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FALTA REMÉDIO

Licitação do Consórcio Nordeste não alivia desabastecimento da Farmácia de Pernambuco

Dos 37 medicamentos em falta, apenas um está na lista de fármacos licitados em conjunto pelos nove estados do Nordeste

Publicado em 08/11/2019, às 10h35

Para a dona de casa Marize Silva, a falta de assistência já é considerada crônica / Foto: Leo Motta/ JC Imagem
Para a dona de casa Marize Silva, a falta de assistência já é considerada crônica
Foto: Leo Motta/ JC Imagem
Cidades

Apesar da economia de cerca R$ 50 milhões para os cofres dos nove estados integrantes do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável do Nordeste (Consórcio Nordeste), a compra conjunta de medicamentos, apesar de animar, está longe de sanar o desabastecimento na Farmácia de Pernambuco. Dos 37 remédios em falta atualmente no Estado, apenas um está na lista dos 10 licitados. De janeiro a novembro deste ano, mais de R$ 18 milhões já foram gastos com os mesmos fármacos. 

Até essa quinta-feira (7), dos  231 medicamentos oferecidos pela Farmácia, 37 estavam em falta. Outros oito remédios não estão mais sendo fabricados e o órgão aguarda a substituição por novas fórmulas. O desabastecimento, segundo o diretor da Farmácia de Pernambuco, Mário Moreira, é temporário. “Todos os processos licitatórios estão na rua, estamos aguardando a entrega. Outras 186 drogas estão disponíveis”, diz. 

No entanto, para a dona de casa Marize Silva, a falta de assistência já é considerada crônica. Há mais de um ano sem conseguir pegar Aripiprazol para a filha, ela vai precisar, mais uma vez, tirar dinheiro de onde não tem para não interromper o tratamento de Amanda Siqueira, diagnosticada com esquizofrenia. “Eu compro, mas a gente não tem condições. Vai ser mais um mês deixando de fazer feira para comprar o remédio. Já são quatro anos fazendo o uso e nunca tinha tido problema até setembro do ano passado”, conta dona Marize. Segundo ela, são gastos mais de R$ 1 mil por mês com o medicamento, que deveria estar sendo entregue gratuitamente pelo Estado. “Não explicam nada, só dizem que está faltando e pedem para ligar para a ouvidoria, mas ninguém atende”. Fazendo bicos como faxineira, ela e a filha têm o benefício assistido da jovem como única renda. 



Com uma doença crônica, a dona de casa Bianca Santiago também tem sofrido com a situação. Já está há seis meses sem conseguir fazer o tratamento apenas com os remédios disponibilizados pelo Governo. “Eu faço o uso de mesalazina supositório e comprimido. O supositório já estou há seis meses sem pegar porque está faltando. A solução é comprar, mas o valor é alto, chega a quase R$ 400 mensais, e não se encontra com facilidade”, comenta. 

Licitação

Nem o medicamento de Amanda Siqueira, nem o de Bianca Santiago estão licitados na compra conjunta do Consórcio Nordeste. Na lista há 10 fármacos indicados para diferentes finalidades. Tem para deficiência de cálcio, endometriose, acne grave, osteoporose, problemas de crescimento, acompanhamento de transplantados e puberdade precoce. Para os outros estados, a lista contém 12 itens. Caso os produtos fossem comprados separadamente, os valores poderiam chegar a R$ 166 milhões. Na compra conjunta, o preço caiu para R$ 118 milhões. 

A economia, segundo os representantes do Consórcio, está girando em torno de 30%. O valor final pago por Pernambuco ainda não foi divulgado, uma vez que a licitação só será homologada no próximo dia 15. Ainda assim, Mário Moreira afirma que há vantagem. “O benefício surge da capacidade de compra. Quando você junta todo o Nordeste, que é o segundo maior mercado de medicamento do Brasil, e faz uma grande compra, a negociação passa a ser direto na indústria, pela quantidade, e o barateamento vem”, explica. “É vantagem para todos e para a população, uma vez que os governos se unem no enfrentamento da dificuldade de abastecimento”. 




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