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Sobram recursos para monitoramento de tubarões no Grande Recife

Monitoramento em tempo real de tubarões deixou de existir há quatro anos, com a desativação do barco Sinuelo. Estado tem recursos mas não aplica

Publicado em 17/04/2018, às 09h06

Pablo Melo, de 34 anos, foi mordido no último domingo por um tubarão na Praia de Piedade / Bobby Fabisak/JC Imagem
Pablo Melo, de 34 anos, foi mordido no último domingo por um tubarão na Praia de Piedade
Bobby Fabisak/JC Imagem
Da Editoria de Cidades

Não é por falta de recursos que o monitoramento em tempo real de tubarões no litoral do Grande Recife deixou de existir. A Secretaria de Defesa Social (SDS) do Estado reservou R$ 1,24 milhão para apoiar pesquisas na áreas de prevenção e mitigação de incidentes com esses animais em Pernambuco, entre 2015 e 2016. Mas somente R$ 32 mil foram usados em apenas um projeto aprovado pela Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (Facepe).

Pesquisadores lamentam que o trabalho de uma década – de 2004 a 2014 – pelo barco Sinuelo e que envolvia a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), não tenha continuidade.
A importância do acompanhamento dos tubarões no mar pernambucano veio à tona após mais um ataque a banhista. Domingo à tarde, Pablo Diego Inácio de Melo, 34 anos, foi mordido nos braços e nas pernas por um tubarão quando tomava banho de mar perto da Igrejinha de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife. Ele teve uma das pernas amputadas e permanece internado em estado gravíssimo no Hospital da Restauração (HR), no Derby, área central do Recife.

“Lamento profundamente que as pesquisas feitas pelo Sinuelo, da UFRPE, e de educação ambiental por nós do Instituto Oceanário não tenham continuado. Lamento como cidadão, pelas vidas que estão expostas, e como ambientalista, pois fazíamos um trabalho extremamente cuidadoso e lincado com a preservação do meio ambiente”, afirma o presidente do Instituto Oceanário, Alexandre Carvalho.

Os cientistas do Sinuelo capturaram mais de 400 tubarões na costa pernambucana. Os animais recebiam chips e depois eram levados a alto-mar. Passavam a ser rastreados via satélite, em tempo real. Caso voltassem a se aproximar do litoral poderiam ser capturados. “Com a descontinuidade, ficamos com menos entendimento das rotas que os tubarões fazem”, diz o engenheiro de pesca e pesquisador da UFRPE Jonas Rodrigues.



“Mas há outras alternativas em curso. Uma delas é a análise de microelementos químicos das vértebras do tubarão para verificar a trajetória dele, confrontando com os elementos químicos do meio ambiente. Assim dá para ter dimensão das rotas que percorreram e saber se a reprodução é no litoral do Recife ou se a população é local ou migratória”, explica Jonas. A pesquisa faz parte do seu doutorado e deve acabar no próximo ano.

O presidente do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), coronel Leodilson Bastos, refuta as críticas sobre a interrupção das ações do Sinuelo. “A pesquisa teve começo, meio e fim. Foi muito importante para entendermos os tubarões, as características e os locais de ocorrência. Mas acabou”, destaca. “O Cemit realiza ações fundamentais que não podem ser desconsideradas: os Bombeiros no trabalho diário de prevenção na beira-mar, as placas alertando para o perigo dos tubarões e outras iniciativas”, observa o coronel.

Edital

Outro edital para financiar novas pesquisas será lançado pela Facepe, com recursos da SDS, até o fim deste semestre. Amanhã ele se reúne com técnicos da fundação para delimitar as áreas. Não há ainda valor definido para a convocatória. “Se os pesquisadores envolvidos no Sinuelo quiserem concorrer com uma nova pesquisa, tudo bem”, explica coronel Leodilson. Sobre o valor que sobrou do edital de 2015, ele disse que “pesquisadores não se habilitaram ou não foram selecionados porque as pesquisas fugiram do tema proposto pelo Cemit.”

A pesquisa bancada pela Facepe começou em junho do ano passado (estava prevista para o segundo semestre de 2015, mas a verba atrasou). É feita pelo professor da UFRPE Valmir Macário Filho e deve acabar em julho. Ele está desenvolvendo um software para monitorar os banhistas que ultrapassarem as áreas consideradas perigosas, com emissão de alerta caso isso ocorra.


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Comentários

Por Silva,17/04/2018

Isto dos bombeiros ficarem no whatsapp é fato. Realmente já vivárias e várias vezes.

Por Fernando Tavares da Silva,17/04/2018

A respeito dos salva-vidas das praias, vocês deveriam fazer uma reportagem sobre eles.Após a implantação das novas cabines como posto de salva-vidas , tudo estava lindo. Agora a maioria é morada de pombos, pontos de craqueiros e os bombeiros, conversam mais ao celular e olham as garotas na praia do que ficar de olho nos banhistas



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