Jornal do Commercio
ENTREVISTA

Cláudio Bezerra desvenda a performance dos personagens de Eduardo Coutinho

Livro será lançado nesta quarta-feira (19/11), na Livraria Cultura, no Paço Alfândega

Publicado em 19/11/2014, às 05h26

Cládio Bezerra (agachado, à direita) cm Eduardo Coutinho (em pé, ao centro), durante gravações de extras de Cabra marcado para morrer / Divulgação
Cládio Bezerra (agachado, à direita) cm Eduardo Coutinho (em pé, ao centro), durante gravações de extras de Cabra marcado para morrer
Divulgação
Ernesto Barros

Professor do curso de jornalismo da Unicap, Cláudio Bezerra foi colaborador do cineasta Eduardo Coutinho, morto no início deste ano. Nesta quarta-feira (19/11), às 19h, na Livraria Cultura do Paço Alfândega, Cláudio lança A personagem no documentário de Eduardo Coutinho, adaptação de uma tese de doutorado. Nesta entrevista, ele fala do objeto de estudo de seu livro.

JORNAL DO COMMERCIO – Por que você foi buscar o conceito de performance – tomado emprestado das artes dramáticas e plásticas e com uma certa tradição na teoria do documentário - para analisar a atuação das pessoas entrevistadas por Eduardo Coutinho em seus filmes?
CLÁUDIO BEZERRA – Além do cinema, tenho muito interesse pelo teatro e outras expressões artísticas congêneres, como a performance. À medida que via e revia os filmes de Coutinho, sobretudo, da última fase do documentário dele, que chamo de personagem, percebia certa semelhança na atuação das pessoas com a atuação de um performer. Ao conhecer mais de perto o método de trabalho que Coutinho construiu aos poucos para viabilizar o estilo de documentário que pretendia fazer, pude constatar que esse caminho fazia muito sentido, claro, desde que deixasse claro os limites de adoção do termo performance no campo do documentário.



JC – A partir de qual momento, na carreira de Coutinho, os entrevistados começam a ganhar esse status de personagens? Qual seria a performance deflagadora desse processo?
CLÁUDIO – Podemos encontrar um ótimo personagem já na primeira fase do documentário de Coutinho, no Globo Repórter da TV Globo, nos anos 1970, Trata-se de Theodorico Bezerra, um político e fazendeiro muito vaidoso e exibido, que atua para a câmera com surpreendente desenvoltura. Mas ele foi uma exceção, porque nessa época os participantes de um documentário representavam uma coletividade, eram os camponeses, os retirantes, os favelados, etc. A partir de Cabra marcado para morrer, que inaugura a segunda fase de Coutinho, a subjetividade começa a entrar em cena, e já é possível encontrar um número significativo de performances. Mas é somente na terceira fase, de Santo forte em diante, quando Coutinho investe na formatação de um documentário ancorado na palavra, na performance oral, que essas personagens performáticas tornam-se dominantes. 

 JC – Em Jogo de cena, Coutinho embaralha a noção de personagem real e fictício. De um lado, mulheres que foram contar suas histórias ao cineasta, a partir de um anúncio de jornal publicado pela produção do filme, e do outro, atrizes profissionais, que também obedecem a essa mesma ideia. Esse seria o filme com mais quantidades de performances na filmografia dele?
CLÁUDIO – Jogo de cena é o filme que explicita mais do que qualquer outro o estilo e o método de construção do documentário de personagem de Coutinho. Entre outras coisas, deixa claro que o diretor sabe de antemão o que as personagens podem dizer graças à pesquisa prévia, revela que o diretor é também um personagem, à medida que finge não saber o que sabe, expõe a diferença entre a interpretação das atrizes e a atuação das pessoas comuns, que chamo de performer e, sobretudo, explicita a importância da performance da palavra em seus documentários, uma vez que essas pessoas comuns e os fragmentos de suas histórias de vida são levados, literalmente, ao palco. Pela configuração cênica do palco, e também por ser composto exclusivamente de mulheres, eu diria que Jogo de cena é o filme de maior concentração dramática e de performances melodramáticas. Em termos de quantidade, Edifício Master tem um número maior de performances.

Leia a entrevista completa na edição desta quarta-feira (19/11) no Caderno  C, do Jornal do Commercio.





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