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CRÍTICA

Até criança sofre na comédia Superpai

Filme estreia nesta quinta-feira (25/02)

Publicado em 25/02/2015, às 06h00

Lukas Brombini e Danton Mello / Universal Pictures/Divulgação
Lukas Brombini e Danton Mello
Universal Pictures/Divulgação
Ernesto Barros

Se você acha que seu dinheiro suado não deve ser jogado fora e tem algum amor aos seus filhinhos, pense duas vezes antes de assistir à comédia brasileira Superpai, que estreia nesta quinta-feira (25/02) em circuito nacional. Não é surpresa para ninguém a quantidade de filmes acintosamente ruins que são feitos atualmente no País, mas este é uma experiência atroz para espectadores de todas as idades.

Há dois anos, o crítico paulista Jean-Claude Bernardet cunhou um termo para sintetizar a existência de filmes como Superpai: irrelevante. Ou seja, como a maior parte do cinema comercial brasileiro – aquele que chega aos cinemas de shopping – está dominado por comédias, elas estão sendo consideradas como “irrisórias, sem nenhuma importância”.

Superpai é um exemplo de como um filme, sob a aparência de comédia, é, de fato, um filme de terror. Diogo (Danton Mello) é o superpai a que o filme se refere. Só que não, né? Nas horas de folga, ele foge para jogar baralho com os colegas suburbanos e não dá a mínima nem para a mulher, Marina (Mônica Iozzi), e muitos menos para Luca (Lukas Brombini), o filho de oito anos.

Diogo fica ainda mais relapso quando lembra do aniversário de 20 anos da turma do colégio. Ele vai fazer de tudo para encontrar os amigos Cezar (Antonio Tabet), Thogun Teixeira (Nando) e Júlia (Dani Calabresa), além de Patricia Ellen (Juliana Didone), uma colega que era afim dele e cuja única noite entre os dois terminou em tragédia. Para ir para a festa, ele precisa se livrar de Luca, o que faz ao deixá-lo numa creche.



O mais engraçado é que o superpai só bota para lascar no filho. Além de pegar o menino errado na creche (o recurso manjado não causa surpresa), ele fica sem saber onde está o filho e sai com os amigos pela noite à sua procura. Mas nada é comparável, pasmem, à crise alérgica que provoca no filho ao lhe dar amendoim.

Superpai é ou não é um filme de terror? Assim, o filme vai aos trancos e barrancos até que Diogo se torna, por milagre do roteiro, um modelo de pai para Luca. Quando se pensa que essa história medonha foi escrita por dois roteiristas americanos e adaptada para a realidade brasileira, a vergonha alheia é ainda maior. O diretor Pedro Amorim, que não fez feio em seu primeiro filme, a comédia romântica Mato sem cachorro, bem que podia escolher melhor seus projetos.

Enfim, o que se esperar de um filme que ainda tem Rafinha Bastos (roteirista), Danilo Gentili (ator) e Nicole Bahls (atriz)? O pior, sem dúvida. Eles podem impulsionar a bilheteria, mas nem mesmo a engraçada Dani Calabresa consegue disfarçar o constrangimento de tais companhias.





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