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Saúde

Teste reforça ligação da zika à microcefalia

Exames foram realizados em duas grávidas na Paraíba que esperam bebês com a anomalia

Publicado em 18/11/2015, às 05h44

Diagnóstico de microcefalia pode ser dado durante ultrassonografia realizada na gestação / Diego Nigro/JC Imagem
Diagnóstico de microcefalia pode ser dado durante ultrassonografia realizada na gestação
Diego Nigro/JC Imagem
Cinthya Leite

Depois de terem recebido, durante ultrassonagrafia, a informação de que esperam bebês com microcefalia (tamanho da cabeça menor que o normal para a idade), duas gestantes do interior da Paraíba passaram pela amniocentese – um exame invasivo em que uma amostra do líquido amniótico (aquele que envolve o feto durante seu desenvolvimento) é retirada do útero e examinada em laboratório. Ontem a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que participa das investigações para identificar as causas do avanço dessa anomalia congênita no Brasil, notificou que o Laboratório de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz constatou a presença do genoma do vírus zika em amostras de líquido amniótico de ambas as gestantes. 

“Foi feita essa pesquisa intraútero há uma semana”, diz a médica Adriana Melo, de Campina Grande, especialista em medicina fetal. Ela conta que as duas mulheres, que estão na 30ª semana de gestação, relataram presença de exantema (erupção cutânea com pontos vermelhos) na gravidez. O sintoma é uma das características da zika – doença identificada em 14 Estados brasileiros este ano e transmitida pelo mesmo vetor da dengue, o Aedes aegypti.

O diretor de vigilância de doenças transmissíveis no Ministério da Saúde (MS), Cláudio Maierovitch, informou ontem ser “altamente provável” a correlação entre o aumento incomum no número de casos de microcefalia com uma possível infecção das gestantes pelo vírus da zika. “Não é esperado que exista vírus zika em nenhum tecido do corpo humano. Isso mostra uma infecção aguda, que passou para o feto”, disse Maierovitch, ressaltando o caráter inusitado desse evento, já que não havia relatos anteriores de relação entre zika e malformação congênita de qualquer espécie. “Não está comprovado, mas é uma relação provável. Cientistas devem nos ajudar a mostrar relação de causa e efeito.”



O maior número de casos de recém-nascidos com microcefalia está em Pernambuco. Das 399 notificações no Brasil este ano (147 foram registradas em 2014), 268 se concentram em 79 municípios do Estado, que passou por uma epidemia de zika no primeiro semestre deste ano, segundo o médico Carlos Brito, pesquisador colaborador do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco. Ele acredita que, dos 117 mil casos de dengue notificados este ano em Pernambuco, 80% sejam, na realidade, de zika, cuja confirmação só é feita pelo Instituto Evandro Chagas, no Pará. No Brasil, ainda não há sorologia disponível comercialmente para realização em massa dos testes de zika vírus. 

“Para considerar 80%, usamos como parâmetro um estudo de base hospitalar que investigou cerca de 1,1 mil pacientes atendidos, nos cinco primeiros meses deste ano, na emergência de um hospital particular da capital pernambucana. Desse total, 81% preencheram critérios clínicos de zika, com destaque para manchas na pele, ausência de febre ou febre menor que 38 graus, vermelhidão ocular, inchaço e dor nas articulações”, diz Carlos Brito.

O pesquisador reforça que a possível infecção das gestantes pelo vírus da zika tem despontado como responsável pelo avanço da microcefalia por vários motivos, especialmente porque as infecções congênitas (toxoplasmose, rubéola e citomegalovírus), geralmente relacionadas à anomalia, não estão ligadas a um aumento inesperado de recém-nascidos com microcefalia. “Além disso, observamos taxa alta de dispersão de casos de forma simultânea no Brasil, o que sugere um fenômeno causado por arboviroses, doenças transmitidas por mosquito. Outro detalhe é que cerca de 70% das mães relataram exantema”, explica Carlos Brito. O pesquisador acrescenta que dificilmente se pensa em dengue como causa porque estudos já mostram que a doença não está associada a malformações congênitas. 




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