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Teatro

Magiluth se rende ao universo de Luiz Gonzaga

Grupo recifense estreia o espetáculo "Luiz, Lua Gonzaga" neste final de semana.

Publicado em 08/12/2012, às 06h04

Mateus Araújo

O sol castiga o Sertão. Um povo clama aos céus um milagre. Há um rei prestes a chegar naquele lugar para salvar a população. Um sebastianismo em moldes contemporâneos de um teatro ousado. O Magiluth estreia hoje seu terceiro espetáculo do ano: Luiz, Lua Gonzaga, fruto do edital Prêmio Funarte Centenário de Luiz Gonzaga, aprovado em outubro, que concedeu ao grupo R$ 35 mil para a montagem. A peça é apresentada hoje na Praça do Hipódromo, às 16h; e no Alto da Sé, às 20h. As apresentações são gratuitas.

O espetáculo Luiz tem tudo para ser altamente provocador. De um lado, as tradições do imaginário popular do homem nordestino – sua fé, seu cancioneiro, seus costumes, seus trejeitos, marcas e todo o estereótipo excessivamente reproduzido mundo afora. Do outro, o desafio de ser contemporâneo e unir o tradicional a uma linguagem moderna de um teatro despreocupado com as estruturas formais, mas altamente mergulhado nos sentidos e sentimentos humanos. 

“Vamos buscar em Luiz Gonzaga também uma base Guimarães Rosa: o Sertão que está dentro da gente”, diz o ator Pedro Wagner. “Queremos achar esse Sertão que nos atravessa.” Dos exercícios, surgem ideias para o roteiro final de uma peça de rua que vai ocupar espaços públicos do Recife e de Olinda. 



O novo espetáculo tem uma característica curiosa: com ele, o Magiluth retoma a linguagem do teatro de rua, que só havia explorado em Ato, segundo trabalho da carreira de oito anos do grupo, cujo texto se inspira na obra do dramaturgo irlandês Samuel Beckett. Desta vez, o elenco (Pedro Wagner, Giordano Castro, Mário Sérgio Cabral, Lucas Torres e Erivaldo Oliveira) interpreta e canta, acompanhado por um trio de sanfoneiros. No repertório, claro, as canções, de Gonzagão. 

Fazer uma peça relacionada à obra de Luiz Gonzaga mexe com todo o elenco. Mexe com aqueles que têm base familiar no interior, como é o caso de Erivaldo, Pedro Wagner e Mário Sérgio, e aqueles que gostam de ouvir forró, a exemplo de Lucas Torres. “Para mim, forró é a identidade da música brasileira. Claro que essa visão tem a ver com a relação que eu tenho com a minha terra. Cresci e vivo escutando forró”, diz Lucas. 
Mexe ainda com aqueles que são avessos ao estilo musical, como Pedro Wagner, embora concorde que a música é uma marca forte do Nordeste. “Quando estávamos em São Paulo, em junho, fizemos uma festa de São João, com música, fogueira de mentira e comida. Era impressionante como aquele clima supria a saudade de casa”, recorda o ator.

A peça ainda vai ser apresentada no Coque, no Alto José Bonifácio e na Praça do Arsenal. 


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