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Carnaval

Carnavais Saudosos: as histórias vistas da janela da Pitombeira

Localizada no coração do Sítio Histórico de Olinda, a sede da Pitombeira guarda histórias dos integrantes e visitantes. Júlio Silva Filho preside a troça há 20 anos

Publicado em 19/01/2018, às 07h04

Presidente da Pitombeira é o último personagem da série Carnavais Saudosos / Foto: Felipe Ribeiro
Presidente da Pitombeira é o último personagem da série Carnavais Saudosos
Foto: Felipe Ribeiro
JC Online

A sede da Troça Pitombeira dos Quatro Cantos é um dos corredores naturais de Olinda para todas as agremiações. Localizado no número 128 da Rua 27 de Janeiro, em pleno coração do Sítio Histórico, o casarão é cenário para momentos do grupo e de quem procura o lugar para sentir de perto como pulsa uma troça tão tradicional da folia pernambucana. Presidente da Pitombeira há 20 anos, Júlio Silva Filho, 60, conta que já viu muita coisa da janela da sede, graças à boa localização e à espontaneidade da folia olindense. Outros episódios aconteceram dentro da casa, principalmente depois que o primeiro andar interno foi construído, há aproximadamente 15 anos.

Quando o imóvel foi adquirido, em 1982, por antigos integrantes, a parte de cima não existia. Mas surgiu a necessidade de erguê-la para guardar material ou costurar fantasias. No entanto, o espaço acabou virando uma espécie de local de recuperação das forças. “Quando alguém está em alto grau etílico, a gente manda lá pra cima. Eu mesmo já cansei de ir. Digo ao povo, ‘vou aqui dois minutos’ e só acordo lá pras tantas. É engraçado, porque a gente reboca o indivíduo e de repente ele acorda e não lembra nem o que aconteceu. Isso é bem comum no Carnaval”, contou Júlio.

O problema é quando não dá tempo de “rebocar” o ser humano alcoolizado. Até o banheiro da sede já serviu de dormitório. Segundo Júlio Filho, numa folia do passado chegou um casal e começou a tomar cerveja. “Acho que já chegaram meio ‘chumbados’, os dois”, relembra. A mulher, disse ele, foi ao banheiro e o cara ficou no salão bebendo e conversando com o pessoal. “Ela demorou a voltar e a gente começou a se preocupar. Alguém foi lá e ela estava sentada na privada dormindo, quase desmaiada. Chamamos o marido, namorado ou noivo, até hoje não sei, e informamos do ocorrido. Ele disse, ‘deixa ela lá dormindo que eu vou ficar aqui me divertindo’. Pense na luta para convencer o camarada a ir buscar a companheira”, recordou Júlio, em meio a gargalhadas.



São histórias comuns durante a folia nas ladeiras, a paixão de Júlio. “O Carnaval de Olinda é muito participativo e dinâmico. Eu costumo dizer que o cara que quer brincar verdadeiramente chega aqui sem um conto de réis no bolso, arruma lugar para dormir, brincar e beber e vai embora sem gastar um tostão.” Para os músicos das troças tradicionais, o principal durante o período é ter fôlego. Sobretudo se uma agremiação encontrar nas ladeiras com a turma rival, ou que pelo menos um dia já experimentou alguma disputa, como no caso da Pitombeira e do Clube Elefante de Olinda.

Rivalidade e brigas

Diretores dos dois grupos afirmam que isso é coisa do passado. Mesmo assim, Júlio diz que se topar com Elefante, atualmente, a missão de decidir a parada é da orquestra. “A gente pede frevo de abafa, pra passar na maior. É um frevo rasgadão, como Vassourinhas. Chama ‘abafa’ porque vai abafar o som da outra orquestra. Aí se vê quais músicos têm mais pulmão para segurar a peteca.” A Pitombeira surgiu em 1947 com um grupo de rapazes fazendo versos embaixo de um pé de pitomba, nos Quatro Cantos, em Olinda. Diz a história que eles saíram pelas ladeiras nus da cintura para cima com galhos de pitomba fazendo canções.




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