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Morre no HR jovem atacada com ácido sulfúrico pelo ex-companheiro

Crime ocorreu no dia 4 de julho no bairro de Nova Descoberta e foi causado pelo ex-companheiro da vítima e por um amigo dele

Publicado em 26/07/2019, às 07h30

Mayara Estefanny Araújo estava internada no Hospital da Restauração desde o crime / Foto: Reprodução / Facebook
Mayara Estefanny Araújo estava internada no Hospital da Restauração desde o crime
Foto: Reprodução / Facebook
JC Online

Morreu, na noite desta quinta-feira (25), a jovem que foi atacada por ácido sulfúrico pelo ex-companheiro, William César dos Santos Junior, de 30 anos, e por um amigo dele, Paulo Henrique Vieira dos Santos, de 23 anos, no dia 4 de julho no bairro de Nova Descoberta, Zona Norte do Recife. Mayara Estefanny Araújo, de 19 anos, estava internada no Hospital da Restauração desde o crime.

Segundo parentes, o sepultamento será nesta sexta-feira, no município de Limoeiro.

Causa da morte

De acordo com Fátima Buarque, médica diretora da UTI de adultos da Restauração, o falecimento foi uma surpresa para ela e toda a equipe. “‘Ela vinha tendo uma evolução muito boa, foi uma fatalidade”, disse.

A médica relata a rotina da paciente na última quinta-feira (25). ‘Ela foi levada pelo Dr. Marcos para fazer a limpeza diária do corpo, quando viu que ela mostrava uma boa revitalização dos tecidos e sugeriu que uma traqueostomia fosse feita”. Ela completa dizendo que não houve complicações no procedimento e que esta não foi a causa de sua morte.

Em torno das 18h, Mayara teve uma primeira parada cardíaca e foi reanimada. Outras duas se seguiram e, na última, ela não resistiu.

Fátima relata que a paciente, constantemente, comunicava que queria arrancar os fios presos ao seu corpo. “Sua agitação pode ter sido causada pela condição clínica ou por ver a situação que estava passando’.

Tentativa de feminicídio 

A delegada responsável pelo caso, Bruna Falcão, entendeu que o ex-marido teve a intenção de matar a jovem contando com a ajuda do amigo e, por isso, os dois foram indiciados por feminicídio, com outras duas qualificadoras: meio cruel e emboscada.



Denúncias da vítima contra o suspeito

Antes de ter ácido sulfúrico atirado contra o seu corpo, a vítima registrou três boletins de ocorrência contra o ex-companheiro. O primeiro, em 13 de maio, quando ela foi física e verbalmente agredida por ele. Na ocasião, foi solicitada uma medida protetiva, mas o acusado não foi localizado e não recebeu a notificação da medida.

Em 23 de maio, ela voltou à delegacia para registrar o segundo boletim de ocorrência. Desta vez, ele havia enviado para a irmã dela um vídeo de conteúdo violento, relacionado ao assassinato de uma mulher e dizendo que não faria isso com ela apenas por ser mãe do filho dele.

O episódio que resultou no terceiro boletim de ocorrência teve início com uma briga entre a vítima e a atual mulher do suspeito. A duas trocaram agressões em uma parada de ônibus. A vítima contou o acontecido para a mãe do suspeito, ele revoltou-se com a atitude dela (em envolver a mãe dele), afirmando que a ex-companheira iria pagar. "A mãe dele respondeu dizendo que se ele fosse fazer algo contra a ex-companheira, teria de fazer contra ela também porque antes de ser mãe dele ela era mulher também e não admitia aquele tipo de violência", detalhou a delegada.

Em 1º de junho, a vítima registrou o terceiro boletim de ocorrência. Apenas em 5 de junho, a notificação de medida protetiva foi entregue ao suspeito. Pai tinha acesso ao filho "Ele insiste na versão de que não é verdade que ele não se conformava com o fim do relacionamento, inclusive alega que havia voltado a viver com a sua esposa e que por isso não havia revolta dele na posição dela de não querer mais se relacionar. Isso tudo tem se desmentido pelas testemunhas que ouvimos. A própria mãe do suspeito foi escutada na unidade policial e disse que o acesso ao filho do casal era permitido pela ex-mulher dele sempre, então essa versão também não se sustenta", explicou a delegada.

#UmaPorUma

A violência contra a mulher é constante e frequentemente acaba em tragédia. Existe uma história para contar por trás de cada feminicídio, em Pernambuco. O especial Uma por uma contou todas. Em 2018, o projeto mapeou onde as mataram, as motivações do crime, acompanharam a investigação e cobraram a punição dos culpados. Um banco de dados virtual, com os perfis de vítimas e agressores, além dos trágicos relatos que extrapolam a fotografia da cena do crime. Confira o especial Uma por Uma AQUI.




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