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Estudo da Unicap cria alternativas para manter camelôs na Nova Conde da Boa Vista

No projeto da Prefeitura do Recife, apenas 50 camelôs continuarão trabalhando na avenida. Proposta da Unicap viabiliza espaço para os mais de 300

Publicado em 18/04/2019, às 07h45

As alternativas tiveram como base o projeto da Nova Conde da Boa Vista, que já está sendo executado pela Prefeitura, e as demandas dos próprios camelôs / Foto: Bobby Fabisak/ JC Imagem
As alternativas tiveram como base o projeto da Nova Conde da Boa Vista, que já está sendo executado pela Prefeitura, e as demandas dos próprios camelôs
Foto: Bobby Fabisak/ JC Imagem
Cidades

Um grupo de arquitetos, designers e comunicadores criaram um projeto para provar que os mais 300 camelôs podem fazer parte, de forma organizada e proveitosa, da Nova Conde da Boa Vista. A  ocupação de espaços público-privados subutilizados e a redistribuição do comércio informal ao longo dos 1,7 km da avenida, na área central do Recife, estão entre as alternativas propostas para garantir a permanência do comércio informal na área. Material produzido por especialistas e alunos da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap),  foi apresentado à Prefeitura do Recife durante audiência pública sobre o assunto na Câmara Municipal do Recife.

A proposta tem como fundamento o conceito de Gentileza Urbana, que defende que obras ou imóveis privados que possuam seu pavimento térreo de uso público agreguem intervenções que favoreçam a cidade não apenas urbanisticamente, mas também com relação às pessoas. “É muito importante que o que chamamos de equipamentos público-privados, como shoppings, hospitais, universidades e estabelecimentos, por exemplo, sejam encarados de outra maneira e que as responsabilidades na forma de projetar seus térreos seja outra, incluindo a visão do comércio popular, que inevitavelmente ocupa esses espaços”, explica a professora de arquitetura e urbanismo da Unicap, Clarissa Duarte.

As alternativas tiveram como base o projeto da Nova Conde da Boa Vista, que já está sendo executado pela Prefeitura do Recife (PCR), e as demandas dos próprios camelôs. A ideia é que térreos de prédios com recuo na entrada possam servir como ponto de funcionamento do comércio informal de forma organizada. “Já existem ambulantes nestas áreas, o que propomos é a utilização do recuo frontal destes equipamentos sem prejudicar a visibilidade das vitrines e os acessos principais, agregando, ao mesmo tempo, segurança, porque o comércio popular é um vigilante social por excelência”, acrescenta Clarissa. Lotes privados não utilizados também entram na proposta. Neles, o projeto sugere que sejam criados shoppings populares onde diversos ambulantes ficariam dispostos. Para garantir a circulação de pessoas na área, o terreno também abrigaria equipamentos âncoras, como lojas ou pontos de serviço, à exemplo do Expresso Cidadão.

Todo o projeto foi pensado ao lado do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras do Comércio Informal (Sintraci), de forma que características desse tipo de trabalho e demandas dos ambulantes fossem contempladas na proposta. Para Edvaldo Gomes, presidente do sindicato, o material apresentado à PCR deu mais esperanças aos camelôs. “O projeto não altera o que já está sendo feito e mostra que é possível manter todos os 324 ambulantes trabalhando na Conde da Boa Vista sem nenhum problema. Vai ser bom para a prefeitura, que se dispôs a analisar, e para nós. A proposta da prefeitura, com apenas 50 fiteiros na avenida, não era justa”.




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Nessa quarta-feira (17), em audiência de pública convocada pelo vereador Ivan Moraes (PSOL), com a presença de representantes da Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb), da PCR, da Unicap e do Sintraci, foi definido que o material será analisado pela PCR e que novas reuniões serão marcadas para discutir esta e outras propostas que viabilizem a continuação do comércio informal na Conde da Boa Vista.

O secretário de Mobilidade e Controle Urbano do Recife, João Braga, também presente na audiência, se mostrou favorável à análise do material. “Gostei muito do que foi apresentado, vamos aproveitar isso. Nós solicitamos que a Emlurb destacasse espaços próximos às paradas para os ambulantes e isso será resolvido. Estamos participando de um estudo com o Consórcio Grande Recife para verificar a questão dos ônibus e, no final, vamos analisar como ficarão as paradas. Depois disso, começaremos a pensar onde ficarão os camelôs, que precisam estar em pontos movimentados da avenida”, explica.

Para o vereador Ivan Moraes, a discussão é importante devido à crescente de pessoas sobrevivendo do comércio popular. “O estudo preliminar mostra que é tecnicamente, economicamente e esteticamente viável que haja espaço para 300 pessoas, ou até mais, na Conde da Boa Vista. É uma perspectiva muito importante tendo em vista o cenário atual em que a tendência é que, com o desemprego, mais pessoas caiam no comércio informal”, pontua.


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