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Morre Mestre Severino Vitalino, aos 78 anos

Filho do Mestre Vitalino e um dos responsáveis por manter vivo seu legado, Mestre Severino Vitalino estava internado desde outubro por complicações cardíacas

Publicado em 07/01/2019, às 08h54

Mestre Severino Vitalino viveu para manter o legado artístico do pai / Foto: Arnaldo Carvalho/JC Imagem
Mestre Severino Vitalino viveu para manter o legado artístico do pai
Foto: Arnaldo Carvalho/JC Imagem
Editoria de Cultura

O artesão Mestre Severino Vitalino, um dos responsáveis por perpetuar o legado do Mestre Vitalino, seu pai, faleceu nesta segunda-feira (7), aos 78 anos, no Hospital Mestre Vitalino (HMV), em Caruaru, onde estava internado desde outubro passado. Severino deu entrada no hospital após sofrer um infarto agudo no miocárdio, sendo portador de doença pulmonar ocupacional, que evoluiu para com insuficiência renal e respiratória.

No dia 8 de novembro, o artesão passou por uma cirurgia de revascularização do miocárdio. Passou um tempo prolongado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), chegando a evoluir para enfermaria, mas com redução na consciência e raciocínio confuso. 

O velório do artesão está sendo realizado no ateliê de sua casa, na Rua Mestre Vitalino. O enterro está marcado para amanhã, às 9h, no Cemitério Alto do Moura. Ele era viúvo e foi pai de 13 filhos.


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Vida pela obra

O Mestre Severino Vitalino era o responsável a Casa Museu que leva o nome de sua pai no Alto do Moura. Em sua vida artística, decidiu manter o estilo do Mestre Vitalino, que completa 56 anos de sua morte neste mês. Aprendeu o ofício junto ao patriarca ainda criança, desde que foi morar no Alto do Moura. 

"Severino Vitalino era mais que um filho do Mestre Vitalino, era um guardião do legado do Alto do Moura, extremamente representativo e com acesso a todos os artesões de lá. Severino não herdou apenas o nome do pai, mas também o espírito de solidariedade e fraternidade, Caruaru está de luto", afirmou Rubens Júnior, presidente da Fundação de Cultura e Turismo de Caruaru. 



Em sua trajetória, moldou mundialmente populares obras do Mestre Vitalino, como A Banda de Pífano, Lampião e Maria BonitaOs Retirantes. Na Casa Museu, recebia turistas e contava histórias sobre a trajetória do pai e da família, além de comercializar suas obras. 

Homenagens e memória

Para o colecionador de arte popular Carlos Augusto Lira, Severino Vitalino foi muito bem sucedido em sua missão de deixar vivo o espírito artístico da família Vitalino. "Não adianta você apenas ser filho e não ter o talento com a mão para fazer a coisa com qualidade. Severino tinha e continuou a coisa com qualidade. Ele viu a obra do pai ser aplaudida mundialmente, uma obra que fez escola, ele tinha que continuar e o fez", relata Lira.

Sobre o futuro, o colecionador diz que tem segurança de que o legado será continuado. "A família com certeza vai continuar, todos têm interesse em continuar e sabem do respeito que há pela obra de Vitalino. Agora é a vez de Severino encontrar o pai e tenho certeza que os dois vão celebrar", diz. 

Rubens Filho relembra sua atitude respeitosa e humilde diante de sua responsabilidade. "Perguntaram a ele se ele sentia orgulho do pai. Ele responde prontamente que sentia gratidão e honra, que orgulho não era um sentimento bom para ninguém. Ele era essa figura respeitada por todo Caruaru e perpassou gerações, recebendo jovens e contando suas histórias", afirma. 

Por meio de nota oficial, a prefeita de Caruaru, Raquel Lyra, lamentou o falecimento do Mestre Severino Vitalino:

"É com profunda tristeza que recebo a notícia do falecimento de Severino Pereira dos Santos, o Severino Vitalino. Filho do grande Mestre Vitalino, ainda criança se mudou com sua família para o Alto do Moura, em Caruaru, onde viveu até o final de sua vida. O povo brasileiro será sempre grato a Severino que, com o seu grande talento, deu continuidade à obra do seu pai e mentor e influenciou a comunidade de artesãos de Caruaru e de todo o país. Meus sinceros sentimentos aos familiares, amigos e admiradores. "


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