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Notícia
Falha na imunização

Duas pessoas do Recife tiveram sarampo mesmo após tomar vacina

Ao todo, já foram confirmados cinco casos de sarampo na capital pernambucana

Publicado em 07/11/2019, às 08h55

Segundo médicos, o que aconteceu com as pacientes é um fenômeno incomum que acontece quando a vacina não gera imunidade efetiva / Foto: Ricardo B. Labastier/ Acervo JC Imagem
Segundo médicos, o que aconteceu com as pacientes é um fenômeno incomum que acontece quando a vacina não gera imunidade efetiva
Foto: Ricardo B. Labastier/ Acervo JC Imagem
Cinthya Leite
cinthyaleite@casasaudavel.com.br

Dos cinco casos de sarampo confirmados no Recife este ano, dois têm esquema vacinal completo. Ou seja, tomaram a tríplice viral e, ainda assim, adoeceram. É o que os especialistas chamam de falha na imunização – um fenômeno incomum, mas que pode acontecer, segundo os médicos, numa minoria de pessoas em que a vacina pode não gerar imunidade efetiva. Dessa maneira, quando expostas ao agente infeccioso (vírus do sarampo), elas podem adoecer. Foi o que aconteceu com duas jovens moradoras do Recife, de 19 anos e 21 anos, que adoeceram em julho e em agosto, respectivamente. A mais nova teve sarampo pelo contato com a irmã de 16 anos, que adoeceu após voltar de viagem a Porto Seguro, na Bahia. A mais velha tem histórico de passagem por Santa Cruz do Capibaribe, município do Agreste pernambucano, que registra 11 casos confirmados da doença. Ambas têm registro comprovado de duas doses de tríplice viral.

“Sabemos que, embora a vacina seja eficaz e segura, há a possibilidade de falha primária (a pessoa recebe as doses recomendadas pelo calendário de imunização, e o organismo não responde à vacina). A eficácia para uma dose é de 80% a 85%. Para duas aplicações, é de 97%. Então, há um percentual pequeno que pode não responder à tríplice viral”, explica o secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia. Ele acrescenta que, além de raros, os casos de sarampo em pessoas com esquema vacinal completo tendem a não apresentar gravidade. “São quadros mais brandos”, frisa. Em época de surtos de sarampo, os registros de adoecimento entre os vacinados têm propensão em ocorrer naqueles que foram imunizados há mais de dez anos. “Nessas situações, geralmente acontece um declínio da proteção vacinal.”

ATIVA

Também nos momentos em que há transmissão ativa da doença, às vezes uma pessoa é exposta ao vírus do sarampo pouco tempo antes de ser vacinada e adoece. Mas essa situação não tem relação com falha vacinal. Trata-se de uma consequência da infecção pelo vírus cujo período de incubação é mais curto do que o tempo que a vacina necessita para gerar anticorpos.

É por isso que as campanhas não devem ser colocadas em segundo plano, e a população não deve adiar a ida aos postos. Entre os dias 18 e 30 deste mês, acontecerá a segunda fase da campanha nacional de vacinação. O público-alvo são os adultos entre 20 e 29 anos, devido ao número de casos confirmados nessa faixa etária. Em Pernambuco, 21 (28%) são nesse público – um volume ainda menor do que os adolescentes entre 15 e 19 anos. Nessa faixa etária, são 23 casos (30,7% do total de registros no Estado).



Até o dia 26 de outubro, Pernambuco notificou 989 casos suspeitos de sarampo. Desses, 75 foram confirmados, 386 descartados e os demais estão em investigação. Os municípios com casos confirmados são Recife (5), Jaboatão dos Guararapes (1), Bezerros (1), Gravatá (1), Caruaru (8), Frei Miguelinho (1); Santa Cruz do Capibaribe (11), Taquaritinga do Norte (27), Toritama (8) e Vertentes (11).

META

Nessa quarta-feira (6), a Secretaria Estadual de Saúde (SES) divulgou que Pernambuco atingiu a meta global de vacinação contra o sarampo estabelecida pelo Ministério da Saúde (MS) para crianças que estão na faixa etária entre 1 e 2 anos, com uma cobertura de 106,3% desse público imunizado na primeira dose. Até o momento, foram aplicadas nessa população 108,3 mil doses da tríplice viral. Dessa forma, o Estado ocupa o 5º lugar no ranking do Brasil, atrás de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Alagoas e Espírito Santo (107%).

“Após o fim da primeira etapa da campanha voltada para crianças de 6 meses a 4 anos, a vacina voltou à rotina nos postos e está disponível para meninos e meninas que ainda não tenham começado o esquema vacinal ou estejam em atraso”, frisa a superintendente de Imunização da SES-PE, Ana Catarina de Melo.




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