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VIOLÊNCIA

Da tragédia de 2017 à redução dos homicídios. O que mudou em Pernambuco

Para reduzir assassinatos, governo precisou investir forte em segurança

Publicado em 17/12/2019, às 09h22

Meta é fazer de 2020 ano menos violento da história / Foto: Jailton Junior/JC Imagem
Meta é fazer de 2020 ano menos violento da história
Foto: Jailton Junior/JC Imagem
Felipe Vieira
fvieira@jc.com.br

Ainda faltam pouco menos de duas semanas para o final do ano, e a projeção do governo do Estado é de que sejam registrados cerca de 3.400 homicídios em 2019, como anunciado pela gestão na manhã desta terça-feira (17), na Escola Aníbal Fernandes, em Santo Amaro, área central do Recife. O número coloca Pernambuco próximo do melhor ano da série histórica do Pacto pela Vida (iniciada em 2007): 2013, que teve 3.100 mortes violentas intencionais. A meta - declarada - do governo é fazer com que com que 2020 seja o melhor da série.

De acordo com o governo do Estado, novembro de 2019 marcou o 24º consecutivo de redução no número de homicídios em Pernambuco. A comparação é entre os 24 meses que vão de dezembro de 2017 e novembro de 2019 com o mesmo período entre dezembro de 2015 e novembro de 2017. Em números absolutos, segundo contabiliza a Secretaria de Defesa Social (SDS), foram 2.115 vidas salvas no período. Como a presença do Estado ainda é muito sentida em pontos vulneráveis, com políticas preventivas, o governo também assinou, na manhã desta terça-feira, convênios com a Central Única de Favelas (Cufa) e Onu-Habitat, para programas educativos, artísticos e urbanísticos.


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Para anunciar uma curva consistente de redução, no entanto, o governo precisou girar a chave no primeiro semestre de 2017,quando o combate à criminalidade se encontrava praticamente à deriva. Naquele ano, os índices já se anunciavam altos - acabaram terminando com o recorde de 5.428 assassinatos.

No intuito de evitar uma tragédia ainda maior no ano seguinte - que marcaria a campanha pela reeleição do governador Paulo Câmara (PSB) -, foi preciso abrir o cofre. Em abril de 2017, o governo lançou o Plano Estadual de Segurança Pública, que gerou investimentos de R$ 270 milhões.

 

Foram inaugurados  batalhões e companhias para a Polícia Militar (algumas especializadas como Bope e Biesp), além de delegacias de Polícia Civil, com destaque para as nove unidades de combate ao narcotráfico. Foi criada uma força-tarefa para combate a roubos a bancos, que aterrorizaram o Estado em 2017 e 2018. De acordo com a SDS, apenas em 2019, o orçamento destinado para a segurança pública foi de R$ 4,7 bilhões, o maior até então já registrado.

Parcerias com o governo federal - mesmo com bandeiras político-ideológicas diferentes - também foram importantes. Durante o governo Michel Temer, o então ministro da segurança, Raul Jungmann, liberou recursos de R$ 77 milhões para as obras do presídio de Itaquitinga e para a construção de unidades do Compaz.



Foto: Arquivo/JC Imagem

Nestes quase doze meses de gestão Jair Bolsonaro, apesar das escaramuças políticas no andar de cima (governador e presidente já trocaram farpas públicas), no primeiro escalão o cachimbo é do da paz. O ministro da Justiça, Sergio Moro, já esteve duas vezes no Estado: uma em maio para treinamento de delegados no combate à corrupção e outra em outubro para acompanhar o andamento do projeto Em Frente Brasil, em Paulista. O município da RMR foi o único do Nordeste a ser escolhido para o programa piloto de combate e prevenção à criminalidade. O governo federal também comemora queda de 23% nos homicídios no País.

Foto: Agência Brasil

SANTO AMARO

O governo do Estado espera fechar o ano com uma taxa de 34 homicídios por grupo de 100 mil habitantes. A título de comparação, em 2017, pior ano da história do Pacto pela Vida, com 5.428 assassinatos, o índice foi de 57. "A atual taxa de resolução de homicídios está perto de 60% dos casos. Quando iniciou esse período contabilizado (dezembro de 2015), era de 30%", comenta o secretário Antônio de Pádua. Entre 2018 e 2019 as ocorrências de apreensão envolvendo tráfico de drogas aumentaram 24,1%, enquanto as de armas de fogo, 9,9%. "Como 70% dos crimes têm alguma relação com o universo do tráfico, a redução também passa por essas ações", afirma o gestor.

Escolhido para o anúncio do governo do Estado sobre a redução de homicídios pelo 24º mês seguido, o bairro de Santo Amaro, na área central do Recife, já foi conhecido por ser um dos mais violentos da capital. Por muitos anos foi palco de uma guerra entre gangues de traficantes - entre quadrilhas do bairro e da comunidade de João de Barros. No início dos anos 2000, era palco de atuação dos gêmeos Bruno Teixeira de Oliveira e Thiago Teixeira de Oliveira, conhecidos como "Terror de Santo Amaro". Mais recentemente, o traficante Jurandir Francisco Xavier Junior, o Junior Box, foi o criminoso mais notório do bairro. Junior Box está preso desde 2009 por tráfico e homicídio. Atualmente, cumpre pena em um presídio federal cuja localização não foi revelada pelo governo.

Não à toa, o governo escolheu o bairro para implementar ações de Pacto pela Vida quando o programa foi concebido, em 2007. Um ano antes, em 2006, tinham ocorrido 72 assassinatos no bairro. Um total de 59 homicídios foi registrado em 2007, caindo para 31 em 2008.

Santo Amaro tem 27,9 mil habitantes, distribuídos em uma área de 380 hectares. O bairro é delimitado pela Avenida Agamenon Magalhães e o Rio Capibaribe, pelos lados, e, nas extremidades, pelo limite com o município de Olinda e com a Avenida João de Barros e Rua Princesa Isabel. A renda média mensal de R$ 1,8 mil por domicílio

 

 


 
 
 
 
 
 




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