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SAÚDE

Microcefalia traz ansiedade e incertezas

Chefe do Setor de Infectologia Pediátrica do Oswaldo Cruz afirma que Estado precisa organizar uma rede multiprofissional para acompanhar de forma contínua crianças com anomalia

Publicado em 19/11/2015, às 06h44

Casal de Manari saiu do Sertão em busca de apoio para o bebê de dois meses / Ricardo B. Labastier/JC Imagem
Casal de Manari saiu do Sertão em busca de apoio para o bebê de dois meses
Ricardo B. Labastier/JC Imagem
Cinthya Leite

Teoricamente a quarta-feira não é dia de o Ambulatório de Infectologia Pediátrica do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc) oferecer atendimento aos bebês com microcefalia (tamanho da cabeça menor que o normal para a idade). O acolhimento é feito todos os dias da semana, exceto às quartas. Ontem (18), no entanto, cinco famílias foram à unidade de saúde, com seus bebês diagnosticados com essa malformação, sem agendar consulta. No ambulatório, também chegaram duas gestantes que receberam a informação, durante realização de ultrassonografia, de que o filho que esperam apresenta a anomalia.

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“Apesar de fazermos a marcação das consultas, não podemos deixar de atender as famílias que vêm de forma espontânea, sem encaminhamento dos serviços de origem. Outro detalhe é que, apesar de o ambulatório não ser referência para acompanhar as gestantes, muitas vêm até a unidade para tirar dúvidas. O momento tem sido de estresse para elas”, informa a chefe do Setor de Infectologia Pediátrica do Huoc, Ângela Rocha, que percebe limitações nesse cenário atual de mudança no padrão de ocorrência da microcefalia. “Às vezes, vem um sentimento de impotência em nós, médicos”, diz Ângela, referindo-se às incertezas relacionadas a possíveis causas do avanço da anomalia congênita e consequências que a malformação pode trazer para o bebê.

“No ambulatório, já vivenciamos surtos de cólera e momentos de alerta em relação ao H1N1 (vírus da influenza), mas não se comparam à situação que vivemos hoje com a microcefalia. É uma experiência inusitada em saúde pública, que gera uma situação delicada. Tudo isso faz a gente se envolver emocionalmente com os casos que temos acompanhado”, salienta Ângela. A médica também vê o avanço da microcefalia como um problema social que requer agilidade das autoridades públicas de saúde. “O Estado precisa estar preparado para dar acompanhamento contínuo a essas crianças. É preciso organizar uma rede multiprofissional de acolhimento.” 



Microcefalia: Respostas para dúvidas

O bebê do casal José Genésio Oliveira, 37 anos, e Joseana da Silva, 19, é um dos que precisam desse suporte. O diagnóstico de microcefalia foi dado logo após o nascimento, há dois meses. “Fiz o pré-natal, mas os médicos não perceberam problemas nos exames”, conta Joseana, que mora em Manari, município do Sertão de Pernambuco. “Agora quero dar o melhor de mim para cuidar do meu filho”, conta José Genésio.

No início da gestação, Joseana conta que apresentou manchas avermelhadas na pele, um dos sintomas da zika – doença identificada em 14 Estados brasileiros este ano e transmitida pelo mesmo vetor da dengue, o Aedes aegypti. Na terça-feira (17), o Ministério da Saúde informou ser “altamente provável” a correlação entre o aumento incomum dos casos de microcefalia com uma possível infecção das gestantes pelo vírus da zika, embora ainda não seja possível comprovar essa ligação.




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