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Trânsito gentil

Cruzamento da gentileza: simpatia e educação que fazem a diferença no trânsito

Agente de trânsito e limpador de vidros são reconhecidos por encarar o cotidiano com sorrisos estampados nos rostos e serem exemplos de gentileza

Publicado em 30/09/2018, às 08h00

Edvan Gomes e Wellington Lopes fazem do cruzamento da Rua da Aurora com a Avenida Norte um lugar especial / Foto: Sérgio Bernardo e Guga Matos/JC Imagem
Edvan Gomes e Wellington Lopes fazem do cruzamento da Rua da Aurora com a Avenida Norte um lugar especial
Foto: Sérgio Bernardo e Guga Matos/JC Imagem
Caio Campos
Do JC Online

Começar o dia e encarar o trânsito não é uma tarefa fácil. Muitas são as reclamações sobre o tráfego recifense, mas no cruzamento da Rua da Aurora com a Avenida Norte, no bairro de Santo Amaro, área central do Recife, os condutores encontram um diferencial. Ali, há um oásis de gentileza, protagonizado pelo agente de trânsito Edvan Gomes, de 55 anos, e o limpador de vidros Wellington Lopes, de 34 anos.

Sempre com um sorriso no rosto, Edvan Gomes, agente de trânsito há 12 anos, costuma cumprimentar todos que por ele passam, seja dando ‘bom dia’, fazendo um aceno ou ajudando quem precisa atravessar as vias. “Eu fico até surpreso, uma coisa tão simples. Às vezes você dá um bom dia, uma saudação, é uma coisa tão natural. Aos poucos percebi que isso tomou uma proporção cada vez maior, até pensava ‘será que é comigo mesmo?’. As pessoas param, tiram foto e parabenizam. Eu fico muito grato, mas acho que não é pra tanto”, conta o agente ao sorrir sem jeito. “Aqui recebo muita coisa, como manga, água de coco, bolo, café e procuro dividir com os outros, distribuir para pessoas que precisam mais”, acrescenta.

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Edvan acredita que sua motivação vem da educação, considera que ser gentil é algo que sempre traz um retorno. “É muito importante a gente ser bem recebido. Estamos aqui na porta da nossa casa, da nossa prefeitura. Eu fico satisfeito e alegre de receber essas pessoas e é isso que me motiva, causar um bem-estar. Uma vez um rapaz chegou e agradeceu pelo gesto, pela energia e começou a chorar, me abraçou. Eu até me emocionei, porque eu não imaginava essa amplitude de um gesto tão simples”, relembra.

Quem passa pelo cruzamento logo percebe que a reação da população é espontânea e positiva. Quando um semáforo abre, diversas buzinas podem ser ouvidas, mas não de alerta ou irresignação, mas, sim, de agradecimento. O condutor Elias Celestino, de 54 anos, passa todos os dias pela Rua Aurora e não deixa de cumprimentar o agente de trânsito. “A conduta dele é muito boa, ele é muito íntegro no que faz, uma pessoa firme, tem conhecimento daquilo que faz, camarada. Costumo responder sempre e vejo que muitos carros também buzinam, ele é um referencial. A presença dele é muito importante”, afirma.

José Ferreira, de 67 anos, acha o trabalho de Edvan muito bonito e diz que sempre dá um abraço nele, quando passa com sua bicicleta.

Gratidão

Embora o destaque pessoal, Edvan Gomes não esquece dos outros agentes que “estão na luta”. “Existem muitos companheiros que mereciam esse reconhecimento. As pessoas olham com carinho pra mim, e eu sou grato, mas tem gente empenhada em fazer um bom trabalho, colocar esse trânsito que tá meio complicado numa melhor posição, inclusive dentro das repartições, nos setores”, diz o agente.



A Cidade do Recife conta com um total de 500 agentes de trânsito, externos e internos, informa a Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU). Segundo o órgão, vias como a Avenida Agamenon Magalhães e a Avenida Norte contam, cada, com 12 agentes atuando nos principais cruzamentos. 

Dever de ‘pai’

Quando questionado sobre se aplica multas, Edvan se mostra firme no seu posicionamento.

“Fico temeroso quando a gente é visto com muito carinho, porque me sinto como se fosse punir um filho. Mas eu dou multa sim, pois uma conduta errada no trânsito é um perigo. O Código de Trânsito Brasileiro é para preservar a vida. Quando você faz uma determinada irregularidade, isso pode causar um dano que pode chegar a ser fatal. Eu procuro separar as coisas, educar na hora de educar, mas dar a ‘palmada’ quando for preciso. Um avanço de sinal, por exemplo, é criminoso, é um atentado contra a vida dos outros e a do próprio condutor”, pontua.

O agente destaca, ainda, que a educação das crianças é fundamental para um trânsito melhor. “Precisamos de um trabalho frequente nas escolas, pois as crianças podem impedir que os pais cometam alguma irregularidade ao apontar um erro, e elas serão os motoristas melhores no futuro”, sustenta Edvan.


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“A gente só colhe aquilo que planta. Se a gente plantar o bem, colhe o bem”

Quem também está presente no ‘Cruzamento da gentileza’ é o limpador de vidros Wellington Lopes, de 34 anos. Receptivo com todos, Wellington conta que está naquele ponto há mais de 20 anos, sempre alegre. “Minha motivação é viver. Agradeço muito a Deus por ter me dado essa disposição e alegria, porque problema todo mundo tem, se a gente deixar se dominar por isso, não vamos para canto nenhum. Os problemas, como diz no popular, eu pego e boto debaixo do pé. O rico, que é o rico, tem problema e não sabe lidar. A gente que é pobre tem que aprender, porque é todo santo dia. Aqui é outra vida já, é meu pão de cada dia. A gente só colhe aquilo que planta, se a gente plantar o bem, colhe o bem. Eu trabalho desse jeito”.

Wellington fica no cruzamento todos os dias, entre 6h e 8h, momento em que se organiza e segue para sua outra ocupação, oportunidade que conseguiu graças ao seu desempenho no sinal. Ele se distingue por sua abordagem, perguntando se os condutores aceitam a limpeza e agradecendo pela resposta, seja positiva ou negativa, desejando bom dia e bençãos. “Eu comecei próximo ao Shopping Tacaruna, mas lá começaram a ter perturbações, aí vim pra cá e comecei a molhar os carros. Mas aí me aconselharam a chegar pedindo, ao invés de molhar logo. Realmente foi bem melhor’, relatou o rapaz, que no meio da entrevista parou para cumprimentar um condutor que acenou para ele: “Bom dia, meu patrão. Vá com Deus”.

“O ruim desse trabalho é que muita gente discrimina, porque, realmente, a violência está demais e muita gente aproveita, mas termina prejudicando quem quer trabalhar e precisa, um pai de família. Por causa de uns, todos terminam pagando. Mas, até agora, aqui, graças a Deus, só foi alegria”, completa.




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