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CINEMA

A história da eternidade chega aos cinemas recifenses

Filme de Camilo Cavalcante estreia nesta quinta-feira (26/02)

Publicado em 26/02/2015, às 06h00

Irandhir Santos em cena de A história da eternidade / Arthouse/Divulgação

Irandhir Santos em cena de A história da eternidade

Arthouse/Divulgação

Ernesto Barros

O cineasta pernambucano Camilo Cavalcante fecha um ciclo de sua carreira com o lançamento do premiadíssimo A história da eternidade, seu primeiro longa-metragem. Em janeiro do ano passado, o filme iniciou um trajetória vitoriosa em festivais de cinema de fora e de dentro do Brasil, que teve seu ponto ao alto ao ganhar o prêmio máximo do Paulínia Film Festival.

A partir de hoje, cinco capitais brasileiras começam a exibir o filme: Rio (em duas salas), São Paulo, Salvador, Aracaju e o Recife – com duas sessões diárias no Cinema da Fundação. Na próxima semana, o circuito se expande ainda mais com entrada do longa no Cinemark RioMar e em outras capitais, como Brasília, Vitória, Porto Alegre e Florianópolis, entre outras.

“Ainda estamos viabilizando outras salas do Recife, além dessas duas. O problema é que os exibidores estão lotados com os filmes do Oscar”, lamenta Camilo. Segundo o cineasta, lançar um filme é enfrentar uma batalha digna de Dom Quixote. “Estou lutando contra os moinhos de vento para fazer uma distribuição grande. Eu sabia que seria difícil, mas a situação é pior do que imaginava” comenta.

Entre as estratégias para atingir o público dos multiplex, a produção conta uma campanha de spots publicitários veiculados na TV Globo, proporcionada pela parceria do Canal Brasil e da Rede Telecine como coprodutores. Além disso, as críticas que A história da eternidade recebeu durante os festivais também ajudam na conquista de espectadores, principalmente os cinéfilos.

Para Camilo, lançar um filme tem a mesma simbologia de uma ocupação territorial, numa luta onde enfrenta tanto blockbusters estrangeiros quanto nacionais. A diferença é que A história da eternidade, uma poderosa e sensível fábula sobre amor e desejo no sertão nordestino, tem algo que poucos filmes podem se orgulhar: coração. “Desde as primeiras exibições nos festivais, como também na pré-estreia no Rio, na última segunda-feira, que vimos A história da eternidade como uma obra muito especial. As pessoas se emocionam, elas saem das sessões com a alma tocada”, explica o cineasta.

É esse clamor popular, o chamado boca a boca, que Camilo espera que aconteça com o filme nos cinemas. A reação do público, como foi sentida mais de uma vez, tem sido não só calorosa como emocionante. A prova é a inesquecível sessão no Janela Internacional de Cinema do Recife, em novembro do ano passado, quando A história da eternidade foi aplaudido de pé por mais de 15 minutos.

Em algumas cenas, muitos espectadores não se contêm e ovacionam o filme em cena aberta. A mágica operada por Camilo consiste em sua habilidade em tocar o coração do público de forma poética, mas sem cair nas armadilhas do melodrama.

Com o apoio de atores comprovadamente talentosos – como Irandhir Santos, Cláudio Jaborandy, Leonardo França, Zezita Matos, Marcélia Cartaxo e a estreante Débora Ingrid, vencedoras do prêmio coletivo de Melhor Atriz em Paulínia – e uma trilha sonora magnificamente trabalhada pelo polonês Zbigniew Preisner (dos filmes de Krzysztof Kieslowski) e Dominguinhos, Camilo fez um filme que já pode ser considerado uma das mais recentes obras-primas do cinema brasileiro.

Leia mais na edição desta quinta-feira (26/02) no Caderno C, do Jornal do Commercio.




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