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O glaucoma sob controle

Controle da pressão intraocular é chave do tratamento. Doença é considerada uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo

Publicado em 28/10/2017, às 06h00

O glaucoma é uma das principais causas de cegueira no mundo. / Ashlley Melo/JC360
O glaucoma é uma das principais causas de cegueira no mundo.
Ashlley Melo/JC360
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A funcionária pública aposentada Maria Betânia Leal, 55 anos, não podia imaginar que ao acompanhar a mãe em uma consulta de rotina ao oftalmologista acabaria trocando de lugar com ela e descobrindo um problema na visão.

"A consulta não era para mim. Eu acredito que como minha mãe já tinha o glaucoma, o médico também resolveu medir a minha pressão intraocular. Foi quando eu descobri que ela estava extremamente alta", conta.

O glaucoma é uma doença degenerativa e progressiva que afeta as fibras nervosas que compõem o nervo óptico e pode levar o paciente a uma perda gradual e irreversível da visão. "O nosso olho produz um líquido importantíssimo. No paciente com glaucoma existe algum tipo de obstrução, a saída do líquido não acontece de forma adequada, então a pressão intraocular começa a aumentar e a destruir o nervo óptico", explica a oftalmologista Nara Galvão, do Hospital da Visão de Pernambuco (HVISÃO).

Ao contrário de outras doenças relacionadas à visão, que costumam apresentar sintomas, o glaucoma é considerado silencioso. O problema, considerado uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo, na maioria das vezes, só é percebido quando já há uma perda importante no campo visual. "Nós costumamos dizer que o glaucoma é um ladrão que entra na sua casa no meio da madrugada e rouba a sua visão sem dar sinais. A perda de visão se dá da periferia para o centro. É o que nós chamamos de visão tubular. Você enxerga o que está no meio, mas não o que está ao redor", diz Nara Galvão.



O aparecimento do problema está ligado a fatores genéticos, podendo acontecer em qualquer idade, sendo mais comum a partir dos 55 anos e mais severo em pacientes negros. "Uma vez que o paciente é diagnosticado com o glaucoma, ele vai ter essa condição a vida inteira", destaca a oftalmologista do HVISÃO.

Para impedir o avanço da doença é preciso controlar a pressão intraocular. Quando o diagnóstico é feito ainda no início, o tratamento com colírios pode ser suficiente. Há ainda a opção de lasers e a cirurgia tradicional, conhecida como trabeculectomia, que criam novos caminhos para o escoamento do liquido produzido no olho.

Atualmente, há ainda um novo tipo de tratamento, as chamadas cirurgias de glaucoma minimamente invasivas - Microinvasive Glaucoma Sugery (MIGS) na sigla em inglês. "Esse procedimento microinvasivo usa um stent, o menor do corpo humano até hoje lançado, com um milímetro. Ele é colocado na malha trabecular, que é a região que existe a maior drenagem do liquido para sair do olho", destaca a Nara Galvão. "Os MIGS vieram para ocupar um espaço onde ainda não é preciso baixar drasticamente a pressão ocular, no caso de glaucomas leves e moderados.", completa.

Apesar de irreversível, com o diagnóstico precoce e o tratamento adequado é possível controlar o avanço da doença. E a aposentada Maria Betânia sabe bem disso. "O meu campo visual é um pouco comprometido na parte superior, mas tudo está controlado, porque eu faço os meus exames e me consulto regularmente", diz.


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