ernesto Medina, Raynéia estava voltando para casa com o namorado, em carros separados, no bairro de Lomas de Monserrat, quando foi morta. “Apareceram três homens encapuzados, com fuzis de guerra, que fizeram sinal de alto. Ela continuou dirigindo e atiraram nela”, contou o reitor.

A Polícia da Nicarágua informou, na sexta-feira (27), que prendeu Piersen Guiérrez Solis, 42, suspeito de ter assassinado a estudante. Segundo nota divulgada pela corporação, Solis tinha uma carabina M4, a mesma arma usada no crime. Anteriormente, a polícia havia dito que o assassinato teria sido cometido por um guarda de segurança privado, mas não fez relação com o atual suspeito.





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