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NOVA DESCOBERTA

Suspeitos de ferir jovem com ácido sulfúrico são indiciados por tentativa de feminicídio

A delegada Bruna Falcão, responsável pelo caso, entendeu que ex-companheiro teve intenção de matar a vítima

Publicado em 12/07/2019, às 20h44

A jovem foi atingida pela substância no bairro de Nova Descoberta, em 4 de julho / Foto: Bruno Campos/TV Jornal
A jovem foi atingida pela substância no bairro de Nova Descoberta, em 4 de julho
Foto: Bruno Campos/TV Jornal
JC Online
Atualizada às 20h56

Os dois homens suspeitos de segurar e jogar ácido sulfúrico no rosto de uma jovem de 19 anos, no último dia 4, em Nova Descoberta, Zona Norte do Recife, foram indiciados nesta sexta-feira (12) por tentativa de feminicídio. A delegada Bruna Falcão, responsável pelo caso, entendeu que William Cesar dos Santos Junior, que era agente de saúde, teve intenção de matar a ex-companheira Mayara Estefanny Araújo com a substância química. Para isso, segundo a polícia, contou com a ajuda do amigo Paulo Henrique Vieira dos Santos, que teria segurado a mulher. 

A investigação chegou a ser conduzida como um caso de lesão corporal grave, já que o ex-companheiro teria dito que queria apenas “dar um susto” na vítima. No entanto, as evidências e o depoimento de Paulo mudaram a interpretação das autoridades. A polícia descobriu que a substância foi comprada no dia 29 de junho em um estabelecimento comercial. De acordo com a polícia, no dia anterior, William esteve no mesmo local e comprou ácido clorídrico, popularmente conhecido como ácido muriático. “Para nós, é um indicativo de que ele pesquisou e voltou no dia seguinte para comprar o ácido que realmente teria o potencial de tirar a vida de Mayara”, explicou a delegada.

Segundo a polícia, na noite do crime, Paulo esperou por Mayara em uma escadaria, enquanto William preparava a substância que seria jogada na ex-companheira. O agente de saúde teria despejado quase o conteúdo inteiro da garrafa de ácido sulfúrico dentro de um pote, o que, para as autoridades, sugere que ele queria atingir Mayara com uma grande quantidade da substância corrosiva.
Em uma perícia inicial, foram constatadas lesões nas pernas e nas costas de Paulo. Para a dinâmica imaginada pela polícia, parecia estranho que o suspeito não tivesse marcas nos braços. “Entrei em contato com a direção do Cotel, onde ele está, e pedi que fosse verificado o estado do suspeito. A direção disse que Paulo tinha escaras escuras nos braços, que não foram vistas inicialmente. O IML (Instituto de Medicina Legal) realizou, então uma perícia complementar, que constatou que aslesões eram naturais da evolução de uma queimadura por produto químico. Inicialmente, elas haviam sido camufladas pela tatuagem que o suspeito tinha na região”, explicou a delegada.



Com a nova informação, a delegada reinqueriu Paulo. “Ele, então, mudou sua versão e disse que sabia o que William queria fazer e concordou em participar. Ele contou que William não aceitava o fim do relacionamento, que queria ter mais acesso ao filho deles e que preferia ver Mayara morta do que com outro homem”, relatou a delegada.

Descumprimento de medida protetiva

Os dois foram indiciados por feminicídio tentado, com outras duas qualificadoras: meio cruel e emboscada. William ainda foi indiciado por descumprimento de medida protetiva de urgência (que Mayara já tinha contra ele) e Paulo também responderá pelo crime de desobediência, já que não obedeceu à voz de prisão que lhe foi dada. “Também concluímos o inquérito que a vítima registrou na Delegacia da Mulher no dia 13 de maio e ele responderá por injúria, ameaças e vias de fato.”




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