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INVESTIGAÇÕES

'Ele dizia que não tinha vida tranquila', relata pai de médico morto

Francisco Ferreira, 79 anos, revela que Denirson pretendia se separar da esposa

Publicado em 09/07/2018, às 08h15

Denirson pretendia se separar da esposa e se mudar para um apartamento que já estava até mobiliado / Foto: Reprodução/Facebook
Denirson pretendia se separar da esposa e se mudar para um apartamento que já estava até mobiliado
Foto: Reprodução/Facebook
JC Online
Com informações dos repórteres Isa Maria, Mariana Barros e Gabriel Dias

Da pequena cidade de Campo Alegre de Lourdes, na Bahia, Francisco Ferreira, 79 anos, acompanha com apreensão e surpresa o desenrolar das investigações do assassinato do seu filho Denirson Paes da Silva. Por causa da idade avançada, membros da família impediram o aposentado de vir a Pernambuco. Por telefone, Francisco conversou com os repórteres Isa Maria, Gabriel Dias e Mariana Barros.

Quando o senhor começou a achar estranho a falta de notícias de Denirson? 

FRANCISCO FERREIRA  – A gente conversava bastante todos os dias, tínhamos o costume de usar o Facebook e o WhatsApp. A nossa última conversa acredito que ocorreu dia 29 ou 30 de maio. Percebi que ele não curtia mais, não emitia opinião, não compartilhava nada. Depois de uns quatro dias, passei uma mensagem perguntando se ele estava viajando, devido à ausência dele. A essa pergunta não tive resposta.

 

Chegou a perguntar à nora se tinha notícias dele? 

FRANCISCO – Transcorreu uns dez, onze dias, minha filha que mora em Petrolina me ligou e disse que ia para o Recife porque Jussara estava em desespero e pediu a companhia dela. Contou que Denirson ia viajar para Miami no dia 2 e voltaria no dia 10. Chegou dia 10, não apareceu, dia 11, não apareceu. Quando minha filha chegou e conversamos novamente, ouvi o choro de Jussara. Passou o telefone para a esposa dele, aí me contou que eles tinham programado uma viagem a Miami. Depois, Jussara falou que não poderia ir porque Danilo tinha adoecido. Segundo ela, ele tinha decidido viajar só. Quando se aproximou o dia da viagem, bem cedo, Denirson passou a chave do carro e um cartão de crédito para Jussara usar até o fim do mês com limite de R$ 5 mil. Ele iria a um hotel próximo ao aeroporto e pegaria um taxi.



Os dias se passaram sem notícias dele. Até que alguém aconselhou Jussara a fazer um Boletim de Ocorrência (B.O). Ela até relutou, disse que não era bom fazer B.O porque ele era um médico influente na cidade, poderia repercutir mal. Mas o filho menor de idade disse: não, mãe, se você não fizer o B.O, eu faço. Então, resolveu registar o B.O. Quando a polícia entrou no caso investigou os dois filhos, foi no aeroporto e confirmou que Denirson não viajou. Jussara foi junto com minha filha a um apartamento que ele tinha comprado, já estava mobiliado. Lá, encontraram a valise de trabalho dele que tinha uma quantia em reais, outra quantia em dólar e o passaporte dele.

 

 

Como era o relacionamento de Denirson e Jussara. Ele pretendia se separar dela?

FRANCISCO – Algumas vezes, ele se queixava. Ele dizia, a vida é um pouco difícil porque eu trabalho tanto, tenho uma casa em um local muito bom, mas quando chego em casa eu não encontro esse conforto porque sou muito cobrado. Na verdade, ele dizia que não tinha uma vida tranquila. Estava aborrecido e pretendendo se separar. Já tinha comprado um apartamento, já tinha mobiliado e dispensou um jardineiro que trabalhava na casa em Aldeia. Ele disse, ó, rapaz, não quero mais seus serviços porque estou me separando, vou morar em meu apartamento. E lá eu não preciso de jardineiro. Se ela quiser que você continue, aí é com ela. Outra coisa que Denirson reclamava era que eles (Jussara e o filho) eram mais festeiros. E ele não podia ir para as festas em decorrência do trabalho.

 

O senhor acredita que sua nora e seu neto mataram Denirson? 

FERREIRA – As evidências são tão claras. Eu não vou dizer que tenho absoluta certeza, mas tenho plena convicção que só pode ter sido. Não sei se eles praticaram o crime ou se foram os mentores intelectuais. Eles tiveram que retirar uma tampa de um poço que existe lá para ocultar o cadáver. Eu acho um serviço pesado para os dois fazerem. Na minha ideia, eles devem ter contratado o serviço de um terceiro para executar o crime. Quero afirmar como intuição que eu tenho como pai. A gente nunca pensa em uma possibilidade dessa. Atrito entre casal é muito natural.

 


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Comentários

Por clovis correia neto,09/07/2018

tomara que não seja mais um caso onde vão condenar as pessoas sem evidências...

Por Rolaintu,09/07/2018

LULA LIVRE ! BOLSONARO JÁ PERDEU ! LULA NÃO CONCORRENDO VAMOS UNIR A ESQUERDA GERAL E LEVAR NOVAMENTE ! kkkkkkkkkkkkkkkkk

Por roberto de oliveira,09/07/2018

Não se pode condenar ninguém, antes de finalizar o inquérito.

Por roberta carla maciel de araujo,09/07/2018

EU TENHO CERTEZAQUE A JUSTICA VAI SER JUSTA COM ESTES DOIS MOSTROS,POIS ESTES ASSACINOS MERECEM MORREREM NA CADEIA POR TANTA RUINDADE QUE FIZERAM AO PROPIO PAI E AO PROPIO MARIDO ELA E ELE SAO DOIS CANALHAS COVARDES. CONFIO NA JUSTICA DE DEUS E A DO HOMEM.

Por Luiz Félix de Freitas Silva,09/07/2018

Miseráveis! assassinos covardes e cruéis! Que sofram terrivelmente no presídio. Que sejam torturados psicologicamente por longos dias e sigam o caminho das trevas. Que paguem de forma trágica pelo crime cometido. Que ardam nas fornalhas incandescentes do inferno. Jussara e o outro criminoso são verdadeiros monstros e filhos de satanás. Vermes asquerosos e escórias da sociedade. Gentalha miserável.



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