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Violência

Homicídios caem, mas sensação de insegurança continua

Balanço da SDS indica que agosto teve 30% menos assassinados que o mesmo período de 2017

Publicado em 14/09/2018, às 08h15

Agosto registrou 287 homicídios no Estado, 30% a menos que o mesmo mês em 2017 / Bobby Fabisak/JC Imagem
Agosto registrou 287 homicídios no Estado, 30% a menos que o mesmo mês em 2017
Bobby Fabisak/JC Imagem
Margarette Andrea

Depois da marca histórica de 5.426 homicídios no ano passado, Pernambuco vem consolidando uma queda no número de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) este ano. O mês de agosto teve 287 assassinatos, 30% a menos em relação a agosto de 2017, com 411 mortes. É o menor número em três anos e dois meses. Já no acumulado dos oito meses, o Estado contabiliza 2.913 mortes, 22% de redução em comparação com o mesmo período de 2017 (3.732). Ainda assim, a média é de 11,9 pessoas mortas por dia, este ano. Em 2013, melhor ano do Pacto pela Vida (PPV), a média foi de 8,4 ao dia.

Nas comunidades de periferia do Estado, a sensação de insegurança continua grande, sobretudo pela quantidade de roubos, os Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVPs). Apesar de uma queda de 23,53% de janeiro a agosto deste ano em relação ao mesmo período de 2017 (de 85.428 para 65.326) e de 32,9% em agosto (de 10.773 para 7.222), a média nos primeiros oito meses do ano foi de 268,8 roubos por dia no Estado. Também ainda é intensa a violência doméstica contra a mulher (105,3 casos por dia), estupros (6,7 ao dia) e feminicídios (48, de janeiro a agosto).

“Já tivemos uma grande quantidade de homicídios, mas desde que fizeram uma operação policial aqui, no ano passado, prendendo mais de cem pessoas, a situação melhorou. Mas assalto tem todo dia e em qualquer horário, por isso a gente não se sente seguro. Já fizemos várias denúncias, mas não adianta”, diz Marcone Pereira da Silva, líder comunitário de Guararapes, em Prazeres, no município de Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife.

RECLAMAÇÃO

Integrante do grupo Espaço Mulher, da comunidade de Passarinho, na Zona Norte do Recife, Edcleia Santos vai mais além. “Não existe essa história de redução da violência em Passarinho, está é aumentando e muito. A gente não tem segurança, vive ao Deus dará. Principalmente nós, mulheres negras. Quando saímos para trabalhar, estudar, precisamos pedir que alguém vá nos buscar no ponto de ônibus. A iluminação pública é terrível”, desabafa. O bairro apareceu como um dos mais inseguros em levantamento feito em quatro estados pela ONG internacional ActionAid, em 2014.



Professora de Direito Penal e Criminologia na Faculdade Aeso e integrante do Grupo Asa Branca de Criminologia, formado por várias instituições de ensino, Carolina Salazar avalia que ainda é cedo para concluir que há uma consolidação da redução de homicídios. “Os números ainda são muito altos e os dados de queda não podem ser conclusivos, pois ainda não o associamos a uma política pública do governo na área de segurança, pode ser contingencial, especialmente em época de eleição”, observa.

CONSOLIDADOS

Já o secretário de Defesa Social, Antônio de Pádua, está convicto de que a queda dos CVLIs está consolidada. E afirma que há, sim, uma política de governo, com investimentos em pessoal (foram 5,5 mil), equipamentos (700 motocicletas e 1,3 mil viaturas), unidades policiais e mudanças estratégicas, como a priorização ao combate de grupos de extermínio, com prisão de 185 homicidas só no mês passado. “A sensação de segurança demora mais a chegar do que os números, está mais ligada aos roubos e vai além da questão de policiamento. Ruas escuras e mal cuidadas, trânsito caótico, há muita coisa que gera essa sensação de insegurança”, salienta.

Representante do Nordeste nas discussões sobre o Sistema Único de Segurança Pública e Fundo Nacional de Segurança Pública, Pádua esteve em Brasília anteontem e diz que em 20 dias vão apresentar propostas de critérios de distribuição de recursos federais a Estados e municípios, já havendo uma defesa de que 2/3 dos investimentos fiquem com os Estados, que gastam até 85% com o setor. “Certamente isso vai ajudar ainda mais na consolidação desses números, pois temos muitos projetos a serem custeados, como um centro de inteligência regional, uma comunicação única entre os Estados e até gastos com equipamentos, armas e novas unidades”. 



Comentários

Por Pedro Araújo,14/09/2018

O Governo de Pernambuco, diante de tantas informações, que em grande parte são desencontradas, contratou policiais, alugou viaturas, enfim, gastou muito dinheiro com a segurança em nosso Estado. esquece o gestor que as polícias querem trabalhar, mas também querem receber o que lhes são de direito, as diárias que passam meses para pagar, os aumentos prometidos em campanhas eleitorais e não cumpre e que por isso ficam naquela "o governo finge que paga e os profissionais fingem que trabalham". Enquanto o gato não pega o rato, o povo vive nesse dilema que é ficar preso em suas casas para não ser assaltado e ou morrer de balas perdidas quando saem as ruas, aliás, essas balas perdidas bem que poderiam ser endereçadas para certos palácios.

Por iraquitan silva ,14/09/2018

o que e que essas duas canidatas a governadoras simone fontana e dani portela estão pensando da vida com essa proposta de meia tigela com relação a violecia essa duas bobocas deviam ver que bandido não tem medo de nada neste pais porcausa destas leis de merda frochas ainda vem essa duas otarias defender dismilitarizacão das policias e legalizacão das drogas manda essa duas vagabundas levarem os bandidos para da decomer na boquinha deles na casinha delas ai depois elas vam ver o que bom pra tosse .

Por Martiniano Neto,14/09/2018

A queda na taxa de homicídios, ela se deve ao fato das facções criminosas ter eliminado os rivais, do que propriamente á ação da polícia.



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