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ÁREA DE ALAGAMENTOS

Obras do Canal do Fragoso são retomadas em Olinda

A intervenção custará R$ 14,5 milhões, incluindo o valor de indenizações, e está prevista para ser realizada em 12 meses

Publicado em 30/07/2019, às 08h13

Iniciada em 2013, primeira etapa da intervenção no canal estava prevista para terminar em 2016 / Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
Iniciada em 2013, primeira etapa da intervenção no canal estava prevista para terminar em 2016
Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
Da editoria de Cidades

A obra inacabada de alargamento e revestimento do Canal do Fragoso, em Olinda, é apontada mais uma vez por moradores da cidade como a causadora das inundações registradas em Bairro Novo, Jardim Atlântico, Casa Caiada e Jardim Fragoso, na chuva da semana passada. “Ficamos dois dias isolados e sem energia elétrica porque a água passou do quadro de luz do prédio, as famílias do andar térreo perderam quase tudo, teve muito choro”, relata Luciana Pereira de Souza, residente em Jardim Atlântico há 27 anos.

Iniciada em 2013, a primeira etapa da intervenção no canal estava prevista para terminar em 2016. A Companhia Estadual de Habitação e Obras não se pronunciou sobre a demora na execução do serviço. De acordo com a assessoria de imprensa da Cehab, apenas o presidente da companhia pode falar sobre a obra e ele passaria a tarde de ontem em reuniões externas. Em entrevistas anteriores, a Cehab havia informado que disputas judiciais com desapropriações de imóveis seriam o motivo do atraso.

“Moro há mais de dez anos em Jardim Atlântico e os alagamentos estão piorando, o problema é essa obra no canal que não acaba nunca”, declara Neusa Quirino. “O canal está muito raso e cada vez que chove a água se espalha, entra nas casas e deixa as ruas intransitáveis, a situação está horrível”, destaca. Neusa Quirino também chama a atenção para a precariedade do pontilhão de tábuas sobre o canal que liga Jardim Atlântico a Casa Caiada. “Faz até medo passar aqui.”




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Jesuíno de Araújo Filho vive em Casa Caiada há 12 anos e espera que a obra no canal, depois de pronta, resolva os alagamentos no bairro. “Fiz uma subida na frente da minha casa e não adiantou. Eu creio que esse serviço vai aliviar as inundações, mas por enquanto a gente só está sofrendo”, lamenta o comerciante. Segundo ele, a água atingiu até 1,20 metro de altura em diversas residências. “O problema é o canal, por enquanto a água não desce, só faz subir quando chove.”

O professor aposentado Dario Peixoto vive em Jardim Fragoso há 63 anos e fica ilhado toda vez que chove em Olinda. “É um desprezo completo com os moradores. Na semana passada nem ônibus conseguiu circular, foi um caos, e o motivo não é lixo no canal, é essa obra que virou um espicha-encolhe, é uma falta de respeito com a população”, afirma Dario Peixoto. Ele mora perto do Canal Bultrins-Fragoso, que se comunica com o Canal do Fragoso.

Retomada

No último dia 8, a Prefeitura de Olinda anunciou a retomada da obra de alargamento e revestimento do Canal Bultrins-Fragoso, num trecho de quase um quilômetro de extensão. A intervenção custará R$ 14,5 milhões, incluindo o valor de indenizações, e está prevista para ser realizada em 12 meses. Também serão implantadas vias com passeio e ciclofaixa.




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