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SENTENÇA

Caso Aldeia: Jussara Rodrigues é condenada a 19 anos e 8 meses de prisão

Jussara foi condenada pela morte marido, o médico Denirson Paes da Silva

Publicado em 05/11/2019, às 13h29

O médico Denirson Paes da Silva (à esq), Jussara Rodrigues e Danilo Paes (à dir), filho mais velho do casal  / Foto: Reprodução
O médico Denirson Paes da Silva (à esq), Jussara Rodrigues e Danilo Paes (à dir), filho mais velho do casal
Foto: Reprodução
JC Online

Atualizada às 15h26

Na tarde desta terça-feira (5), saiu a sentença de Jussara Rodrigues da Silva Paes. Ela foi condenada a 19 anos e 8 meses de reclusão, em regime fechado, por homicídio triplamente qualificado e a ocultação de cadáver do médico Denirson Paes da Silva, em Aldeia, em julho de 2018. O julgamento de Jussara Rodrigues teve início nessa segunda-feira (4). 

Durante o julgamento, que teve início nessa segunda-feira (4), Jussara alegou que cometeu o crime sozinha e em legítima defesa porque foi agredida e ameaçada por Denirson com uma chave de fenda. Ela ainda relatou discussões por questões de pagamentos domésticos da vítima e pela descoberta de uma amante do médico. 

Foram ouvidas cinco testemunhas de acusação, incluindo o perito Diogo Henrique Leal de Oliveira Costa, que participou da reprodução simulada do crime, arroladas pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Segundo o perito criminal Fernando Henrique Leal Benevides, que também foi uma das testemunhas, a morte do médico ocorreu por estrangulamento. Em seguida, aconteceu o esquartejamento do corpo e ocultação de pedaços do corpo na cacimba da casa do casal, em Aldeia. 

Também participou como testemunha a ex-empregada doméstica do casal, Josefa da Conceição dos Santos. Ela disse que presenciou algumas discussões verbais por questões domésticas financeiras. O filho mais novo do casal, Daniel Paes Rodrigues, disse que não avaliava mais os pais como casal, apesar de conviverem juntos.

Para o assistente de acusação, Carlos André Dantas, a condenação foi satisfatória. “A condenação atendeu ao pedido da acusação. O Conselho de Sentença entendeu todo o trabalho que foi realizado desde a investigação criminal”, comentou. “Tudo isso foi um reconhecimento da verdade”, completou Dantas. 

O advogado da defesa, Rafael Nunes, alegou que, durante a fase de instrução, uma das testemunhas da defesa, amiga de infância de Jussara Rodrigues foi comprada pela acusação. “Essa testemunha poderia provar toda a violência que Jussara sofria. Ela fugiu com os filhos quando eram menores para a casa dela”, comentou. Segundo ele, a testemunha nada falou durante a fase de instrução. “Ela só ‘arrodeava’. A defesa questionava e não vinha a resposta que sabíamos qual era”, disse Nunes. Segundo ele, a defesa recebeu a decisão do Conselho de Sentença “com muita revolta”. “O fato é que os jurados saíram de casa para condenar. O que ficou demonstrado pela defesa no plenário é incontestável”, disse. 

Questionado sobre a testemunha comprada, o assistente de acusação disse que considera como uma ‘calúnia’. “Eu fiz um requerimento na ata do tribunal do júri para que houvesse o pedido de encaminhamento de diligência para a delegacia para apurar o fato. O advogado precisa provar. No plenário nós somos livres para alegarmos e defendermos a nossa tese, mas tem o limite ético. Nesse caso, eu pedi o encaminhamento da diligência para que seja apurado e seja provado”, rebateu Carlos André Dantas. 



Julgamento

O julgamento de Jussara Rodrigues da Silva teve início nessa segunda-feira (4) no Fórum de Camaragibe, Região Metropolitana do Recife (RMR), e a previsão era de que durasse quatro dias. No entanto, a sentença saiu no início na tarde desta terça-feira (5). 

Foram apresentadas fotos da reprodução simulada, que mostraram momentos em que Jussara teria imobilizado a vítima. Ela foi interrogada durante três horas. 

Relembre o caso 

O corpo do médico foi encontrado esquartejado na casa da família, em Aldeia, em julho de 2018. Nove dias após desenterrar do fundo do poço os primeiros pedaços dos membros inferiores, seguidos de partes dos superiores, a polícia encerrou as buscas, ao localizar – em uma profundidade superior a 25 metros – cabeça e tórax.

Apesar da Polícia Civil ter apontado no inquérito os dois como os autores do crime, Jussara confessou, no dia 3 de setembro, ter assassinado e esquartejado o marido sozinha. A motivação teria sido a descoberta de um caso que o médico tinha.

Segundo o inquérito policial, apresentado no dia 30 de agosto, o médico foi esganado ainda na cama e carregado do quarto do até um corredor próximo ao quiosque, onde foram dadas pancadas que afundaram o seu crânio. A partir daí, começou o esquartejamento. Com um serrote, a coluna de Denirson foi cortada em duas partes, e o corpo foi dividido em pedaços. Segundo o exame tanatoscópico, houve ainda a tentativa de carbonizar os restos mortais do médico num local próximo a cacimba. A carbonização não foi concluída.

De acordo com peritos, Jussara teria ido em dois locais para comprar material de construção e para pegar uma pessoa que a auxiliou na quebra da casinha. Mesmo sem saber do assassinato, esta pessoa teria ajudado Jussara na ocultação do cadáver- colocando os entulhos da casinha na cacimba onde os restos mortais do médico foram encontrados. “É precoce eu falar se daria para ela fazer sozinha o ato. Mas utilizamos um indivíduo que se aproxima em altura e peso com o Denirson para tentarmos fazer o fato o mais equiparado possível com o que aconteceu e conseguimos tirar algumas dúvidas, e somar com coisas já confirmadas”, destacou o perito Fernando Benevides.

Entrevista exclusiva




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