Jornal do Commercio
VIOLÊNCIA

Mulher escreveu nome com sangue para dizer que marido tentou matá-la

Na manhã desta quinta-feira (24), a Polícia Civil deu detalhes da prisão em flagrante do suspeito. Caso aconteceu em Carpina

Publicado em 24/01/2019, às 16h47

A delegada Bárbara Fort deu detalhes sobre o caso em entrevista coletiva / Foto: Reprodução de vídeo/Divulgação/PCPE
A delegada Bárbara Fort deu detalhes sobre o caso em entrevista coletiva
Foto: Reprodução de vídeo/Divulgação/PCPE
JC Online

Uma mulher sofreu uma tentativa de feminicídio na última quarta-feira (23). Elaine Maria de Santana foi alvejada com um tiro na cabeça dentro da própria casa, em Carpina, Mata Norte de Pernambuco. O marido dela, o segurança Evaldo Andrade Silva, a levou para uma unidade mista de saúde no município. Lá, funcionários acionaram a Polícia Militar (PM) e a Polícia Civil.

Evaldo foi preso em flagrante por ter disparado no alto da cabeça da vítima. A Delegacia de Carpina investiga se o crime foi uma tentativa de execução.

Elaine está internada no Hospital da Restauração (HR), bairro do Derby, área central do Recife. Ela permanece em estado grave.

Em coletiva na manhã desta quinta-feira (24), a delegada Bárbara Fort, à frente do caso, deu detalhes da ocorrência. “Depois que a polícia foi acionada, uma equipe da Civil foi ao hospital conversar com familiares da vítima, outra, da PM, foi até a residência do casal”, explicou Fort.

Elaine foi encontrada em estado grave, sem poder falar. “Ela falou conosco utilizando gestos”, explicou a delegada. Ao ser questionada sobre quem havia atirado na cabeça dela, a vítima, teria escrito o nome do marido, Evaldo, na maca onde estava, com o próprio sangue. “Ela estava sangrando muito, em um situação muito tensa”, relatou Bárbara Fort. Segundo a polícia, antes de escrever o nome do companheiro, a mulher confirmou com um sinal de positivo que era o marido o autor do disparo.

Funcionários do hospital disseram à polícia que ao levar a mulher à unidade de saúde, o companheiro da vítima disse, em um primeiro momento, que ela havia caído e batido a cabeça. “Ele disse que pediu socorro aos vizinhos dizendo que ela tinha levado uma queda. Depois, mudou a versão dizendo que ela havia tentado suicídio, e finalmente disse que se tratou de um tiro acidental”, complementou a delegada.



“Chegando ao hospital, ele disse novamente que ela havia caído. Depois falou do tiro acidenta. Na delegacia, ele confessou que tinha entrado em luta corporal com ela, sem dizer quem havia disparado a arma”, relatou Fort.

“Um homem frio”

A delegada descreveu Evaldo como um homem frio. “Ele falou conosco tentando demonstrar um remorso que não parecia verdadeiro”, assinalou Fort. “É um homem frio. Foi uma prisão de grande relevância para a sociedade e para o município de Carpina”, completou.

A arma apreendida com o suspeito, um revólver calibre 38, era ilegal. “Ele não tinha porte nem posse da arma de fogo”, afirmou Fort. Ele usaria o armamento para trabalhar, já que é segurança.

Evaldo foi encontrado pelos policiais dentro de um carro, junto com um amigo - Davi Israel Pereira da Silva - e dois filhos de Elaine. Davi também foi autuado pela polícia. “A princípio, pensamos que ele poderia ter ajudado de alguma forma no crime, mas não encontramos indícios disso”, explicou a delegada. O outro suspeito também vai responder por posse ilegal de arma de fogo. Os filhos são de outro relacionamento da mãe, sem parentesco com Evaldo.

Os dois presos foram encaminhados à audiência de custódia.

Relacionamentos conturbados

Vizinhos do casal relataram à polícia brigas constantes entre a vítima e o suspeito. “Eles ouviam muitos gritos, mas não havia nenhuma denúncia de agressão registrada, seja feita por ela, seja por vizinhos”, disse a delegada. Elaine tem histórico de pelo menos outro registro de violência sofrida por um companheiro. “Havia um outro Boletim de Ocorrência, sobre outra agressão sofrida por Elaine, em um relacionamento anterior”, concluiu Bárbara Fort.


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Comentários

Por Ricardo Jorge dá Silva,25/01/2019

bom dia a todos.estou estudando para a prova da prf,e a criminalidade contra a mulher tem aumentado.Feminicídio é uma palavra nova para uma prática antiga, uma vez que mulheres morrem de formas trágicas todos os dias no Brasil: são espancadas, estranguladas, agredidas brutalmente até o momento em que perdem a vida. A palavra feminicídio passou a ser usada para designar um crime no Brasil a partir de 2015, pois existe nele uma particularidadeFeminicídio é uma palavra que define o homicídio de mulheres como crime hediondo quando envolve menosprezo ou discriminação à condição de mulher e violência doméstica e familiar. A lei define feminicídio como “o assassinato de uma mulher cometido por razões da condição de sexo feminino” e a pena prevista para o homicídio qualificado é de reclusão de 12 a 30 anos.Um terço dos homicídios de mulheres no mundo – 35% – são cometidos por seus companheiros, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, enquanto 5% dos assassinatos de homens são cometidos por suas parceiras,onde o art.121,define o homicidio no cp,foi alterado e teve o feminicidio incluso como tipo penal qualificador.a lei da posse,tem que rever esse codigo,pois todas tem que ter a posse para a proteçao familiar,mais e as brigas entre casais,onde parceiros atiram em suas parceiras.ai, bolsonaro veja essa lei,e faça uma sindicancia entre parceiros,pois ha muitas brigas onde a lei nao tem conhecimento,e mulheres ameaçadas por homens, que pensam que e a lei.



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