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Outra mulher

Divergência política: nova denúncia de agressão no Estado

Servidora pública relata ter sido espancada por mulher acompanhada de três homens, em Cajueiro

Publicado em 11/10/2018, às 19h39

Paula precisou de cirurgia para colocação de pino no punho / Reprodução TV Jornal
Paula precisou de cirurgia para colocação de pino no punho
Reprodução TV Jornal
Cidades

A Policia Civil de Pernambuco investiga o segundo caso de agressão por divergências políticas no Estado. A servidora pública Paula Pinheiro Ramos Pessoa Guerra, 37 anos, registrou queixa, nesta quinta, de um espancamento sofrido no domingo, por volta das 22h, já no final das apurações dos resultados das eleições, em um bar do bairro de Cajueiro, Zona Norte do Recife. Uma mulher e três homens estão envolvidos no crime. Conforme laudo médico, a servidora sofreu uma fratura no punho direito, múltiplos traumatismos na cabeça, no rosto e no braço esquerdo.

A vítima prestou depoimento nesta tarde, junto com o amigo que a acompanhava no momento da agressão, mas na saída não quis falar com a imprensa. Pela manhã, em entrevista à TV Jornal, ela contou que usava um adesivo com a frase #EleNão (contra o candidato Jair Bolsonaro, do PSL) e botton de apoio a Ciro Gomes (PDT). E foi questionada por dois dos três homens da mesa ao lado, que seriam eleitores de Bolsonaro e os ânimos foram se acirrando, até eles começarem a perguntar se ela e o amigo conheciam uma arma, em tom de ameaça. Pouco depois foi agredida pela mulher.

“No momento da discussão que nós tivemos eu fumava do lado de fora e ela (a agressora) não estava presente”, contou, descrevendo em seguida que a mulher foi em sua direção. “Pensei que ela ia ao banheiro, mas ela parou na minha mesa e mandou eu me levantar. Quando levantei eu já levei o primeiro murro. Os três homens não deixaram que separassem a briga e tirassem ela de cima de mim”.

VÍDEO

A delegada Morgana Alves, que registrou a queixa, disse que a servidora relatou ter desmaiado, sendo levada até a cozinha por funcionários, só saindo de lá depois que o grupo foi mandado embora. Antes das agressões físicas, durante a discussão com os homens, ela chegou a gravar um vídeo deles, já que estava sendo ameaçada. “A mulher chegou até ela pedindo o celular e o quebrou no chão”, informa a delegada. “Vamos identificá-los. Os quatro vão responder por lesão corporal (provavelmente grave), ameaça e dano”.



Conforme a delegada, a vítima foi hospitalizada no domingo e precisou passar por uma cirurgia na terça-feira para colocação de um pino no punho. Ontem, após depor, ela foi encaminhada ao Instituto de Medicina Legal (IML) para exame traumatológico, a fim de definir se a lesão é grave ou gravíssima. “Vamos ouvir também os funcionários e proprietário do bar”, diz.

CRIME DE ÓDIO

A secretária da Mulher do Estado, Sílvia Cordeiro, acompanhou o depoimento da servidora e salientou que a situação é preocupante. “Isso é um crime de ódio. Nós estamos passando por uma conjuntura muito adversa, é um momento de profunda intolerância, que está separando famílias, amigos. No Brasil já são 52 casos, inclusive um óbito em Salvador. As pessoas estão com medo de circular, de emitir sua opinião, isso é muito grave. O Estado tem que fazer sua parte que é receber a denúncia, investigar e punir os agressores”, declarou, informando que vai acompanhar as investigações, já que se tratam de violência contra mulheres.

Também no dia da eleição, uma jornalista de 40 anos, prestadora de serviço do portal NE10, integrado ao Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, foi agredida no bairro de Campo Grande, na Zona Norte do Recife, por dois homens (um com a camisa de Bolsonaro) que ainda a ameaçaram de estupro. Ela contou que tinha acabado de votar e se dirigia ao carro quando foi abordada por usar um crachá de jornalista. “Disseram que eu era riquinha e de esquerda e me ameaçaram de estupro”, relatou em seu depoimento, com cortes no braço e hematomas no rosto.



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