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Montez Magno tem biografia assinada por Olívia Mindêlo

Livro sobre a trajetória de um dos pioneiros da arte contemporânea brasileira é lançado pela Cepe

Publicado em 17/04/2018, às 05h41

Montez Magno: pioneiro contemporâneo / Divulgação
Montez Magno: pioneiro contemporâneo
Divulgação
Bruno Albertim

Pintar, se aprende pintando”, ele ouviu, quando jovem, do professor da Escola de Belas Artes, trocando logo as aulas pelos cavaletes da vida. Em 1957, se mudou para Olinda e, sem saber, dava início à trajetória da cidade como celeiro dos vários artistas que para lá se mudariam atraídos pelos amplos espaços e bons alugueis nos sobrados onde poderiam tanto viver quanto trabalhar. Autoditada, em 1959, já tinha obras suas expostas na recém-criada Bienal de São Paulo. Enquanto todo mundo não só queria, mas precisava, pintar como Portinari ou Picasso, Montez Magno usava cacos, molambos, tinta de piso. Retalhava suas telas com gilete. Pioneiro na arte contemporânea pernambucana antes mesmo de o contemporâneo se tornar verbete e jurisprudência, o artista tem sua trajetória biográfica esmiuçada pelo olhar agudo da socióloga e crítica Olívia Mindelo: Montez Magno - Poeta, Artista, Camaleão (256 pags) é o outro título da série Memória, lançado também nesta quarta (18), no Museu do Estado, pela Cepe.

“Estamos diante de um artista que é muito pouco conhecido. Ele, claro, é conhecidíssimo e legitimado pelo campo artístico, mas não nos círculos comuns, em que ele ainda não tem a mesmoa popularidade de Brennand ou Tereza Costa Rêgo. E é um artista importantíssimo, que já experimentava na década de 1950, quando as pessoas estavam ainda preocupadas com cavaletes”, diz ela, sobre o artista que fundamentalmente quebrou o paradima da arte moderna pernambucana estruturada no figurativismo de tintas quentes. “É um nome importante não apenas da arte, mas da literatura, com onze livros. Um experimentalista”, segue a autora sobre o Montez que, embora incorra também no figurativismo, inaugura nesta latitude o abstracionismo.



PIONEIRO

Com rigor crítico, disciplina investigativa e um texto em que informação se beneficia de seu olhar poético, Olívia Mindêlo, sem distinções, vai apresentando o homem por dentro do artista. Não apenas o homem individual, mas social: sociologicamente inspirador, seu livro vai pintando também as paisagens sociais do Recife a partir da década de 1950. Como ponto de partida, além da memória do perfilado, contou com sua conhecida característica de acumulador e arquivista. “Ele tem todas as cartas que enviou e recebeu na vida”, diz ela sobre o contemporâneo de Oiticica e Lygia Clark que, só agora, tem seu pioneirismo devidamente registrado na bibliografia da arte brasileira.


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