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Domingo de atividades culturais e shows de Karina Buhr e Siba no Cais José Estelita

Milhares de pessoas participaram do movimento Ocupe Estelita contra o projeto Novo Recife na forma como foi concebido

Publicado em 01/06/2014, às 18h25

 / Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
Do JC Online

Atualizado às 22h52

Milhares de pessoas de todas as idades estiveram neste domingo no terreno da antiga RFFSA, participando dos eventos de apoio ao movimento Ocupe Estelita. Os ativistas do movimento estão acampados no local desde o último dia 21. Eles protestam contra a implantação na área do Projeto Novo Recife, que prevê a construção de um complexo imobiliário no terreno instalado ao longo do Cais José Estelita, no Centro da capital. O público participou de vários eventos culturais, ao longo do dia. Entre as atrações estavam shows de artistas como Karina Buhr e Siba. Os dois adotaram a bandeira da revisão do projeto aprovado pela Prefeitura do Recife para aquele local.

“Vim de São Paulo porque eu apoio o movimento. Tem um monte de outros projetos que são melhores, que podem trazer a convivência entre o espaço público e o privado”, disse Karina, antes de sua apresentação no início da noite. Enquanto o som era tocado do lado de fora do terreno ocupado, na parte de dentro os visitantes podiam conferir uma série de atividades culturais e artísticas, como exposição de fotos, brechó, apresentação de grupo de maracatu e palestras de professores universitários que apoiam o movimento. Muitos pais levaram os filhos, que brincavam entre as barracas de camping e as rodas de música.

 

“A gente está muito feliz com tudo isso. Representa a adesão popular à causa e mostra que esse espaço tem vocação natural para receber as pessoas, para o uso coletivo. Mostra que o movimento não acontece apenas na internet e que há a ocupação na vida real também”, considerou Chico Ludermir, integrante de um dos grupos que fazem parte do Ocupe Estelita.

Ludermir também destacou a adesão de professores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) à causa. “Já tivemos palestras de professores como Paulo Cunha, que falou sobre cinema, além de exibição de filmes em outras noites. Outros participantes deram aulas de arquitetura e urbanismo”, detalhou.



Antônio Paulo Rezende, professor do Departamento de História da UFPE, foi um deles. “Participei no sábado de um bate-papo. Eu acho que há muito entusiasmo em relação ao movimento. Ele trouxe um novo olhar sobre a questão dos problemas urbanos.”

Vários artistas pernambucanos estiveram no palco improvisado, que foi montado pelo projeto Som na Rural, organizado pelo produtor cultural Roger de Renor. Os organizadores do movimento calculam que cerca de 5 mil pessoas estiveram no local. Toda a extensão do cais ficou ocupada por veículos, além do espaço sob o viaduto Capitão Temudo.Oficinas de matro ginástica e de reciclagem; rodas de diálogo sobre comunicação e trabalho informal; programação infantil com feira de livros e contação de história; intervenções de grafitagem e do projeto Praias do Capibaribe; e shows de Siba, Karina Buhr e Cannibal, estão entre algumas das muitas atividades que ocorrem neste domingo (1°) no Cais José Estelita, na área central do Recife.

AUDIÊNCIA PÚBLICA - A professora da Faculdade de Direito da UFPE e ativista do Grupo Direitos Urbanos Liana Cirne Lins disse que vai protocolar, nesta segunda-feira, junto à Prefeitura do Recife, um pedido para aumentar o número de representantes do movimento Ocupe Estelita no encontro com o prefeito Geraldo Julio marcado para esta terça-feira. Na semana passada, segundo ela, ficou acertado que o chefe do executivo municipal iria receber três representantes da causa. “Não é legítimo que o prefeito receba apenas três pessoas. É necessário ampliar o número, pois o nosso movimento é plural”, disse.

Além dos representantes do Ocupe Estelita, ela pede a presença do Ministério Público Federal, do Ministério Público Estadual e também do Centro Dom Hélder Câmara (Cendhec) e do Fórum Estadual de Reforma Urbana (Feru). “Estamos confiantes de que seremos atendidos, pois acreditamos que o prefeito quer negociar e não fazer um simulacro”, disse.

Liana afirmou que não avalia que haverá tentativa de reintegração de posse do terreno hoje. Na semana passada, a Justiça determinou a desocupação da área invadida no Cais José Estelita. “Hoje teremos reunião com a Secretaria de Defesa Social e com a Secretaria de Direitos Humanos para discutir como vai se dar uma eventual reintegração”, disse. A ativista informou que o movimento entrou com recurso contra a ordem de desocupação. Ela defende que a decisão foi concedida de forma ilegal, pois não teria atendido aos trâmites processuais normais.


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O Consórcio Novo Recife emitiu uma nota na tarde deste domingo sobre o projeto. Confira a íntegra:

O Projeto Novo Recife integra um novo eixo de desenvolvimento econômico e social para a cidade, que começa na bacia do Pina e vai até o centro histórico da cidade no Porto Digital. Olhando com a perspectiva de futuro, o empreendimento vai gerar novos espaços urbanos para a cidade, como a construção de um parque de 90 000 metros quadrados, o equivalente a área de 22 campos de futebol. Também serão criados empregos diretos e indiretos durante um período de mais de três anos e após a sua conclusão. Além disso, o Novo recife vai permitir aos moradores e turistas que chegam à cidade ter melhor acesso a área histórica, em especial o Forte das Cinco Pontas e a Igreja da Matriz de São José, que será restaurada e reaberta à população.

As empresas que estão à frente do empreendimento sempre se mostraram receptivas a qualquer observação sobre o projeto. Argumentos sóbrios e estruturados nunca deixaram de ser considerados. Foi o que aconteceu quando
a atual gestão do prefeito Geraldo Julio solicitou mudanças para beneficiar ainda mais os moradores da cidade. Dessa forma, o Novo Recife ampliou as ações mitigadoras, como a implantação do parque , ciclovia, pista de cooper, quadras poliesportivas, biblioteca pública e preservação e restauração de 28 galpões da antiga Rede Ferroviária.

Em parte deles será construído um Centro Cultural. Além disso, o Novo Recife vai possibilitar a integração do Forte das Cinco Pontas ao parque, pois será derrubado o viaduto das Cinco Pontas. Em seu lugar será construído um túnel. Todos esses custos serão bancados pela iniciativa privada, sem nenhum ônus para o poder público.

Como já foi ressaltado, o Novo Recife está aberto ao diálogo, mas não pode permitir que sejam feitos ataques de natureza pessoal contra seus executivos e qualquer pessoa na cidade que declare seu apoio ao projeto. Além disso, os críticos do projeto precisam entender a existência de uma ordem jurídica e legal que deve ser respeitada. A Justiça de Pernambuco já se posicionou favorável à reintegração de posse, as autoridades entendem que o momento é de diálogo, o Novo Recife esta aberto a qualquer conversa madura sobre este tema.




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