Jornal do Commercio
INVESTIGAÇÃO

Polícia Civil monta Unidade Móvel em hospital para atender vítimas de ‘agulhadas’

Peritos pretendem identificar supostos agressores por meio de retratos falados

Publicado em 07/03/2019, às 16h05

Pelo menos 108 pessoas já foram ao Hospital Correia Picanço por terem sido vítimas de agulhadas no carnaval / Foto: Bruno Campos/TV Jornal
Pelo menos 108 pessoas já foram ao Hospital Correia Picanço por terem sido vítimas de agulhadas no carnaval
Foto: Bruno Campos/TV Jornal
JC Online
Atualizada às 16h37

A Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) instalou uma Unidade Móvel (UM) no Hospital Correia Picanço, na Tamarineira, Zona Norte do Recife, nesta quinta-feira (7). No local, ficarão disponíveis peritos papiloscopistas para confeccionar retratos falados do autor ou autores das supostas agulhadas durante o Carnaval, que levaram mais de 100 pessoas a procurar atendimento contra infecção do vírus HIV.

O chefe da corporação, delegado Joselito Amaral, foi ao local na tarde desta quinta. Ele afirmou que a polícia tomou conhecimento do caso através da imprensa. “Abrimos um inquérito sobre o caso, mas de lá para cá não houve nenhum registro de ocorrência”, contou.

Os investigadores pretendem identificar e tomar por termo os relatos dos pacientes que foram à unidade de saúde para se prevenir das consequências dos supostos ataques. “É de extrema relevância que as vítimas participem. Sabemos de possíveis constrangimentos em relatar casos como esse, mas é importante que trabalhemos juntos”, pediu Amaral. 

A Polícia Civil quer que as vítimas procurem as delegacias de forma voluntária, para que se registrem as ocorrências. Cada Boletim de Ocorrência vai gerar um inquérito próprio para a investigação do caso. “As vítimas citam e descrevem pessoas diferentes, mas oficialmente não há registro”, relatou o delegado.

O chefe da PCPE relembrou um caso semelhante. “Ano passado, no São João em Campina Grande, na Paraíba, houve relatos de ataques com agulhas e bisturis, mas é a primeira vez que se ouve falar de algo assim em Pernambuco”, recordou.

O crime de expor a vida de outras pessoas a risco por transmissão de doença grave é previsto no artigo 131 do Código Penal Brasileiro. A pena é de reclusão em regime fechado, de até quatro anos. A polícia não descarta a hipótese do cometimento de crimes ainda mais graves nas agressões.



Estrutura

A polícia pretende manter a estrutura da Unidade Móvel até quando “for necessário”, segundo Amaral. “Dependendo do retrato falado, podemos fazer um paralelos das informações e traçar o perfil de um suspeito ou vários perfis”, explicou.

Apesar de pelo menos 108 pacientes procurarem o hospital para o tratamento contra infecção por conta das supostas agulhadas, apenas um inquérito foi registrado pela Polícia Civil. “Essa investigação foi aberta pela delegacia da Rio Branco (centro do Recife), com base no relato de uma das vítimas à imprensa. É importante que o registro das vítimas também sejam feito junto à polícia. Pretendemos atuar com todo o sigilo”, reforçou Amaral.

Relato de vítima

A reportagem do Jornal do Commercio conversou com uma mulher, cuja identidade será preservada, que contou como foi o ataque que ela sofreu. "Na hora eu comecei a me sentir mal, aí pedi para o meu namorado me retirar do local. Senti como se tivesse levado uma queimadura de cigarro (no braço). Quando olhei, tava a marca muito feia", relatou.

A vítima continua: "Cheguei em casa, limpei o ferimento. Aí viria para cá (o Hospital Correia Picanço), mas não tinha ninguém para me trazer. Por isso, esperei até o dia de hoje para vir. Tive febre depois de duas horas do ocorrido, ontem à noite, e hoje de manhã tive diarreia", disse.

"Olhando as marcas no meu braço, parece que foram duas (agulhadas), no mesmo local, uma atrás da outra, mas não vi ninguém. No local onde eu estava tem câmeras de monitoramento", falou. A vítima afirmou que chegou por volta das 15h ao hospital. Contudo, por conta da demanda, o atendimento dela está previsto para as 21h, ou para a sexta-feira (8). "Eu vou esperar, porque tenho medo", concluiu.





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