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VIOLÊNCIA

Moradores de Aldeia relatam clima de insegurança e medo

A morte do empresário Mário Gouveia, na última terça-feira, traz à tona uma rotina de assaltos e invasões à residências

Publicado em 24/04/2019, às 08h00

Perigo vai além das ruas mal iluminadas do bairro / Foto: Bobby Fabisak/ JC Imagem
Perigo vai além das ruas mal iluminadas do bairro
Foto: Bobby Fabisak/ JC Imagem
AMANDA RAINHERI
amanda_rainheri@hotmail.com

O cenário bucólico e tranquilo que atrai moradores ao bairro de Aldeia, localizado principalmente entre o Recife e Camaragibe, na Região Metropolitana da capital, em nada combina com a sensação de insegurança que se instaurou na região. E o perigo, bem sabem os residentes, não vive somente à espreita nas ruas mal iluminadas ou nas estradas sem asfalto. Ele aumentou após a saída da sede da 3ª Companhia da Polícia Militar do bairro, no início do ano, deixando desprotegidas mais de 20 mil pessoas em uma das áreas mais abastadas do Grande Recife e da Zona da Mata pernambucana. Na madrugada de ontem, a violência fez novas vítimas. O empresário Mário Cavalcanti Gouveia Junior, 78 anos, foi assassinado dentro de casa, no quilômetro 17 da Estrada de Aldeia, no município de Paudalho, Mata Norte, durante investida criminosa. Em março, uma família foi feita refém também na própria residência, em Camaragibe. Nessa época, uma loteria foi assaltada, próximo ao quilômetro 11, no mesmo município. Coincidência ou não, os casos ocorreram após a desativação da companhia.

Os suspeitos levaram o cofre e armas de fogo da coleção do empresário Mário Gouveia, proprietário do parque aquático Águas Finas. Há cerca de dois meses, outra casa, localizada a 10 quilômetros dali, também foi invadida, à procura de armamento. O engenheiro dono do imóvel teve 20 armas, algumas datadas da 2ª Guerra Mundial, roubadas. Outro empresário, que preferiu não se identificar, viveu momentos de terror na madrugada de 17 de março, quando cinco suspeitos invadiram a residência onde mora com a família, em Camaragibe. No momento do crime, seis pessoas dormiam no local, entre elas duas crianças, de sete e 11 anos. Segundo o comerciante, dono da casa, os suspeitos pularam o muro e foram para o interior da residência, em busca de armas e de um cofre com dinheiro. “Eles estavam o tempo todo ameaçando. Queriam dinheiro, arma e o cofre. Eu não tenho nem cofre nem arma.”

“Existe um sentimento grande de insegurança, que é nítido e presente nos grupos de Whatsapp de moradores. Os últimos eventos aconteceram com pessoas bastante conhecidas”, conta Herbert Tejo, presidente do Fórum Socioambiental de Aldeia, entidade da sociedade civil. A organização foi responsável por intermediar encontros entre poder público, empresários e sociedade, para debater a situação da sede da 3ª Companhia da PM.

O posto policial funcionava em uma residência alugada no quilômetro 10 da PE-27 (Estrada de Aldeia). As instalações eram fruto de um convênio entre o governo do Estado e a Prefeitura de Camaragibe. Ao município, cabia o aluguel da sede, mas a inadimplência levou ao fim do contrato. Assim, desde o início do ano não existe posto policial no bairro, dentro do limite de Camaragibe, um dos trechos mais habitados. “Não podemos dizer com certeza que existe uma relação de causa e efeito, mas coincidentemente, tivemos uma série de eventos após a saída da companhia. A lotérica assaltada, por coincidência, fica em frente ao local onde ela funcionava”, pondera Tejo.



Sem apoio do poder público, a entidade resolveu agir por conta própria: foi atrás de empresários que ajudassem a financiar o projeto de uma nova sede. A Prefeitura de Camaragibe chegou a doar um terreno, no Parque Municipal Aldeia dos Camarás. “Mas o prefeito assinou um decreto em seguida, devolvendo o terreno a um suposto dono. Tínhamos conseguido até mesmo uma parte da verba para a construção, através de emenda parlamentar”, lamenta Herbert. O grupo tenta buscar alternativas para erguer uma sede permanente. Outro pleito é a inclusão das 24 câmeras de segurança instaladas por eles ao longo da Estrada de Aldeia na Central de Videomonitoramento do governo. O projeto Olho em Aldeia, desenvolvido pela entidade civil, ainda vai instalar mais 72 câmeras, totalizando 96 equipamentos, em 28 postes.

RESPOSTA

Em nota, a Secretaria de Defesa Social (SDS) informou que o fechamento da unidade não trouxe prejuízo para a segurança. “O local era usado para serviços administrativos do 20º BPM e a saída não comprometeu o policiamento. Pelo contrário, o trabalho foi reforçado com viaturas e motocicletas que atuam fazendo rondas, além do recobrimento do GATI e o efetivo de contrarresposta. A Delegacia de Camaragibe também tem trabalhado intensamente”, diz um trecho do comunicado.

O governo do Estado afirma ainda que houve queda nas ocorrências registradas em Aldeia. No primeiro trimestre de 2019, foram 38 roubos, contra 90 no mesmo período do ano passado, uma redução de 58%. “A diminuição superou a média de 21% de todo o município (Camaragibe). Medidas adotadas no âmbito do município são fundamentais para aumentar a tranquilidade dos moradores”, diz a nota.

A Prefeitura de Paudalho informou que existe um projeto de iluminação para a PE-27, no trecho de Aldeia que pertence ao município. O documento está em fase final e vai seguir nos próximos dias para a Celpe. A partir daí, o órgão terá um mês para a aprovação e o projeto seguirá para licitação. A Prefeitura de Camaragibe foi procurada e questionada sobre a inadimplência que levou à perda da sede da 3ª Cia da PM e sobre as medidas tomadas pela gestão para melhorar a segurança no trecho de Aldeia, mas, até o fechamento desta edição, não atendeu à demanda.



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