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Petrolina

O amor de Carina e Fredson: Lampião e Maria Bonita como cupidos

Casal de conheceu pelo Facebook. Uma obra dela, inspirada no cangaço, foi quem atraiu o engenheiro Fredson

Publicado em 19/12/2015, às 14h28

Carina e Fredson. Unidos pela arte e admiração ao tema do cangaço. / Fotos: Cortesia
Carina e Fredson. Unidos pela arte e admiração ao tema do cangaço.
Fotos: Cortesia
Kelly Cora Macedo
Especial para o JC

 A paixão pelas artes plásticas e pela trajetória do cangaceiro de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, reuniu um casal de jovens pernambucanos que estavam bem distantes. Ela no Sertão, ele em São Paulo. A afinidade artística virou romance. E logo passaram a dividir o mesmo teto e a labuta na produção do artesanato que se tornou o cupido da relação. 

Carina Lacerda, 38, é natural da região do Araripe e há pouco mais de 20 anos mudou-se para Petrolina com o objetivo de estudar e trabalhar na terra da fruticultura. A economia criativa do artesanato em barro e madeira lhe chamou a atenção. Ela, que é instrumentadora cirúrgica do Hospital Universitário da Univasf, cursou Artes Visuais na mesma instituição de ensino superior. Desde criança já havia percebido seu tino para as artes, começou como pintora até se apaixonar pela escultura. “Sempre ia à Oficina do Artesão Mestre Quincas ver as peças dos artistas da região”, comenta. 

Há onze anos, através de amigos, conheceu a oficina. Enfrentou olhares tortos do público masculino que já trabalhavam no espaço. Com muita ousadia e dedicação, a jovem conquistou seu espaço. “Hoje sou a única mulher com seu cantinho fixo na oficina e tenho conquistado o respeito de todos”, assegura.

Distante do Nordeste, em São Paulo, estava o engenheiro de produção Fredson Adjar Lima, natural de Custódia, que foi para a capital paulista estudar e trabalhar. Fissurado em artes plásticas, conheceu a arte de Carina através do Facebook de um amigo em comum. O que lhe chamou mais a atenção foram as obras em madeira, com o tema que sempre gostou: o cangaço. 



Fredson logo percebeu a sensibilidade da artesã a partir de um desenho da moça em nanquim retratando Maria Bonita. Depois de meses se correspondendo apenas pelas redes sociais, o casal finalmente se encontrou em frente ao Masp, em São Paulo. Ela estava lá para uma bienal junto com a turma da universidade.

“Foram três dias grudados um no outro, até o ônibus que levava a comitiva de estudantes quebrou para que a despedida fosse adiada”, lembra Carina. No final do mesmo ano, Fredson Adjar resolveu se mudar para Petrolina e construir uma família com Carina, que já tinha a filha Sofia, hoje com 11 anos, fruto de outra relação. No começo, a ideia dele era continuar com a profissão de engenheiro de produção. 

Só que arte lhe pregou surpresas. A dona do seu coração foi também sua orientadora no ofício de transformar madeira em artesanato. Ele não tinha muita experiência com a matéria prima e já na primeira peça deu forma a um casal de cangaceiros. A mulher percebeu de imediato o talento do aluno. “Em seis meses, ele já fez inúmeras esculturas e chegou a me ultrapassar em produção”, conta Carina.

Os dois diversificaram a temática das, abordando fauna e flora. Junto com a arte, a família cresceu. A primeira filha do casal, Safira, nasceu em outubro deste ano. A menina dorme em um berço de madeira assinado pelos Pais. “Primeiro a arte mudou minha vida, depois veio Carina que mudou minha vida e minha arte de viver”, derrama-se Fredson sem esconder a admiração que tem pelo amada.

 

A arte de Carina e Fredson

Escultura inspirada no cangaço e os dois em ação. A arte os uniu.




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