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OPERAÇÃO OUTLINE

'Foi a completa inversão da lógica da boa engenharia', diz especialista que denunciou obras da BR-101

Segundo Stenio Coentro, da Associação Brasileira de Engenheiros Civis de Pernambuco, trechos que já foram entregues estão apresentando problemas

Publicado em 13/11/2019, às 16h16

Envolvidos em obra da BR-101 foram alvo de operação da PF / Foto: Bruno Campos/JC Imagem
Envolvidos em obra da BR-101 foram alvo de operação da PF
Foto: Bruno Campos/JC Imagem
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Um dos responsáveis por elaborar o relatório inicial que aponta irregularidades nas obras da BR-101 - rodovia que está no centro de investigação de uma operação da Polícia Federal-, deflagrada nesta quarta-feira (13), o engenheiro Stenio Coentro afirmou que, desde o início, o serviço apresentava distorções. Segundo o especialista, o método empregado pelo governo do Estado nunca tinha sido utilizado no Brasil e teve sua eficácia contestada por estudos da Associação Brasileira de Engenheiros Civis de Pernambuco (Abenc-PE), órgão que ele preside.

"Fizemos um documento técnico, denso, profundo, estudado, escutando a opinião de dezenas de colegas engenheiros, em que constatamos que a solução proposta há três anos, não se adequava. Infelizmente, o governo não escutou nossa colocação", afirmou o especialista.

Segundo Stenio, além de ineficaz, o método utilizado pelo governo exigiu mais recurso dos cofres públicos e causou mais transtorno para a população.

"Além de cara, nunca tinha sido testada aqui no Brasil. A solução que indicamos foi substituir as placas quebradas por placas novas. Era uma obra de mais fácil execução, era uma obra que iria gerar menos transtornos para população porque você interdita trechos pequenos e vai fazendo as obras à medida que elas avançam", afirma o especialista.


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Qualidade do asfalto

Segundo o engenheiro, problemas nos trechos já entregues da obra, que ainda está em execução, podem ser, facilmente, observados. "Antes mesmo da entrega, que está ocorrendo agora, estão tendo problemas como o asfalto. Ao dirigir pela rodovia, você sente, claramente, deformações no pavimento, que indica uma má qualidade do asfalto. A qualidade do asfalto é muito ruim. Já podemos notar deformação, trilha de rodas", observou.

Para ele, serão necessárias novas obras para reparar o serviço feito. Isso. Ainda de acordo com o engenheiro, irá levar prejuízo tanto para os cofres públicos, quanto para a população, que sofreria com novas interdições na pista.

Projeto ideal

O serviço aplicado nas obras do contorno da BR-101 não respeitaram a lógica da "boa engenharia", segundo Stenio. Ele afirma que este tipo de ação, que ocorreu na via, vem se popularizando no Brasil e também em Pernambuco.



"Isso ai é a mesma coisa que está acontecendo no Brasil todo, o chamado pregão para obra pública. Tem obras e serviços de engenharia que são licitados através de pregão. Aconteceu recentemente um caso desses no Recife. Uma empresa ofereceu 76% de desconto em uma obra. Como um serviço de R$ 7 milhões iria ser contratado por R$ 2 milhões?", questionou.

"A boa engenharia você tem que fazer estudo, definir a solução técnica adequada, orçar e ai sim você vai para um processo de licitação", finalizou.

PF investiga desvio de recursos em obra na BR-101

A operação "Outline" foi deflagrada na manhã desta quarta-feira (13) pela Polícia Federal (PF). As investigações miram suspeitos de desvios de recursos das obras de requalificação da BR-101, no trecho do Contorno Viário da Região Metropolitana de Recife (RMR).Os agentes cumpriram dez mandados de prisão em bairros do Recife e em Jaboatão dos Guararapes.

Relatórios dos Tribunais de Contas da União (TCU) e do Estado de Pernambuco (TCE-PE) entregues à PF apontam que a obra vem sendo executada com material de baixa qualidade e pouca durabilidade, o que pode estar afetando trechos de rodovias já entregues à circulação, conforme levantamentos fotográficos realizados recentemente.

Ainda de acordo com a PF, apenas um servidor do DER-PE teria atuado como fiscal dos serviços por aproximadamente metade do período das obras, algo considerado incomum para obras como estas. Os policiais disseram ainda que uma empresa que fazia parte do consórcio vencedor da licitação para execução da requalificação de trechos da BR-101 na RRM chegou a atuar como supervisora da obra, após o servidor do DER-PE.

Por meio de nota, o Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Pernambuco (DER) informou que "desde o primeiro momento, a diretoria do órgão disponibilizou o acesso e a documentação solicitada pela Polícia Federal, que cumpriu mandatos de busca e apreensão de documentos relativos a prestação de contas de obras na BR 101."

Ainda segundo o órgão, "as obras da BR - 101 são realizadas em Regime de Contratação Diferenciada, resultante de um termo de compromisso firmado entre o Governo Federal, através do DNIT, e o Governo de Pernambuco, através do DER, em 2017, com percentuais de participação financeira de 20% para o Estado de Pernambuco e 80% do Governo Federal".




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