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Teatro

Marcondes Lima dirige "A mandrágora" em versão nordestina

Peça é encenada nesta quarta e quinta no Teatro Luiz Mendonça, às 20h30

Publicado em 21/01/2015, às 06h52

Peça de Maquiavel ganha tons nordestinos  / Foto: Roberto Ramos/Divulgação
Peça de Maquiavel ganha tons nordestinos
Foto: Roberto Ramos/Divulgação
Mateus Araújo

A marca pós-moderna de Marcondes Lima é inegável em qualquer montagem que ele assina. Encenador dos mais audaciosos, o pernambucano tem 2015 como um ano de retomada no que diz respeito à dramaturgia de seus novos trabalhos. Anos à frente das peças do Coletivo Angu de Teatro e do grupo Mão Molenga, erguidas a partir de textos literários, agora Marcondes volta ao desafio de dirigir trabalhos com textos dramáticos, de raiz teatral. Hoje, às 20h30, no Teatro Luiz Mendonça, ele estreia A mandrágora, uma recriação da obra de Maquiavel feita por Guilherme Vasconcelos. A peça é reencenada amanhã, no mesmo horário. 

O espetáculo – o diretor se recusa em chamar de adaptação, comungando do mesmo pensamento dos poetas concretos Augusto e Haroldo Campos para quem os processos de readaptação, transcrição ou tradução de uma obra são, de fato, uma criação – contextualiza a clássica história escrita originalmente, no século 16, para o Sertão nordestino. Na peça, Calímaco, um paraibano radicado no Recife, é apaixonado por Lucrécia, esposa de moral ilibada do Coronel Nício Calfucio. O rico casal, apesar das tentativas, não consegue ter filhos. Calímaco, então, finge-se de médico e receita um infalível e mortal remédio à base de mandrágora (uma planta afrodisíaca), conseguindo ludibriar o Coronel e tendo sua paixão finalmente correspondida.



A mandrágora é a primeira das duas grandes montagens a que Marcondes Lima se dedica neste ano. Em breve, ele e o Coletivo Angu de Teatro iniciam os ensaios de Ossos, peça de Marcelino Freire inspirada no seu primeiro romance, Nossos ossos. “Agora, estamos no momento de fermentação de ideias. Vendo os sonhos de consumo, fazendo uma leitura”, conta. A peça narra a história de um diretor de teatro que, ao saber da morte de seu amante, um michê, empreende uma busca pelo seu passado. “No Coletivo vamos para o campo do pós-dramático. Ainda que, hoje em dia, o dramático e o pós-dramático são vertentes que não se separam, sobre tudo na obra de Marcelino. Mas é a primeira vez que vamos trabalhar com um texto dele puramente teatral. É a estreia de Marcelino como dramaturgo”, completa Marcondes. 

NACIONAL

Outro destaque da programação de hoje do Janeiro de Grandes Espetáculos é a peça A caixa não é de Pandora. Monólogo de Andrea Elia, de Salvador, encenada até amanhã, às 20h, no Teatro Hermilo Borba Filho. Com o mote inspirado no livro Um teto todo seu, de Virginia Woolf, a peça oferece ao público a possibilidade de mergulhar no universo feminino através de várias referências históricas e da literatura, do cinema e do teatro, numa montagem que explora recursos de vídeo e da metalinguagem. 





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