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Uma via-parque nas Graças

Prefeitura do Recife acata proposta de moradores e substituirá projeto de corredor expresso por uma avenida local com área de lazer

Publicado em 10/06/2015, às 08h03

Vários imóveis ocuparam área pública na margem do rio, dificultando a execução do projeto / Foto: Bernardo Soares/ JC Imagem
Vários imóveis ocuparam área pública na margem do rio, dificultando a execução do projeto
Foto: Bernardo Soares/ JC Imagem
Margarette Andrea
margarettea@gmail.com

Previsto para entrar em obra em agosto de 2014, o trecho da Avenida Beira-Rio entre as Pontes da Capunga, no Derby, e da Torre, no bairro das Graças, Zona Norte do Recife, será reapresentado à Caixa Econômica Federal (CEF), até o próximo mês, com um novo conceito. Em vez de um corredor expresso de quatro faixas, a proposta atual é de uma via com aspecto de parque. São duas faixas, com fluxo para uma ponte ou outra (mas não duplo) voltadas para o tráfego local. A ideia é integrar mais a via ao rio, compartilhando o espaço com ciclovia, mirante e passarela de pedestres – propostas herdadas do Projeto Parque Capibaribe.

O secretário de Infraestrutura e Serviços Urbanos do Recife, Víctor Vieira, explica que as mudanças se deram a partir de conversas com moradores do bairro das Graças, via a associação local. “Eles gostaram muito do conceito do Parque Capibaribe, de uma cidade mais voltada para o rio e deram uma série de contribuições. Junto à Secretaria de Meio Ambiente, estamos concluindo o projeto executivo para ser aprovado pela CEF e até o fim do ano devemos licitar e talvez até iniciar o serviço”, afirma.

Conforme o gestor, os R$ 57,5 milhões assegurados em 2014 para a obra, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), continuam disponíveis. “O valor deve cair um pouco porque reduzimos o número de vias e a proposta tem tudo para ser aprovada, pois além de mais barata, é mais sustentável e inovadora. Várias cidades do mundo estão retirando os veículos das margens dos rios. Na Beira-Rio, avaliamos a possibilidade de trechos serem usados apenas para o lazer, nos finais de semana.”

Na proposta inicial, a prefeitura contabilizava 16 desapropriações. Dois prédios – os Edifícios Príncipe de Provence e Avis Liberta – precisariam de ajustes. No primeiro, a área de lazer ocupou a margem do rio. O outro prédio não só foi construído muito próximo ao leito, mas também murou área nas margens e transformou o local em estacionamento privativo.



O secretário diz não saber, ainda, dimensionar essa questão no projeto atual. “Estamos tentando evitar ao máximo as desapropriações e as interferências na área”, limita-se a explicar. Confirma, apenas, que onde hoje funciona o estacionamento do Centro Universitário Maurício de Nassau, no pé da Ponte da Capunga, será implantada a via. “Aquilo ali é um espaço público”, afirma.

A presidente da Associação dos Moradores das Graças, Lúcia Moura, informa que já está marcada reunião para reapresentação do projeto no próximo dia 18, no Palácio do Bispo, às 19h. “O ideal seria não ter carro nenhum ali. Não aguentamos mais tanto trânsito, mas a mudança atende às necessidades dos moradores, pois é uma obra mais humana”, salienta. Segundo ela, a comunidade aguarda ansiosa a conclusão do processo. “Acertamos isso em maio do ano passado e só agora estamos retomando o contato.”


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Enquanto a Beira-Rio não sai, o trecho próximo à Ponte da Torre é usado como depósito de lixo, estacionamento e abrigo para moradores de rua. Veículos da área “cortam caminho” pela terra batida e reclamam do descaso. “Carroceiros depositam lixo aqui todos os dias, inclusive a pedido de donos de restaurantes. É revoltante”, diz o motofretista Clóvis de Almeida.

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