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Grande Recife não registra chuvas significativas desde outubro, diz Apac

Segundo a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), não chove mais que 5 milímetros por dia desde o dia 20 de outubro deste ano

Publicado em 11/12/2019, às 16h25

A APAC considera significativa a precipitação com mais de 10 milímetros por hora / Foto: Brenda Alcântara/JC Imagem
A APAC considera significativa a precipitação com mais de 10 milímetros por hora
Foto: Brenda Alcântara/JC Imagem
JC Online

"Chover ou não chover, eis a questão". A frase não foi dita em peça alguma do dramaturgo William Shakespeare, mas com certeza qualquer morador do Grande Recife, diante do calor que vem sendo registrado ultimamente, já deve ter se perguntado quando vai ver chuva novamente na região metropolitana. E tal questionamento não é em vão. Desde o dia 20 de outubro de 2019, a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) não registra chuva significativa na região. O órgão considera chuva significativa acima de 10 milímetros por hora.

Apesar do cálculo da Apac, a meteorologista Zilurdes Lopes afirmou que esse número depende de alguns fatores. "Por exemplo, se chover dez milímetros em 30 minutos na região X, o efeito poderá ser diferente caso chova a mesma quantidade, no mesmo período de tempo, na região Y", explicou.

Segundo o órgão, em novembro de 2019 choveu menos que cinco milímetros durante todo o mês, enquanto no mesmo período em 2018, 2017 e 2016, o acumulado do mês chegou a 40 mm, 10 mm, 15 mm, respectivamente. 

Para a Apac, até 20 milímetros por dia, a chuva é considerada fraca. Entre 20 e 40 mm, o nível passa para moderado. Já acima de 40 milímetros, a chuva é considerada forte. Para se ter uma ideia, no dia 13 de junho de 2019, choveu 117 mm durante seis horas apenas no Recife. "Aquela chuva foi fora do normal", comentou a meteorologista. 

Mudanças climáticas

Apesar de os mais íntimos chamarem o Recife de “Hellcife”, uma junção da palavra em inglês hell, que significa inferno em português, com Recife, não há nada atípico do ponto de vista meteorológico para a sensação de calor na região, segundo o meteorologista Roni Guedes. O que acontece é que o globo inteiro está sofrendo com as mudanças climáticas, e isso tem efeitos em cada localidade. 



“Existem vários estudos climáticos que apontam que a tendência é que os verões sejam cada vez mais quentes. Com certeza teremos registros de maiores temperaturas não só em Pernambuco, mas em todo o Brasil”, disse o especialista da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac). 

De acordo com o especialista, as temperaturas no Grande Recife ainda vão aumentar ao longo do mês de dezembro. Neste ano, o maior valor de temperatura registrado na Região Metropolitana foi de 33,8%, um grau acima do ano passado, que obteve 32,8°C de máxima. O valor ainda é inferior ao recorde de temperaturas das cidades litorâneas em 2015, quando a Apac mediu 36,7°C.

Mesmo antes do verão, que se inicia oficialmente em 22 de dezembro, algumas cidades do Sertão pernambucano já registraram as mais altas temperaturas desde que o órgão começou a medi-las, em março de 2010. Na última semana, foram constatados os valores de 40,7°C em Floresta; 39,5°C em Salgueiro, 39,5°C em Cabrobó; 37,3°C em Arcoverde. No Agreste, a cidade de Surubim registrou 36°C. Já no Grande Recife, o recorde ficou por conta de São Lourenço da Mata, com 35°C. 

No Sertão de Pernambuco, as temperaturas máximas ocorrem nos meses de novembro e dezembro, por anteceder o período chuvoso, que inicia em janeiro e vai até abril. “Em novembro, o tempo é mais aberto, com céu claro. Mas a partir de dezembro a quantidade de nuvens começa a aumentar, e os índices de umidade também. Assim, o tempo se torna mais nublado e a temperatura tende a cair”, explicou Roni Guedes. 




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