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Bebê abandonada em rua de Casa Amarela é levada a abrigo

DPCA investiga crime que é considerado estranho pela polícia. Bebê aparenta dois meses

Publicado em 24/10/2018, às 08h38

Pediatra que avaliou menina diz que ela era bem cuidada / Guga Matos/JC Imagens
Pediatra que avaliou menina diz que ela era bem cuidada
Guga Matos/JC Imagens
Margarette Andrea

Ela tem em torno de dois meses de idade e, aparentemente, foi muito bem cuidada. Até esta terça, quando, depois de banhada, vestida e colocada dentro de uma bolsa, uma mulher a abandonou em uma rua do bairro de Casa Amarela, na Zona Norte do Recife. Imagens de uma câmera de segurança mostram o momento em que a bebê é deixada na calçada da Rua Surubim, às 9h50, pela mulher, vestida de bermuda e blusa amarelas, que caminha normalmente após o crime. Um caso que está intrigando não só a polícia, mas todos os envolvidos no resgate e cuidados com a criança.

As imagens mostram que dez minutos após ela ser largada na calçada um homem e o filho estacionaram o carro na rua e ouviram o choro da menina, encontrando-a na bolsa. Eles a trouxeram para a Delegacia de Casa Amarela, onde demos banho, trocamos a fralda e minha escrivã, que teve bebê recentemente, a amamentou”, relata a delegada Lídia Barci. “Divulgamos o vídeo para ver se localizamos essa mulher, se ela é a mãe, se roubou a criança, é um caso muito estranho”.

Além do próprio abandono ser algo de difícil compreensão, nesse caso há um estranhamento maior pela menina já ter dois meses (em geral o abandono se dá logo após o nascimento) e por ela ser muito bem cuidada. “Quando a peguei ela estava cheirosa, deram banho antes de largá-la. É uma monstruosidade deixar um bebê assim”, lamentou o conselheiro tutelar Wellington Alexandre de Araújo, que ficou cheio de vontade de adotá-la. “Tenho uma filha de 9 anos e sempre quis adotar”, contou. Além de leite, fralda e mamadeira, ele e a equipe da delegacia compraram um vestidinho e um laço de cabeça para a menina.

MUITOS CUIDADOS

Na Maternidade Barros Lima, para onde a pequena foi levada, a equipe que a recebeu a encheu de mimo. “Fiquei muito emocionada, ainda mais eu, que estou na fila de espera para adoção há um ano. Quando a gente vê um caso desse... mas temos que esperar a fila”, desabafou a pediatra Neila Guerreiro Sabino, que em 13 anos de pediatria cuidou pela primeira vez de um bebê abandonado na rua. “No hospital acontece de a mãe deixar, eu não gosto nem de ver”.



Conforme a médica, pelo exame clínico a menina não tem nenhuma alteração na saúde. Foi feito, inclusive, um exame de sangue para verificar possíveis infecções. “Uma mãe se ofereceu para amamentá-la, mas a amamentação cruzada (do filho de outra mulher) não é indicada quando há opção de leite, pois se ela tiver alguma doença pode transmitir para a criança”, explica. A enfermeira Ana Paula Diniz comentou que há muita curiosidade sobre o caso. “Já ficamos todas apegadas. Cuidamos dela com muito amor e torcemos para um desfecho feliz”.

ABRIGO

Depois de liberada na maternidade, a bebê abandonada foi levada para o Departamento de Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA), que dará continuidade às investigações. Depois o conselheiro seguiu com ela para o Instituto de Medicina Legal (IML), para fazer exame de corpo delito e descartar possíveis maus-tratos. Somente à noite ela seguiu para abrigo Lar do Nenen, onde ficará aguardando o resultado das investigações e definição da Justiça sobre seu destino. “Quisera eu puder ficar com ela”, lamentou Wellington.

Por lei, mães que não querem ou não têm condições de cuidar dos filhos podem entregá-los para adoção, sob coordenação judicial. Mas é crime deixá-lo na rua ou dá-lo a alguém. “A mulher que deixou a criança vai responder por abandono de incapaz”, adianta a delegada. Para que a bebê seja levada à adoção, ela passará por todo um trâmite, inclusive verificação de interesse da família em criá-la. Quem tiver informações sobre a mulher deve ligar para o número 3184.3579, com sigilo garantido pela polícia. 





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