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SAÚDE

Zika é associada a três mortes em Pernambuco

Pela primeira vez, o Estado registra oficialmente as três primeiras mortes com resultados laboratoriais positivos para zika que não foram de bebês com síndrome congênita relacionada ao vírus ou microcefalia

Publicado em 04/01/2017, às 18h32

Em 2016, houve 380 óbitos notificados por arboviroses em Pernambuco  / Alexandre Gondim/JC Imagem
Em 2016, houve 380 óbitos notificados por arboviroses em Pernambuco
Alexandre Gondim/JC Imagem
Cinthya Leite

Pela primeira vez, Pernambuco registra oficialmente as três primeiras mortes com resultados laboratoriais positivos para zika que não foram de bebês com síndrome congênita relacionada ao vírus ou microcefalia. No último boletim de 2016 da Secretaria Estadual de Saúde (SES), aparecem dois óbitos positivos para zika e também para chicungunha – ou seja, as vítimas apresentavam os dois vírus: uma faleceu aos 16 anos, em fevereiro; a outra, aos 91 anos, em abril. O Brasil já confirmou laboratorialmente, em 2016, mais três óbitos por vírus zika, mas em outros Estados: no Maranhão, no Pará e no Rio Grande do Norte.

O boletim da SES destaca também o primeiro óbito cujo exame positivou para zika num bebê com dois meses, mas que não apresentava sinais de zika congênita ou microcefalia. “Provavelmente é um bebê que desenvolveu complicações atípicas da zika, mas ainda é preciso saber se foi realmente o vírus a principal causa do óbito. É preciso analisar o histórico da mãe (na gestação) e o que o bebê teve de sintomas e doença preexistente. Zika matou mesmo ou foi coadjuvante num bebê que nasceu frágil ou com baixo peso?”, pondera o epidemiologista George Dimech, diretor-geral de Controle de Doenças e Agravos da SES.

Ele destaca que todas essas questões serão discutidas pelo Comitê Estadual de Discussão de Óbitos por Dengue e outras Arboviroses, que prioritariamente também investigará as outras duas mortes com resultados positivos para zika e chicungunha. Segundo George Dimech, para a SES, não são ainda mortes confirmadas pelos vírus porque o dado dos exames é apenas um dos elementos da investigação. “Sabemos que os vírus estavam presentes no sangue, mas os óbitos podem ter sido por outras causas. A priori, casos de zika em adultos são mais brandos; os de chicungunha, agressivos. É um vírus que descompensa comorbidade (associação de pelo menos duas doenças).”

A SES ainda não sabe se as vítimas (adolescente e idoso) apresentavam complicações neurológicas, que têm sido associadas à infecção por zika e chicungunha. “Nas próximas semanas, vamos dar prioridade à investigação desses dois óbitos. Normalmente, demora uns dois meses para fechar o caso. Daqui para março, esperamos ter concluído esse processo, com revisão dos prontuários”, informa George Dimech.



Para o clínico-geral Carlos Brito, membro do Comitê Técnico de Arboviroses do Ministério da Saúde, pode acontecer óbito por zika em adultos, principalmente se o vírus levar a quadros neurológicos graves. "Mas é um evento incomum. E se os exames mostram presença de zika e chicungunha, é provável que o componente mais relevante para a morte seja este último vírus. De qualquer forma, a presença de coinfecção (dois vírus) tende a ser um fator de agravamento", frisa o médico Carlos Brito.

BALANÇO

A última semana epidemiológica de 2016 fechou com 183.681 notificações de arboviroses (dengue, chicungunha e zika). Desse total, 58.967 foram casos confirmados. Além disso, houve 380 óbitos. Entre eles, 158 tiveram resultados laboratoriais positivos: 35 (22,2%) para dengue; 84 (53,2%) para chicungunha; 36 (23,8%) para dengue e chicungunha; 1 para zika e 2 para zika e chicungunha.

A SES destaca que o diagnóstico laboratorial positivo dos óbitos, para qualquer arbovirose, não necessariamente confirma a doença como causa principal da morte. O comitê de discussão analisa todos os casos. No ano passado, o grupo confirmou 15 óbitos (7 dengue; 8 chicungunha). Além disso, a comissão descartou quatro para todas as arboviroses. 




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