Jornal do Commercio
Zona Sul

Mura Orora se acopla ao Budhakan e chega a Boa Viagem

O restaurante de influência japonesa funcionava, até então, apenas em Casa Forte

Publicado em 02/02/2017, às 16h37

Carré de cordeiro com purê de mandioquinha e molho roti. Menu do Budhakan mudou / Andr´pe Nery/JC Imagem
Carré de cordeiro com purê de mandioquinha e molho roti. Menu do Budhakan mudou
Andr´pe Nery/JC Imagem
Flávia de Gusmão

O empresário Bruno Carrazzone colocou os dois pés na Zona Sul. Ele, que inaugurou e já operava na Zona Norte o Mura Orora, o Fondue e o Loft, todos em Casa Forte, agora assume a administração – e a tarefa de implementar mudanças – numa espécie de combo: o Budhakan e a replicação do Mura Orora foram acoplados num mesmo imóvel e passam agir com autonomia.

Embora partilhem de um acesso único, feito pela porta em comum, os destinos da dupla se repartem a partir de uma escada – no mezanino fica o território do Mura, um japonês de conotação fusion, e no térreo se acomoda o Budhakan, que costumava, também, flertar com fusão, mas expandindo seu alcance para culinárias de várias nacionalidades, especialmente aquelas centradas na Ásia, no Oriente Médio e Norte da África.

Os cardápios serão diametralmente opostos, mas os clientes – estejam no mezanino ou no térreo – poderão, se assim desejarem, intercambiar as delícias que saem das duas cozinhas independentes.

Embora tenha sido mantido o nome original, o Budakhan passou por uma mudança significativa, tanto na ambientação quanto no seu conteúdo. Quase a metade do seu menu inaugural, concebido há quase dois anos, foi renovado. E o foi por um bom motivo. Uma vez calcado numa miscelânea de técnicas de preparo e profusão de ingredientes, esse tipo de formatação de menu tem como desvantagem a condição de precisar ser renovada mais amiúde do que aquela que norteia, por exemplo, uma casa italiana, ou francesa clássica. É apenas natural que o comensal, embora aprecie, em maior ou menor grau, uma inovação, tenda a voltar àquelas sensações que lhe provocam um conforto familiar.

Não é que o Budhakan vá se tornar “quadradinho” como os mais convencionais exemplares do estilo “cozinha internacional”. Podemos constatar, até pela decoração, que ainda paira uma necessidade de se fazer “exótico”, mas com vários tons abaixo. Até um piano executado ao vivo, de onde reverberam clássicos da música ambiente, foi inserido. Sinalização clara de que a casa quer, sim, um público que preze também por uma estrutura mais convencional.

A entrada composta por cubos grandes de salmão flambado banhados em molhos de limão e rôti com vinho, com purê de queijo do reino, é um exemplo disso. Em vez de malabarismos étnicos, o que há, na verdade, é uma conjunção astral de sabores irresistíveis. Pode parecer bagunçado, se apelarmos apenas para os descritores do prato, mas o paladar nem sempre deseja algo clean. É gostoso, muito gostoso.

Alguma ludicidade praticada no Budhakan original permanece: é o caso da roda gigante construída com aro de bicicleta com a única função de conduzir em círculos os acepipes acomodados uma espécie de “cestinha”. Antes, era o cone recheado com bacalhau, que foi substituído por um creme de camarão encimado por camarão salteado no azeite de trufas e creme de queijo maçaricado.

Sim! Há muitos elementos recorrentes neste cardápio, e o queijo é um deles. O que não deverá ser problema para o paladar pernambucano, assumidamente devotado aos lácteos. Sempre é possível pedir uma substituição ou exclusão.



VIZINHO DA ZONA NORTE


No andar superior, o Mura Orora acolhe muito bem a clientela que aprecia a trilogia: comida de inspiração nipônica, trilha sonora lounge descoladinha e drinques maravilhosos. A receita, aliás, já foi testada e aprovada na vizinha Zona Norte, onde o Mura Orora ocupa um imóvel de proporções e beleza épicas, na Av. 17 de Agosto. Deus o conserve intacto. Mura, em japonês, significa Vila. Orora é uma referência ao nome Aurora escrito no brasão do frontispício do casarão.

O transporte do Mura para a Zona Sul não se deu integralmente, até porque o espaço que lhe é destinado é bem mais reduzido do que aquele conseguido pela matriz”. Mesmo assim, garante Bruno Carrazzone, o menu está representado em 70%, excetuando itens da cozinha quente devido à falta de infra-estrutura física. A redução no ambiente – já que o primo do Norte acolhe 180 pessoas – é compensada pelo discreto charme dos recantos que são feitos, ao mesmo tempo, para a conversa de pé de ouvido, a reunião de amigos e a descompressão pós-trabalho. Já, já, os visitantes do Mura Zona Sul poderão desfrutar do projeto que promete ser um sucesso desde a concepção: uma varanda dedicada aos apreciadores dos coquetéis à base de gim, um destilado em franca ascensão entre os brasileiros, e os pernambucanos parecem que não fugirão à regra.

O investimento na arte da mixologia, aliás, é uma das características dos empreendimentos geridos por Carrazzone. O Loft, que além de ter uma representação em Casa Forte está também no Pina, granjeou fama extra: não apenas por sua cozinha caprichada em pratos e petiscos, mas também por disponibilizar os melhores bartenders do pedaço.

Não é uma culinária tradicional japonesa aquela que vemos no Mura Orora, senão aquela vertente ancorada em criações que, partindo do conceito nipônico, acopla elementos outros. O único risco nessa função é levar a liberdade tão longe a ponto de se transformar numa “con-fusão”.

Não é o que ocorre aqui, é bom que se diga. O bom senso prevalece e o guy tataki prova isso, trazendo lâminas de filé salteadas e tão bem marinadas que suas fibras fazem parecer que estamos comendo atum, sobretudo pela presença do molho ponzu.

 

 

 


Budhakan e Mura Orora – Rua do Atlântico, 147, Pina, efone: 3048-5430




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