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Tubarão: julho é o mês com mais ataques. Saiba como evitá-los

Em julho o número de ataques de tubarão aumentam por diversos fatores, como água turva e ondas maiores

Publicado em 18/07/2016, às 10h09

Nos últimos 24 anos, dos 61 incidentes contabilizados em Pernambuco, nove foram em julho / Foto: Diego Nigro/JC Imagem
Nos últimos 24 anos, dos 61 incidentes contabilizados em Pernambuco, nove foram em julho
Foto: Diego Nigro/JC Imagem
Pedro Alves

O mês de julho é o que mais concentra casos de ataques de tubarão no Brasil. Nos últimos 24 anos, dos 61 incidentes contabilizados em Pernambuco, nove foram em julho, segundo dados do Comitê Estadual de Monitoramento dos Incidentes com Tubarões (Cemit), que investiga os ataques no Estado. Essa recorrência não é uma simples coincidência, já que este período concentra uma série de condições naturais que aumentam os riscos nas praias do litoral pernambucano.

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No mês de julho, além de haver uma maior movimentação das praias e litorais, por causa do período de férias, também é marcado por fenômenos climáticos que favorecem a presença dos tubarões em águas mais rasas. Das 61 vítimas de ataque no estado, 32 eram surfistas e 29 eram banhistas. A professora e pesquisadora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Rosangela Lessa, explica que as águas naturalmente turvas desta época aumentam bastante os riscos. “As chuvas mais intensas e frequentes deixam a água do mar mais turva. Além disso, as ondas são mais altas, por causa do vento, que também interferem nas correntes. Com isso, as águas turvas comuns ao mês de julho acabam trazendo os animais para as praias”, explica. “É um conjunto de fatores naturais que tornam a costa pernambucana bastante atraente para algumas espécies de tubarões. As luas cheia e nova, quando a maré tende a ficar mais alta ao amanhecer e entardecer, também aumentam o perigo”, finaliza.

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A última morte por ataque de tubarão em Pernambuco, no dia 22 de julho de 2013, foi da jovem paulista Bruna Silva Gobbi, à época com 18 anos, na praia de Boa Viagem, Zona Sul do Recife. A jovem, que foi atacada por volta das 13h enquanto viajava com a família na capital pernambucana, nadava com a prima a cerca de 20 metros da faixa de areia quando foi mordida pelo animal. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu. As duas jovens sofreram um princípio de afogamento quando chegaram em um dos canais de águas profundas de Boa Viagem e, segundos antes de ser resgatada, Bruna foi atacada por um tubarão, especula-se, da espécie “cabeça-chata”. Veja a cena do ataque a Bruna Gobbi:

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Os números foram registrados pelo Cemit, órgão vinculado à Secretaria de Defesa Social (SDS) que contabiliza os incidentes com tubarão em Pernambuco. De acordo com os dados do órgão, a média de ataques em julho é, pelo menos, 30% maior que a média dos outros meses. Entre os principais motivos para os ataques está a ação humana no habitat natural desses animais, apesar da maioria das espécies viver em águas mais profundas que as da praia de Boa Viagem, por exemplo, que é o local com maior número de ataques em Pernambuco. Desde que os ataques passaram a ser contabilizados, foram 24 incidentes em Boa Viagem. Piedade vem em segundo lugar, com 17 ataques.



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O pesquisador do Departamento de Pesca e Aquicultura da UFRPE, Jonas Rodrigues, explica que o impacto gerado pelas construções que modificam a costa causaram um desequilíbrio ambiental. “Um dos fatores que podem ter desencadeado uma maior incidência de ataques foi a construção, entre 1980 e 1990, do complexo portuário de Suape, ao sul do Recife. Algumas espécies se reproduziam e se alimentavam naquela região, que é bastante especial para a fauna marinha regional. A mudança na dinâmica de espécies com o ‘cabeça-chata’ e o ‘tigre’, que são os mais comuns nessa área, pode ter dado início a uma vivência desregulada”, explicou Jonas.

Chance de ataque de tubarão é de uma em 11,5 milhões

As chances de alguém ser atacado por um tubarão são muito pequenas, de uma em 11,5 milhões. O risco de morte é de uma em 264,1 milhões. Ainda assim, de acordo com Jonas, espécies costeiras que confirmadamente já atacaram humanos na região podem chegar a águas bastante rasas, dependendo da época do ano. “Tubarões da espécie tigre, por exemplo, passam a juventude em águas mais rasas e, quando adultos, vão para áreas mais oceânicas. Ainda assim, eles visitam o litoral com frequência para comer e se reproduzir. O “cabeça-chata”, por sua vez, tem um grande potencial de adaptação e pode sobreviver em água doce. Já houve um caso em que um tubarão desse tipo foi encontrado a quatro mil metros dentro do Rio Amazonas”, comenta.

O presidente do Cemit, Coronel Clóvis Ramalho, explica que o mais importante é seguir as orientações de segurança disponibilizadas pelo órgão. “Nosso efetivo está ativo de domingo a domingo e temos todas as recomendações no site do comitê. Ao todo instalaremos, 110 novas placas de alerta nos próximos dias”, explicou.

DICAS DE COMO EVITAR ATAQUES DE TUBARÃO:

» Evitar entrar na água durante a maré alta

» Não entrar na água acima da cintura

» Não nadar em mar aberto

» Evitar entrar na água no início da manhã e fim da tarde

» Não usar anéis, pulseiras e outros objetos brilhantes que possam chamar a atenção

» Evitar nadar com ferimentos ou algum tipo de sangramento

» Não nadar durante ou logo após a chuva, que deixa a água turva




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