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Feminícidio

Colisão que matou mulher na Boa Vista foi proposital, diz Polícia Civil

O suspeito, ex-companheiro da vítima, foi indiciado por homicídio doloso duplamente qualificado (motivo torpe e feminicídio); ele está preso desde 17 de novembro

Publicado em 28/11/2018, às 12h43

O acidente aconteceu em 4 de novembro  / Foto: Divulgação/Polícia Civil
O acidente aconteceu em 4 de novembro
Foto: Divulgação/Polícia Civil
JC Online

A Polícia Civil divulgou, na manhã desta quarta-feira (28), a conclusão do inquérito sobre a morte de Patrícia Cristina Araújo Wanderley, de 47 anos, em 4 de novembro. O ex-companheiro da vítima, Guilherme José Lira dos Santos, 47, foi preso e indiciado por homicídio doloso duplamente qualificado (motivo torpe e feminicídio) por ter causado propositalmente o acidente que tirou a vida de mulher.

O delegado Diego Acioli, responsável pelo caso, afirmou que, inicialmente, o acidente estava sendo tratado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, mas o rumo das investigações mudou após o depoimento de testemunhas que não acreditavam que a morte de Patrícia teria sido causada por um simples acidente de trânsito.

"Depois dos exames, os peritos atestaram que a condição da via estava de excelente trafegabilidade, não existia movimento e não houve marca de frenagem no asfalto. A perícia demonstra que ele teve a intenção de jogar o veículo na árvore", contou o delegado.

O chefe do Núcleo de Perícia do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Diego Costa, informou que a perícia focou mais nas questões da velocidade e trajetória, além das condições mecânicas do veículo.

"O veículo saiu em direção retilínea, focado na árvore. Tem uma pequena mudança de trajetória para direcionar a árvore. Não houve nenhum tipo de modificação de trajeto do veículo que pudesse ter sido ocasionado por algum agente externo", revela Diego Costa. "Fica claro que o direcionamento é exclusivo para o lado da Patrícia e que o veículo bateu acelerado. Não houve tentativa de reduzir a velocidade do veículo. Na verdade, teve um acionamento do acelerador para que andasse mais rápido", finalizou.



A denúncia foi encaminhada para o Ministério Público nessa terça-feira (27). 

O caso

De acordo com as informações da Polícia Civil, Patrícia se encontrou ex-marido no prédio dos pais dela, na Avenida Conde da Boa Vista, na área central do Recife, para buscar os filhos do casal, que tinha passado o final de semana com o pai. Ao ser pressionada pelos filhos, a vítima decidiu conversar com Guilherme e os dois saíram do edifício.

O carro do casal estava em alta velocidade e colidiu contra uma árvore na Rua Fernandes Vieira. Patrícia estava sem cinto de segurança e morreu no local do acidente. O suspeito sofreu ferimentos leves e foi levado para um hospital particular. O veículo ficou parcialmente destruído.

Segundo a polícia, testemunhas afirmaram que Patrícia temia pela própria vida e pela vida de Guilherme, que aparentava ser instável. Ela também estaria sendo perseguida e sofrendo diversos abusos psicológicos por parte dele. Os depoimentos levaram a polícia a acreditar que o carro tenha sido utilizado como mecanismo para causar o homicídio.

Eles estavam separados há seis meses e estavam tentando reatar o relacionamento há três, segundo o suspeito. 

Suspeito nega

De acordo com a Polícia Civil, Guilherme negou que tenha provocado o acidente. Ele disse que tinha perdido o controle do carro devido a um meio-fio. No entanto, imagens obtidas pela polícia contradizem o relato do suspeito. "Em nenhum momento a imagem mostra que houve essa passagem pelo meio-fio", disse Diego Acioly. 

Guilherme também afirmou que Patrícia não puxou o volante e não causou a colisão, mas confirmou que discutiu com a ex-companheira, que tinha sido uma briga normal entre casais. 




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