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CINE PE

Segunda noite do Cine PE foi uma verdadeira maratona

Com três longas e dois curtas, sessões se estenderam até o início da madrugada

Publicado em 28/04/2014, às 03h41

Jorge Furtado entre as atrizes da peça e do filme O mercado de notícias / Divulgação
Jorge Furtado entre as atrizes da peça e do filme O mercado de notícias
Divulgação
Ernesto Barros

A maratona foi longa. No final, sobraram apenas cerca de 50 cinéfilos cansados de guerra no Teatro Guararapes, no Centro de Convenções. Foram exibidos três longas-metragens e dois curtas, uma dose mastodôntica de cinema para ninguém botar defeito. Para um espaço que comporta 2.500 pessoas, a sensação foi esquisita.

Mas, a segunda noite do Cine PE: Festival do Audiovisual, neste domingo (26/04) foi muito boa, apesar da grade de programação desumana.  Dois filmes da Mostra Doc Internacional mostraram suas credencias. Nesta segunda, serão mais dois, o pernambuco Corbiniano, de Cezar Maia, e o português E agora? Lembra-me, de Joaquim Pinto (Portugal), que tem a duração de 2h45m. Outra maratona à vista, certamente.

O gaúcho Jorge Furtado trouxe O mercado de notícias, um filme curioso e crítico sobre a imprensa, o tal 5º poder. Sempre inteligente e cheio de ideias, o cineasta de Ilha das Flores foi buscar inspiração numa peça do teatro elizabetano, escrita em 1626 por Ben Johnson.

Um eterno adepto da metalinguagem, ele ensaia e monta a peça O mercado de notícias, enquanto enumera e discute, matematicamente, temas candentes do jornalismo e dos seus profissionais, com nomes de peso como Mino Carta, Jânio de Freitas, Geneton Moraes Neto, Maurício Dias, Paulo Moreira Leite, Leandro Fortes, Renata Lobo, Cristina Lobo e vários outros repórteres e analistas conhecidos da média do Sul/Sudeste.

O filme funciona muito bem. Mais ainda quando Jorge demole casos em que os jornais pisaram na bola, não por ingenuidade,mas por pura luta ideológica. O exemplo do caso de um suposta pintura de Picasso, existente na sede do INSS, fez o público rolar de rir. Os principais jornais do País fizeram cavalo de batalha do caso, dando uma importância que o quadro não tinha. Jorge vai até um museu, nos Estados Unidos, para provar que o rico quadro do INSS não passa de uma cópia que qualquer pessoa pode comprar por alguns dólares.

O filme é 100% didático e autoexplicativo, mas isso não diminui sua força nem importância. Ao contrário, deveria ser obrigatório que, doravante, cada toda primeira aula do curso de jornalismo começasse com a exibição de O mercado de notícias. Sem dúvida, o senso crítico dos futuros jornalistas já começaria em alta e muita coisa poderia ser evitada, principalmente em termos éticos.



O outro documentário, o diário de viagens 1960, do português Rodrigo Areis, foi exibido após o longa-brasileiro Getúlio, o que fez com que sua sessão entrasse pelo começo da madrugada desta segunda-feira. A maior parte da reduzida plateia que ficou para ver o filme era formada por jornalistas e jurados do festival. Que, pelo dever do ofício, precisam resistir de todas as maneiras para ver os filmes até o fim.

A premissa de 1960 é bastante interessante. Rodrigo Areias fez um road movie a partir de trechos do diário do arquiteto português Fernando Távora, escrito em 1960. As imagens, captadas com uma câmera Super 8 como se fosse um turista, seguem literalmente o que o texto descreve. As imagens tenta enganar o espectador como se também fossem antigas, o que gera um constante estranhamento entre o que o arquiteto viu há de 50 anos e o que o cineasta captou recentemente.

É quase uma volta ao mundo, com paradas até no Brasil. O país mais explorado é os Estados Unidos, especialmente um lugar chamado Taliesen, no estado de Wisconsin, onde o arquiteto Frank Lloyd Wright tinha um estúdio e foi enterrado. Fernando Távora fez a viagem como forma de embasamento e de conhecimento da arquitetura pelo mundo. Anos depois ele criaria a Escola de Arquitetura do Porto. Com tantas questões em torno dos problemas urbanos atuais, o filme adquire uma importância invulgar.

1960 ganhou o Prêmio de Melhor Filme no Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira, em Portugal. A produção foi bancada pelo projeto Guimarães 2013 – Capital Europeia da Cultura, o mesmo que do longa 3x3D, exibido no começo do ano no Cinema da Fundação.

Entre os dois longas, um bom público assistiu ao longa-metragem Getúlio, de João Jardim. A história dos últimos 19 dias de vida do ex-presidente Getúlio Vargas é muita bem contada. O diretor utiliza recursos de filmes de suspense para deixar o expectador quietinho na poltrona, até ver um desfecho que, apesar de conhecido, é trabalhado com habilidade. O público aplaudiu bastante ao final. O lançamento de Getúlio acontece na quinta-feira, no feriado de 1º de Maio.




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