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TRÍPLICE VIRAL

Além do sarampo, especialistas alertam para rubéola e caxumba

Aumentar adesão à vacina não só interrompe a transmissão do vírus do sarampo

Publicado em 13/09/2019, às 08h19

Com a baixa no índice vacinal, o risco de sarampo é uma realidade. Além disso, vem a possibilidade de que a rubéola, já eliminada, volte a ocorrer / Foto: Filipe Jordão/JC Imagem
Com a baixa no índice vacinal, o risco de sarampo é uma realidade. Além disso, vem a possibilidade de que a rubéola, já eliminada, volte a ocorrer
Foto: Filipe Jordão/JC Imagem
Cinthya Leite
cinthyaleite@casasaudavel.com.br

A queda da vacinação abriu portas para o retorno do sarampo, que tem deixado cidades brasileiras em situação de surto. Agora os especialistas chamam a atenção para a necessidade de se aumentar a adesão à tríplice viral não apenas para interromper a transmissão ativa do vírus do sarampo, mas também para prevenir caxumba e impedir a volta da rubéola – eliminada do Brasil em 2015. A caxumba ainda causa adoecimentos. No ano passado, em Pernambuco, foram 1.338 casos confirmados, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES). É por isso que a população prioritária da tríplice viral não deve deixar de receber a vacina, que serve de escudo contra três doenças.

Neste momento de surto em atividade com transmissão sustentada do sarampo, principalmente em São Paulo, as autoridades de saúde reforçam que o foco da imunização são as crianças, já que se trata de um público mais vulnerável a formas graves da doença, o que pode levar a óbito. “Vacinação é um tema de todos os dias. Atualmente o foco de proteção é a faixa etária infantil, que precisa ter um índice de cobertura vacinal de pelo menos 95%”, salienta o secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia. Nas crianças de 1 ano da cidade, a cobertura vacinal da primeira dose de tríplice viral este ano está em 83%; a segunda, em 64%. 

Com a baixa no índice vacinal, o risco de sarampo é uma realidade. Além disso, vem a possibilidade de que a rubéola, já eliminada, volte a ocorrer. “Infelizmente assistimos a um surto de sarampo, o que já era algo anunciado, pois as coberturas vacinais progressivamente caíram nos últimos três anos. O detalhe que precisa ser considerado é que a vacina que oferece proteção contra sarampo é a mesma que evita a rubéola. Em relação a esta, temos nos preocupado com a possibilidade de retorno, já que temos públicos não imunizados”, destaca o médico Eduardo Jorge da Fonseca Lima, integrante do Comitê de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). De acordo com ele, a rubéola congênita é a que inspira maiores cuidados – e só a vacinação pode manter o Brasil longe do problema, que deixou de causar adoecimento em Pernambuco desde 2008, quando foram confirmados sete casos. É do mesmo ano a última notificação na capital pernambucana.

“O fato de estarmos sem registros nos últimos anos não significa que os casos desapareceram por completo. Pode haver subnotificação”, diz Jailson Correia, que recorda como a eliminação da rubéola vem do reflexo de uma campanha de vacinação, voltada a homens e mulheres de 20 a 39 anos, em 2008. No País, naquele ano, 97% do público-alvo foram alcançados. A questão é que a saída de circulação de doenças prevenidas por vacina pode passar a sensação falsa de segurança de que a população não mais precisa se imunizar. Foi (também) por esse sentimento que o sarampo retornou ao território brasileiro. 



O epidemiologista George Dimech, diretor-geral de Controle de Doenças Transmissíveis da SES, ressalta que a baixa cobertura que permitiu a recirculação do vírus do sarampo possibilitaria a volta da rubéola. “O cenário de risco é o mesmo. A diferença é que, enquanto a circulação do sarampo está imensa, a da rubéola é focada em determinadas regiões, como China e Japão. São países com os quais os brasileiros têm mais proximidade. Por isso, se a rubéola retornasse ao País, seria uma doença do viajante, daquele público entre 30 e 40 anos que tem uma fatia de não vacinados”, diz George Dimech. 

VACINA

A tríplice viral atualmente é voltada a bebês de 6 meses a 11 meses (dose zero), a crianças com 12 meses (1ª dose) e com 15 meses (2ª dose). São consideradas imunizadas pessoas até 29 anos com duas doses; de 30 a 49 anos com uma dose. Quem está com o esquema vacinal em dia, já teve sarampo ou tem mais de 50 anos não precisa tomar a vacina.

14 casos de sarampo foram confirmados este ano em Pernambuco. Entre eles, há uma morte de bebê de 7 meses 

357 casos de sarampo permanecem em investigação no Estado. O Agreste é a região com mais registros

415 casos de caxumba foram registrados de janeiro a agosto deste ano em território pernambucano

2008 foi o ano em que foram confirmados os últimos sete casos de rubéola no Estado. Doença foi eliminada em 2015

"A população de 15 a 30 anos já passou por uns três calendários vacinais diferentes, e alguns deles de dose única. Assim, é um grupo que pode ter pessoas não protegidas de forma adequada atualmente”, diz o médico Eduardo Jorge da Fonseca Lima, do Comitê de Imunizações da SBP

"O sarampo está espalhado, mas a rubéola permanece limitada a alguns países, como China, Índia e Japão. Por isso, se os casos de rubéola retornassem ao Brasil, seria uma doença do viajante”, acredita o diretor-geral de Controle de Doenças Transmissíveis da SES, George Dimech.




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