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20 ANOS DE DEDICAÇÃO

AACD Recife: 20 anos renovando esperanças de pacientes do Norte e Nordeste

Unidade do Recife atende 100% pelo SUS, mas depende de doações para oferecer parte dos mais de 120 mil atendimentos anuais

Publicado em 09/06/2019, às 08h03

Tudo começou com o Teleton de 1991, quando a maratona de doações arrecadou recursos para construir a sede / Foto: Alexandre Gondim/ JC Imagem
Tudo começou com o Teleton de 1991, quando a maratona de doações arrecadou recursos para construir a sede
Foto: Alexandre Gondim/ JC Imagem
Cidades

Em 1999 era inaugurada no Recife a primeira unidade da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) do Norte e Nordeste. Única das nove unidades a atender 100% pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a AACD Recife vem há duas décadas transformando vidas e renovando as esperanças de crianças, jovens e adultos com os mais diversos tipos de deficiências físicas.

Tudo começou com o Teleton, uma maratona televisionada pelo SBT, em 1998, a fim de arrecadar doações para a instituição, que até então só tinha unidade em São Paulo. Com o valor arrecadado naquele ano, foi criada a AACD Recife, que atualmente é a segunda maior do País e realiza cerca de 120 mil atendimentos por ano.

A dona de casa Andreza Maria da Silva é mãe de seis filhos. Deles, quatro meninas portadoras de um tipo distrofia muscular. Há 10 anos, quando a primeira delas foi diagnosticada, sua luta por tratamento começou e, felizmente, as meninas, hoje com 16, 10, sete e dois anos puderam fazer todo o acompanhamento na AACD. “Vitória, de sete anos, não andava e foi a primeira a fazer tratamento. A partir dela, eu descobri que as demais também tinham e já começamos o tratamento aqui. Fizeram fisioterapias, fonoaudiologia, participaram de grupinhos e tiveram até apoio psicológico”, conta Andreza, que sai de Barreiros, no interior do Estado, três vezes na semana para trazer as filhas para a AACD.

Dentre as dezenas de salas da unidade, uma é destinada às famílias. É lá que mães e pais de crianças com deficiências físicas atendidas pela instituição passam boa parte de seus dias, aguardando que seus filhos terminem as atividades diárias para retornarem às suas casas. Apesar das dificuldades e do cansaço, o local acaba se tornando um ponto de encontro e de fortalecimento das famílias, que criam vínculos tão fortes quanto a força de vontade de cada um. “Aqui todo mundo vira amigo. Um sustenta e pede pelo outro. Todo mundo tem sua luta e aqui a gente pode se ajudar. O ruim de quando temos alta é que sentimos falta dos amigos que fazemos, desde as outras mães até as profissionais”, comenta Andreza.

Toda semana, Jailton Lucas da Silva, de 14 anos, vem à AACD. Nas segundas-feiras ele faz capoeira. Nas sextas, coral. Mesmo já estando de alta de seu tratamento, o jovem se nega a deixar a instituição, que frequenta desde que tinha um ano. “Eu não teria condições de pagar o tratamento dele em clínicas particulares, por isso sou tão grata a AACD. Aqui ele fez todo tipo de tratamento e evoluiu muito. Antes ele não falava nada, agora, já fala “mainha”, me chamando. Nada no mundo me deixa mais feliz e agradecida do que ouvir meu filho me chamando”, diz Margarida da Silva, mãe de Jailton.

Por dia, a AACD Recife realiza em média 500 atendimento. Por mês, são 10 mil. Apesar dos tratamentos serem financiados pelo SUS, os recursos recebidos não são suficientes para custear todos os serviços da unidade, que depende de doações para fechar a receita. “Como a tabela SUS já não é atualizada há 11 anos, o que recebemos só corresponde a 70% das despesas. Por isso é tão importante que as pessoas se conscientizem em doem. Nosso desafio este ano é receber R$ 2,5 milhões de doações para zerar nossos custos e podermos aumentar o número de pessoas atendidas”, explica a gestora da AACD Recife, Luciana Martins.




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Além de fisioterapia de solo e aquática, a unidade também tem fonoaudiologia, acompanhamento psicológico, pedagogia e terapia ocupacional. Nela também há uma oficina ortopédica que produz cerca de 15 mil produtos por ano, incluindo órteses, próteses, capacetes, coletes e sapatos ortopédicos. Todos são distribuídos gratuitamente para os pacientes e feitos de acordo com a necessidade de cada um.  

As doações podem ser feitas das mais variadas formas. Boletos podem ser gerados em site (www.aacd.org.br/unidade/recife-pe), cofrinhos podem ser colocados em estabelecimentos e doações de roupas e sapatos podem ser feitas para o bazar da unidade, que funciona durante todo o ano e tem toda a verba revertida para o tratamento dos pacientes. Empresas também podem ajudar doando combustível para os veículos da unidade e alimentos que são distribuídos para voluntários e famílias de pacientes.

 Amor pelo voluntariado

A história de vida do senhor Mário Mendes, 68 anos, se mistura com a da AACD. Há 21 anos, recém aposentado, ele ficou sabendo pela TV da construção da instituição no Recife. Entre os anúncios, um lhe chamou atenção: precisavam de voluntários. Desde então, boa parte de seus dias são dedicados a ajudar, com total entrega, as centenas de famílias que circulam diariamente pela unidade.

Hoje, 20 anos depois, coordenador do voluntariado, o aposentado não tem nem pretensão de se desvincular da AACD. Segundo ele, poderia passar mais 20 anos tranquilamente. “Quando a gente faz trabalho voluntário, temos o intuito de ajudar a instituição. Mas, quando chegamos em locais como esse, percebemos que nós é quem somos ajudados. Fica até difícil decidir quem é que fica mais grato pela oportunidade, se são os pacientes ou nós voluntários”, comenta o aposentado.

Atualmente, 242 pessoas integram o núcleo de voluntariado. Responsáveis primordialmente por transmitir bem estar aos pacientes e seus familiares, os voluntários se desdobram nas mais diversas atividades. Auxiliam nos eventos, na arrecadação de doações, nos bazares, nos atendimentos, no dia a dia da unidade e, sempre, na distribuição de sorrisos e abraços calorosos.

Quem tiver interesse em ser voluntário pode procurar o núcleo por meio do telefone 3419-4021 para agendar uma visita à instituição. Cada novo integrante passa pelo treinamento inicial e deve cumprir carga horária de quatro horas por dia, uma vez na semana.

 

 

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