Jornal do Commercio
Entrevista
SUMIÇO

'Aguente as consequências', diz marido da mulher que levou bebê do Imip

Lucas Lima, companheiro de Eliane Oliveira, disse que não sabia de nada. E que não quer mais continuar a relação

Publicado em 23/04/2019, às 09h50

Lucas conheceu Eliane num site de relacionamento.
Lucas conheceu Eliane num site de relacionamento. "Sempre quis ser pai. Acho que ela fez isso pra me prender", disse
Foto: Leo Motta / JC Imagem
da editoria de Cidades

Vinte e oito horas depois de ser levado, por uma mulher desconhecida, do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), no bairro dos Coelhos, área central do Recife, o recém-nascido Gabriel, com 17 dias, voltou para os braços da mãe. Uma história que, por sorte, acabou rapidamente e com um final feliz.

O menino, desaparecido no sábado, por volta das 19h30, foi encontrado pela polícia às 23h30 do domingo em Afogados, Zona Oeste do Recife. Além do susto, o crime expôs a fragilidade na segurança da unidade de saúde, que registra uma média diária de 20 mil pessoas circulando no complexo hospitalar e cerca de 5 mil partos por ano.

Responsável pelo sumiço do menino, Eliane Antônia de Oliveira, 47 anos, foi presa em casa. À polícia, ela contou que havia perdido um bebê recentemente e por isso decidiu pegar uma criança no Imip para criar. Em audiência de custódia, na tarde de segunda-feira (22), ela foi solta pelo juiz Luiz Carlos Vieira, que concedeu liberdade provisória sem pagamento de fiança.

O magistrado argumentou que Eliane não tem antecedentes criminais, é ré primária; e que seguiu um pedido do Ministério Público Estadual. Ela responderá por “subtração de criança ou adolescente ao poder de quem o tem sob sua guarda em virtude da lei ou ordem judicial, com o fim de colocação em lar substituto”, crime previsto no artigo 237 do Estatuto da Criança e do Adolescente, e cuja pena varia de 2 a 6 anos de prisão.

SURPRESA

Companheiro de Eliane, o operador de produção Lucas Victor Lima, 22 anos, disse ter ficado surpreso com a atitude dela. Garante que não sabia de nada e que não quer mais continuar a relação. “Agora ela aguente sozinha as consequências do que fez”, afirmou. Veja a entrevista que ele concedeu ao JC:



JORNAL DO COMMERCIO – Eliane disse à polícia que recentemente havia perdido um bebê. É verdade?

LUCAS LIMA – Não sei dessa história de perder bebê. Estávamos há quase dois anos juntos. Conheci-a num site de relacionamento. Ela mentiu e disse que tinha 30 anos. Só soube que na verdade estava com 47 depois que a polícia contou. Eliane morava comigo, mas duas vezes por semana ia dormir na sua casa no bairro do Totó, onde vivem os três filhos dela. Trabalhava num salão de beleza em Boa Viagem. Ela chegou com essa história de que estava grávida. Uma vez pressionei e pedi para ver os exames. Ela mostrou um de 1998, que era de um dos filhos dela. Só descobri depois que não era atualizado. Mas percebia a barriga crescendo.

JC – E você não a acompanhava nas consultas e exames?

LUCAS – Ficava com desconfiança às vezes, mas nunca fui até o fim. Ela chorava dizendo que estava com dores, eu acreditava. Eu colocava a mão na barriga dela. Às vezes o bebê parecia mexer. Eu confiava muito nela. Fizemos até chá de fralda e enxoval. Estou sem palavras para comentar o que ela fez. Eu não merecia isso, sou um cara pacato, vivo de casa para o trabalho. Nunca tive problema com a polícia.

JC – Você acha que ela planejou levar o bebê?

LUCAS – Acho que sim. Acredito que tenha feito isso pra me prender e vinha pensando nisso faz tempo. Eu sempre quis ser pai. Mas filho não prende ninguém. Ela saiu daqui na quarta-feira, como sempre. Ficamos nos falando por telefone. No sábado pela manhã Eliane ligou e pediu que eu montasse o berço. À noite chegou com o menino.

JC – Você pegou Gabriel no colo?

LUCAS – Sim. Ele iria se chamar Luís Henrique, em homenagem a um irmão meu que morreu. Fiquei assustado quando a polícia chegou no domingo à noite. Pensei até que fosse o ex-marido dela. Não quero mais nada com Eliane. Ela procurou, agora aguente as consequências. Nunca pensei que ela fosse capaz de fazer uma coisa dessa.




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