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Precariedade

Residentes do HGV em greve fazem protesto nesta terça

Médicos denunciam cancelamento de cirurgias por falta de material e antibióticos

Publicado em 18/09/2018, às 06h31

Prédio do HGV está em situação precária, segundo fotos enviada por residentes / Divulgação
Prédio do HGV está em situação precária, segundo fotos enviada por residentes
Divulgação
Cidades

Residentes em medicina e odontologia do Hospital Getúlio Vargas (HVR), no bairro do Cordeiro, Zona Oeste do Recife, entraram em greve ontem, alegando más condições de trabalho. Segundo denúncia das categorias, até um princípio de incêndio aconteceu no Centro de Material e Esterilização (CME) devido a problemas estruturais do prédio e cirurgias estão sendo canceladas por falta de material e de antibióticos. Hoje pela manhã, eles realizam protesto em frente à unidade, em busca de melhorias e na próxima sexta-feira fazem nova assembleia. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) diz que os problemas são pontuais.

“Falta tudo. Fio de sutura, antibióticos, material estéreo, de limpeza. Por conta disso, apenas 1% das cirurgias de ortopedia está sendo realizada. Estão colocando em risco a vida dos pacientes e comprometendo a nossa aprendizagem”, afirma uma médica residente que preferiu não se identificar por medo de represália.

Diretor do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), Marcos Villander confirma os problemas. “Na ortopedia se chegou a duas cirurgias por semana, quando há em torno de cem leitos no setor. Faltam materiais clínicos e cirúrgicos. Na próxima sexta devemos ter uma posição do Estado”.

CASOS INCONTÁVEIS

Pacientes que precisam de atendimento neurológico também sentem na pele a escassez de materiais. A médica clínica Helena Dias conta que residentes do hospital compram boa parte dos utensílios para conseguir cumprir os atendimentos. "Todo dia eu e meus colegas da residência precisamos comprar algumas medicações que deveriam ter no hospital, mas estão em falta, e outras que o hospital realmente não dispõe. Somos bolsistas e parte desse dinheiro vai para os nossos pacientes", expõe.



O neurologista Gustavo Nery trabalha em um setor diferente, mas no mesmo hospital, e relata os casos que têm se tornado comuns na unidade. "Já teve um paciente nosso com aneurisma cerebral - uma patologia que se complicar, tem risco de vida -, e a gente não conseguiu fazer um exame básico, chamado arteriografia. Procuramos a direção e pediram para que transferíssemos para outro hospital. Há uma semana eu dei alta para uma paciente com quatro aneurismas cerebrais porque não temos como tratá-la e não podemos deixá-la internada", expõe. 

ESTADO RESPONDE

Por meio de nota, a direção do HGV informa que, com um curto-circuito no ar-condicionado do CME, no dia 8 passado, “foi necessário suspender algumas cirurgias enquanto toda a área era higienizada, evitando, assim, qualquer risco para os pacientes”, tendo os casos de urgência sido encaminhados para outras unidades. Mas que a situação já foi normalizada e no último final de semana as cirurgias de emergência ocorreram normalmente, sendo realizados 75 procedimentos.

A direção ressalta que as cirurgias eletivas, marcadas previamente, não ocorrem nos finais de semana. E assegura estar “abastecida dos insumos necessários para as cirurgias e que as faltas são pontuais, havendo um esforço da gestão para resolver caso a caso”.

Sobre a paralisação, o HGV diz que está dialogando. E que, apesar do movimento, foram realizadas nove cirurgias até às 12h ontem. E conclui informando que, “nos próximos dias, será entregue a nova emergência da unidade, com cem leitos, trazendo mais conforto para pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde que atuam no hospital”. Por mês, o HGV realiza mais de 2,2 mil atendimentos nas emergências, mais de 19 mil consultas no ambulatório e mil cirurgias.




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