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RELATOS

Acusado de assassinar fisioterapeuta era visto como 'homem bom' no bairro onde foi criado

Fama de tranquilo só é posta à prova por um caso de agressão a um morador de Brasília Teimosa

Publicado em 06/04/2017, às 20h06

Loja do acusado de assassinar Mirella, permanece fechada há dois dias, segundo vizinhos / Foto: Diego Nigro/JC Imagem
Loja do acusado de assassinar Mirella, permanece fechada há dois dias, segundo vizinhos
Foto: Diego Nigro/JC Imagem
Lucas Moraes
lmoraes@jc.com.br

Nas ruas estreitas de Brasília Teimosa, na Zona Sul do Recife, as pessoas custam a acreditar que Edvan Luiz da Silva, 32, assassinou brutalmente a fisioterapeuta Tássia Mirella Sena, 28. Em frente à Loja de cosméticos 'Uma Linda Mulher', administrada pelo acusado, o silêncio sobre o caso só não é maior que a certeza da população de que aquele "era um homem bom".

"A Brasília parou", relata uma moradora que não quis se identificar. Ao lado de outras duas mulheres, numa banca de jogos de azar, todas as vizinhas são unânimes sobre o ocorrido. "Ele era muito calmo, nunca se envolveu em nenhuma confusão, pelo menos até onde eu sei", relata uma jovem de 28 anos que se identificou apenas como Geyse.

Das cerca de 10 lojas na principal via do bairro, pelo menos 4 são negócios da família evangélica de Edvan. "A gente fica 'meio assim' para falar porque todo mundo aqui conhece a família dele. Sempre foi educado e aparecia das 6h às 18h para trabalhar no caixa da loja, com a mulher e outra funcionária", conta uma moradora de 59 anos, que acompanhou a inauguração do comércio há cerca de 3 anos.

Caso de agressão

Apesar do receio em falar abertamente sobre o que teria levado o homem discreto a cometer um assassinato, um único morador de Brasília Teimosa conta um episódio de agressão vivenciado por ele. "Todo mundo diz que ele parece calmo, mas é ruim. Ele e a mulher dele. Pelo fato dela não gostar de um serviço por mim prestado, ele deu 4 murros no meu peito e agrediu minha filha de 5 anos, no meio da rua. Chegou inclusive a pegar uma barra de ferro para nos bater, mas não o fez. Minha menina até hoje é traumatizada por isso", desabafa o costureiro com a voz trêmula ao lado de uma criança agarrada a sua boneca.



 

Foto: Diego Nigro/JC Imagem

O homem, que preferiu não revelar o nome por medo de represália, chegou a registrar um Boletim de Ocorrência na Delegacia de Boa Viagem. "Não dei andamento, rasguei o B.O. e decidi seguir minha vida. Vieram me dizer que esquecesse a história, porque eu poderia correr perigo".

Sobre o homicídio, o único vizinho que não via Edvan como uma pessoa calma alerta. "Eu sabia que isso iria acontecer. A máscara dele caiu. Hoje eu estou feliz com a prisão. Apesar da morte da menina, Deus fez Justiça".

Comerciantes parentes do rapaz preferiram se manter distantes do assunto: "Não iremos expor a família por causa dele. Ele é maior de idade, não é?" questiona com a voz esbravejante um irmão de Edvan.




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