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ASSASSINATO

''Deus não queria isso para mim'', diz mãe de fisioterapeuta morta

O velório de Tássia Mirella de Sena, 28 anos, morta na quarta-feira (5) dentro de um flat em Boa Viagem, acontece sob forte comoção em Santo Amaro

Publicado em 06/04/2017, às 10h10

Velória Tássia aconteceu sob forte comoção / Foto: Maria Luísa Ferro/JC
Velória Tássia aconteceu sob forte comoção
Foto: Maria Luísa Ferro/JC
JC Online

Atualizada às 12h15

O enterro da fisioterapeuta Tássia Mirella de Sena Araújo, 28 anos, morta na quarta-feira (5) dentro de um flat em Boa Viagem, aconteceu sob forte comoção no bairro de Santo Amaro, na área central do Recife, na manhã desta quinta-feira (6). Ainda sem acreditar no assassinato brutal, a mãe da vítima, Suely Araújo, pede justiça.  "Eu não aceito a morte da minha filha desse jeito, Deus não queria isso para mim, eu quero justiça. Mirella era uma guerreira e lutava contra a violência contra a mulher. É uma dor muito grande, estou sem forças", afirmou.

A tia da jovem, Solange Cordeiro, criticou a decisão da polícia de não mostrar o rosto do homem quando ele foi detido.  "A gente quer justiça, se fosse filho do juiz ou de alguém de alto escalão, iam dar liberdade a esse homem? A gente vê no jornal todo dia, fulano mata sicrano e mostra o rosto, e ontem sai um monstro desse, porque foi uma brutalidade o que ele fez, de rosto coberto", desabafou.

O comerciante Edvan Luiz, 29 anos, foi autuado em flagrante por homicídio triplamente qualificado pela morte da fisioterapeuta.

Ainda durante o velório, amigos da jovem leram uma carta em homenagem a ela. "O que não podemos esquecer é que queremos justiça. O assassinato de Mirella não pode ficar impune. Precisamos de forma veemente evitar que mais uma Mirella, Maria ou Ana seja morta de forma tão brutal", diz um trecho do texto.

Uma audiência de custódia será realizada no Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano, na Ilha Joana Bezerra, às 12h, para decidir se o homem será preso ou não.

Morte de fisioterapeuta em Boa Viagem

Segundo informações, por volta das 7h, vizinhos ouviram gritos. Mirella, natural de Vitória de Santo Antão, morava em um dos oito apartamentos do 12º andar do prédio desde dezembro do ano passado. Foi o vizinho da porta ao lado que conseguiu ver, pela janela, o corpo da jovem ensanguentado na sala. Ele chamou o síndico e a polícia foi acionada.



As autoridades teriam chegado rapidamente ao local e isolado as entradas. Mirella foi encontrada no chão, sem roupas, com um corte profundo na garganta e ferimentos nas mãos. A perícia constatou sinais de relação sexual, mas não se sabe se ela foi vítima de estupro.

A polícia chegou ao suspeito ao encontrar manchas de sangue na porta do flat. Após várias tentativas de contatá-lo e com a constatação de que ele não havia deixado o prédio, a polícia invadiu o apartamento e encontrou o homem dormindo no quarto. O suspeito é casado e mora no mesmo andar de Mirella. Ele negou envolvimento no crime, afirmando ter cruzado poucas vezes com a vítima no elevador.

De acordo com os peritos, ele estava com arranhões e hematomas pelo corpo. O homem, que trabalha como comerciante da área de cosméticos, justificou dizendo que teria passado a noite fora e se envolvido em briga com um flanelinha, mas caiu em contradição.

A camisa usada pelo comerciante nas imagens gravadas foi encontrada ensanguentada no prédio ao lado da cena do crime, como se tivesse sido jogada pela janela. Às 21h30, peritos o Instituto de Criminalística (IC) estiveram novamente no flat para uma vistoria complementar.

Autoridades, amigos e familiares desconhecem qualquer relação entre o suspeito e Mirella. "Ela não tinha namorado, era muito focada no trabalho", contou a tia Sílvia Cordeiro. A fisioterapeuta trabalhava como representante de produtos farmacêuticos. O delegado responsável pelo caso é Francisco Océlio, do DHPP. O depoimento do homem seria colhido ontem à noite, mas ele se reservou ao direito de ficar em silêncio.




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