Jornal do Commercio
CINEMA

Reencontro explosivo de Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio em O lobo de Wall Street

Filme foi indicado a cinco categorias do Oscar 2014

Publicado em 18/01/2014, às 20h18

Cena de O lobo de Wall Street / Paris Filmes/Divulgação
Cena de O lobo de Wall Street
Paris Filmes/Divulgação
Ernesto Barros

Padroeiro do cinema mundial e dos cinéfilos de carteirinha, o cineasta americano Martin Scorsese entrou na sétima década de vida com fôlego renovado. Depois de se exercitar no 3D com A invenção de Hugo Cabret (Hugo, 2011), ele surpreende com um dos filmes mais selvagens de sua longa e prolífica carreira. Candidato a cinco Oscar – entre eles o de Melhor Filme e Melhor Ator (Leonardo DiCaprio) –, O lobo de Wall Street (The wolf of Wall Street, 2013) coloca Scorsese novamente no jogo. O filme, que só estreia oficialmente na próxima sexta (24/01), há mais de uma semana vem sendo exibido em pré-estreias diárias em duas salas de cinema do Recife (nos Kinoplex Casa Forte e Boa Viagem).

Jordan Belfort, o personagem interpretado com garra e uma dose extra de empenho por DiCaprio, já entrou na galeria dos touros indomáveis da filmografia de Scorsese. Ele protagoniza algumas das cenas mais absurdas que o cinema já mostrou nos últimos anos: como cheirar cocaína em partes muitos íntimas do ser humano, ter uma vela entrando em orifícios sensíveis e se arrastar pelo chão feito um paraplégico, em virtude de excesso de drogas, na sequência que pode lhe garantir o Oscar.

Pela quinta vez associado a Leonardo DiCaprio, Scorsese deixou de lado as majors e os dois assumiram todas as rédeas de O lobo de Wall Street. Só assim eles se sentiram sem censura para essa versão tóxica e alucinante do sonho americano. Adaptado a partir da biografia de Jordan Belfort, o roteiro de Terence Winter é um primor de carpintaria e diálogos inspirados. No entanto, as falas são tão venenosas que ele abusou do palavrão “fuck” 506 vezes, ultrapassando o recorde anterior de O verão de Sam (Summer of Sam, 1999), de Spike Lee, com 435 “fucks”.

Na história, o jovem Belfort, já casado e sem perspectivas de riqueza, procura emprego numa firma de Wall Street. Apesar de humilhado por um superior, ele se torna amigo de um corretor experiente e engraçado, Mark Hanna (Matthew McConaughey, numa ponta ótima), que lhe ajuda a entender como as coisas funcionam no mundo da compra e venda de ações. Pego em uma maré de azar, Belfort fica pouco tempo em Wall Street, tendo que se contentar em participar do mercado de vendas de ações baratas. Só que é nesse negócio, que prejudica os compradores e só dá lucro para quem vende, que ele se reinventa.



Com o auxílio de velhos amigos de Long Island e de um conhecido, Donnie Azoff (Jonah Hill), ele constrói um império em que a corrupção e o roubo eram a regra. Nessa jornada, seu apetite por drogas cresce na mesma proporção de sua riqueza vertiginosa. Mas, ao contrário de se contentar em fumar maconha e cheirar pó, ele gosta é de barbitúricos tipo o Quaalude, que faz com que ele e Azoff babem feito cachorro. Jordan se envolve ainda com Naomi (a linda australiana Margot Robbie), com quem casa e vive bons e maus momentos. Fugindo do FBI, ele obriga a mulher a entrar num barco e enfrentar um revolto.

Diferentemente do boxeador Jake LaMotta, de O touro indomável (Raging bull, 1980), e do milionário Howard Hughes, de O aviador (The aviator, 2004), que lutavam enfurecidamente por conquistas íntimas que fustigavam suas mentes e almas, o caminho encontrado por Jordan Belfort é mais prosaico. Filho da década do prazer e do individualismo, o jovem e talentoso Belfort se perde na cobiça e no excessivo desejo para ganhar dinheiro a todo custo. Para colocar todas as loucuras de Belfort na tela, Scorsese tira três horas de nossas vidas sem pedir licença.

Como Jake LaMotta e Howard Hughes, Jordan Belfort também é um personagem real. Se fossem ficcionais, talvez não nos surpreendessem tanto. Além disso, Scorsese pisa no acelerador como nunca fizera em seus mais de 20 filmes de ficção. Por quase toda a duração de O lobo de Wall Street, o cineasta mantém a adrenalina nas alturas. De vez em dando ele dá umas pequenas pausas, como se isso fosse necessário para recuperarmos o fôlego de sua missa negra. Com uma câmera hábil e rápida, Martin Scorsese parece não querer perder um momento da vida de seu personagem insólito. Sem apelar para as boas maneiras, ele faz de O lobo de Wall Street seu filme mais juvenil, com o todo o sexo e a droga que o dinheiro pode comprar.

Leia a reportagem completa na edição deste sábado no Caderno C, do Jornal do Commercio.




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