Jornal do Commercio
EM BUSCA DE UM LAR

Resgatados após maus-tratos e abandono, animais esperam por adoção no CVA

Entre os cães para adoção está Malhadinho, resgatado em um supermercado da Zona Norte do Recife. Agora, ele e outros animais, esperam por um novo lar

Publicado em 07/12/2018, às 08h00

Dezenas de cachorros, gatos e cavalos estão disponíveis para adoção no CVA / Foto: Diego Nigro/ JC Imagem
Dezenas de cachorros, gatos e cavalos estão disponíveis para adoção no CVA
Foto: Diego Nigro/ JC Imagem
Cidades

A violência enfrentada por Manchinha – cadela envenenada e morta a pauladas por um segurança do supermercado Carrefour, em Osasco (SP) – não é uma história isolada. Nos últimos cinco anos, a Secretaria Executiva dos Direitos dos Animais (Seda) do Recife registrou mais de dois mil casos de animais que sofreram maus-tratos.

Parte deles é recolhida pelo Centro de Vigilância Ambiental (CVA) do Recife, onde passa por cuidados e é disponibilizada para adoção, como aconteceu com Malhadinho, um cãozinho idoso que foi resgatado em frente a uma loja da mesma rede de supermercados, só que desta vez, na Torre, bairro da Zona Oeste do Recife, na última terça-feira (4).

Diferentemente do que aconteceu na última sexta-feira (30), em São Paulo, os funcionários da rede de supermercado no Recife acionaram as autoridades para resgatar o animal. Ele estava com a pata machucada, mas foi recolhido pelos agentes do CVA e tratado. Agora, espera, junto a outros 50 cães, acolhimento de uma família. “Infelizmente, o número de animais à procura de um lar é muito superior ao de pessoas dispostas a adotar”, comenta Goretti Queiroz, ativista da causa animal. Interessados em adotar animais no CVA precisam comparecer ao local com o documento de identidade, CPF e comprovante de residência. Caso o interesse seja em cavalo ou jumento, é preciso levar comprovante de propriedade em área rural.

A preocupação dos protetores com os animais que vivem nos arredores de supermercados não é de hoje. Segundo a presidente da Federação das Associações Organizadas da Sociedade Protetora dos Animais de Pernambuco, Luciene Nascimento, os casos de maus-tratos neste tipo de estabelecimento são recorrentes. “Sempre aparecem animais perto de supermercados e recebemos várias denúncias. O que queremos é conscientizar as empresas de que eles merecem ser bem tratados. Por que, em vez de botar os bichos para fora, não criar uma campanha de conscientização e adoção envolvendo a população?”, diz.



Segundo ela, também faltam políticas públicas que atendam as demandas dos animais maltratados. Em Pernambuco, por exemplo, considera Luciane Nascimento, não existe cuidado. “O governo daqui há muito tempo não faz ações. Não vemos campanhas de adoção, controle populacional ou algo do tipo. Tudo fica a cargo das prefeituras que, em sua maioria, não possuem centro de acolhimento para esses animais".

De acordo com o promotor de Meio Ambiente do Ministério Público (MPPE), Ricardo Coelho, denúncias de violência contra animais são constantes no órgão. Configurados crime, maus-tratos podem acarretar multas e prisão ao praticante. “Qualquer crime contra a fauna, incluindo animais domésticos, pode ser ser punido com multa, que varia de R$ 50 a R$ 50 milhões e reclusão de três meses a um ano, podendo aumentar em um terço em caso de morte do animal”, pontua o promotor.

Para o Conselho Federal de Medicina Veterinária, podem ser considerados maus-tratos contra animais agressão, abandono, envenenamento, mutilação, privação de comida e água, manutenção em locais sem iluminação e ventilação, permanência ao Sol por longos períodos e prisão em correntes ou cordas curtas que inviabilizem a locomoção do bicho, além de submissão a situações de medo e estresse.

ARREPENDIDO

O segurança acusado de ter agredido e causado a morte de um cachorro, em uma loja do Carrefour, em Osasco, confessou ter golpeado o animal e se disse arrependido, em depoimento prestado ontem na Delegacia do Meio Ambiente local. Ele afirmou que, após acerta o cachorro com uma barra metálica só se deu conta de que o havia ferido quando viu o sangue no chão. O segurança disse que ligou para o Centro de Zoonoses. Vai responder em liberdade por maus-tratos, com pena de 3 meses a 1 ano de detenção e multa.



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