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Fulaninha e Dona Coisa

Nathalia Dill numa comédia para o Brasil de hoje

Com a premiada Vilma Melo, atriz encena espetáculo, domingo (11) no RioMar, sobre a relação entre patroa e empregada doméstica, um clássico da vida brasileira

Publicado em 09/11/2018, às 16h36

Vilma e Nathalia: comédia franca, de fundo sociológico / Nana Moraes / Divulgação
Vilma e Nathalia: comédia franca, de fundo sociológico
Nana Moraes / Divulgação
Bruno Albertim

No começo dos anos 1990, Aracy Balabanian e Louise Cardoso, duas das grandes damas do teatro brasileiro, faziam plateias de todo o País virem abaixo com a comédia Fulaninha e Dona Coisa. Mais de vinte anos depois daquela breve temporada no Teatro de Santa Isabel, o texto de Noemi Marinho volta ao Recife com as atrizes Nathalia Dill e Vilma Melo. Em cena, dilemas da relação entre patroa e empregada doméstica – essa instituição tão clássica da vida brasileira cotidiana. Mas, como dizem as atrizes, com novas potências narrativas: o próprio Brasil se encarregou de trazer novos sentidos sociais à peça. A sessão única acontece hoje, 19h, no Teatro RioMar.

Fluido e exigente de intérpretes com boas camadas de humor sobre a pele, o texto é uma dessas comédias de vaudeville, riso franco, solto, acionado pela percepção do ridículo de nós mesmos – confirmando a premissa de que, no fundo, o ser humano, independente da classe social, é quase sempre de classe média, e não há nada que a classe média goste mais do que ri de si própria. Mas não deixa de marcar demãos no verniz sociológico. “A gente acaba aprofundando muito mais a relação afetiva das duas, até de dependência emocional”, diz Nathalia.

“Mas o texto fala sobre conquistas trabalhistas e fica mais forte e atual agora, que a gente pensava que essas conquistas eram fortes, mas estão se mostrando frágeis. O texto fica ainda mais provocador e atual nos dias de hoje”, diz a atriz, lembrando que, depois da estreia, ano passado, em São Paulo, Recife é a segunda cidade a receber a montagem. “É curioso: ano passado, vivíamos outra realidade. Em tão pouco tempo, o Brasil mudou”, ela diz, confirmando que a atual movimentação de setores da política, no executivo e no legislativo, para a revisão da chamada PEC das empregas domésticas traz novas luzes de interesse pela dramaturgia.

INVERSÃO

Idealizada pelo produtor Eduardo Barata, esta direção de Daniel Herz investe na inversão do (ainda perverso) estereótipo sobre expectativas de performatividade social. Fulaninha, a empregada, é defendida por Natália Dill, contumaz mocinha de pele alva dos folhetins televisivos. Dona Coisa, a patroa, é interpretada por Vilma Melo, atriz carioca, de reconhecida musculatura cênica, primeira negra a ganhar um Shell, por sua atuação no espetáculo Xica da Silva.



“O que causa, ainda, infelizmente, em 2018, caminhando para 2019, uma estranheza. Ao colocar a negra como patroa e a branca como empregada numa classe média carioca, ainda há esse estranhamento. Em São Paulo, durante a temporada num teatro frequentado pelas classes A e B, essa certa estranheza era visível em parte do público. O que assustava a meus colegas, mas não a mim que, negra, estou acostumada a esses olhares”, diz ela. Pouco realista, o cenário é praticamente vestido de sugestões cênicas.

Herz, além de dirigir, interpreta um técnico de telefone com quem a empregada se envolve. “Em um momento em que o país passou por transformações nos direitos trabalhistas dos empregados domésticos, a peça aparece como uma oportunidade de falar das recentes modificações, de maneira bem-humorada, sem deixar de ser informativa”, continua o produtor Eduardo Barata.

Fulaninha e Dona Coisa. Hoje, 19h. Teatro RioMar, RioMar Shopping. Ingressos: plateia baixa: R$ 120 e R$ 60 (meia); plateia alta: R$ 100 e R$ 50 (meia); Balcão: R$ 50 e R$ 25 (meia). Vendas: bilheteria do Teatro RioMar e www.uhuu.com.


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