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Violência

Beijo entre gays em Olinda acaba na delegacia

O casal foi abordado por policiais próximo ao Mercado da Ribeira

Publicado em 12/02/2015, às 00h10

Dupla acusa PM de abordagem truculenta / Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem
Dupla acusa PM de abordagem truculenta
Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem
Do JC Online

Atualizada às 11h21

Um beijo entre o baiano Magno da Costa Paim, 21 anos, e o seu amigo, o paraense Hector Zapata, 22, acabou em confusão na noite desta quarta-feira (11) em Olinda, Região Metropolitana do Recife. O casal foi abordado, por volta das 23h, por policiais nas proximidades do Mercado da Ribeira, onde acompanhavam o Carnaval nas ladeiras de Olinda. Os dois foram levados para a Delegacia de Plantão de Casa Caiada mas, por falta de escrivão, seguiram para a Central de Flagrantes, no Recife. Segundo contam, passaram de vítima a acusados: contra eles foi lavrado um termo circunstanciado de ocorrência (TCO) por atentado violento ao pudor.

Segundo Magno, depois da revista, os policiais se afastaram e a dupla voltou a se beijar. Os policiais então voltaram, perguntaram de onde eles eram e partiram para a agressão. "Deram uma tapa no meu rosto. Perguntaram de onde nós éramos e disseram que, se a gente quisesse se beijar, fosse para a Bahia, porque aqui em Pernambuco não é lugar de veado", contou.

Magno informou que a ação foi feita por quatro policiais. "Estavam com boné laranja e se identificaram inicialmente como policiais do turista. Na Delegacia, mudaram o uniforme e consegui identificar o nome da Rocam", afirmou Magno. "Não fizemos nada demais. Somos amigos e estávamos ficando. O pior é que eles prestaram queixa contra nós, mas na hora de ouvir nossa versão, os policiais da delegacia disseram que nossa ouvida só podia ser feita em Olinda, onde aconteceu o fato. Na hora de ouvir os policiais, não teve problema ser no Recife, mas na nossa vez, não nos ouviram".



Após sair da Central de Flagrantes, a dupla foi ao Insituto de Medicina Legal (IML) para fazer exame de corpo de delito e identificar a agressão. "Não adiantou. O médico apenas olhou pra mim, fez algumas anotações. Não me examinou em nada. Estou com o rosto bastante inchado".

Magno e Hector moram no Rio Grande do Sul e vieram passar o Carnaval em Pernambuco. "Se eu pudesse, voltava para casa hoje mesmo. Não fiz nada demais e nunca passei por um constrangimento desse, em lugar algum. Nos abordaram com muita truculência. Só não volto para casa porque tenho passagem comprada pra depois do Carnaval. Mas deixa uma péssima impressão para Pernambuco", finalizou.

A assessoria de imprensa da Polícia Militar foi procurada para esclarecer o assunto, mas ainda não se pronunciou.




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