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Tragédia

Em briga, marido mata esposa e depois se suicida em Limoeiro

Vizinhança teria ouvido os gritos da mulher pedindo socorro, mas não deu importância por achar que era mais uma das brigas do casal

Publicado em 18/03/2018, às 13h28

Homem suspeitava que a mulher estivesse o traindo / Foto: reprodução
Homem suspeitava que a mulher estivesse o traindo
Foto: reprodução
JC Online

Uma briga entre marido e mulher, motivada por ciúmes, terminou em tragédia na cidade de Limoeiro, no Agreste pernambucano, distante 77 quilômetros do Recife. De acordo com a delegacia municipal, o marchante Cassiano Gonçalves do Vale, 39 anos, matou a esposa e depois suicidou-se usando uma faca-peixeira. O crime aconteceu na residência do casal, no bairro Lagoa Azul (zona urbana), na tarde de sábado (17).

Tatiana Apolônia da Silva, 36, dona de casa, morreu com duas facadas nas costas, além de ferimentos no rosto e nos braços ao tentar se defender. Cassiano Gonçalves cortou a garganta com a mesma arma. “A repercussão foi muito grande, por ser um crime bárbaro e pela forma como o homem se matou”, declara o comissário da Delegacia de Limoeiro, Jadilson Celestino de Barros.
Em depoimento à polícia, vizinhos informaram que o casal vivia em crise e as brigas eram frequentes. “Eles disseram que o marchante já havia comentado algumas vezes que se tivesse mais uma briga ele mataria a esposa e depois se matava”, afirma o comissário. “No sábado, a vizinhança ouviu os gritos de Tatiana Apolônia pedindo socorro, mas não deu importância achando que era mais uma das brigas”, diz ele.



Segundo depoimento de vizinhos, o marchante suspeitava de traição porque a esposa passava muito tempo trocando mensagens no celular pelo WhatsApp. O casal morava no Conjunto Residencial Padre Luiz Cechin com quatro filhos. A mais velha é uma adolescente de 16 anos. Os corpos ainda encontram-se no Instituto de Medicina Legal (IML).

Violência doméstica

Em 2017, a SDS contabilizou 33.188 casos de crimes de violência doméstica e familiar contra mulheres em Pernambuco. O número é 4,3% maior do que em 2016, com 31.466 casos.



Comentários

Por Rodrigo,18/03/2018

"No sábado, a vizinhança ouviu os gritos de Tatiana Apolônia pedindo socorro, mas não deu importância achando que era mais uma das brigas". Por ser mais uma das brigas é que deveria ser dada importância. A mulher morreu em decorrência da insistência da sociedade em acreditar que briga de casal é algo que deve ser visto como comum e a ser resolvido entre 4 paredes. O desfecho é normalmente esse. Pobre da mulher e de seus filhos, vítimas da misoginia predominante no país e da ausência completa do Estado e da sociedade em coibir e denunciar as agressões. Não esperem uma mudança neste país se continuarmos a nos omitir em todas as áreas da vida coletiva, centrados em nossos próprios mundos.



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